Almada | Flamenco Passíon

Dia 25 de Fevereiro às 21h30, o espectáculo Flamenco Passíon invade a Academia Almadense com o cante, a dança e a música do flamenco.

No dia 25 de Fevereiro às 21h30, o Flamenco invade a Academia Almadense, com o espectáculo Flamenco Passíon, num formato de sexteto musical, acompanhados por um casal de bailarinos. Paco de Lucía será evocado, no aniversário da sua morte.

O Flamenco assume assim a sua forma de arte intimamente ligada á beleza do cante hondo (profundo) e da dança, as duas disciplinas que estão na sua origem, suportado em palco pela actuação de seis músicos e um casal de bailarinos. Está dado o mote que transportará o público numa viagem intensa ao universo da arte Flamenca.

A sexteto musical tem um estilo muito próprio e, junta elementos típicos do Flamenco com ritmos latinos e a sonoridade dos Balcãs, passando pelo jazz, produzindo uma musicalidade rica, com enorme variedade de registos e linguagens musicais.

O casal de bailarinos, tem um profundo sentido de dramatismo, expressividade e um exacto domínio do compasso. A convicção artística assume a dança como um veículo de comunicação, para a transmissão de uma mensagem de sensualidade. O cante, a dança, e a alma do flamenco, conduzem o espectador até à Andaluzia, mesmo aqui ao lado em Espanha.

Os bilhetes têm um valor fixo de 15€ e podem ser adquiridos na Ticketline ou na bilheteira da Academia Almadense.

©Ricardo Lopes / Flamenco Passíon / O sapateado é uma característica da dança flamenca.

Um pouco de história do flamenco

O flamenco é a música, o cante hondo e a dança cujas origens remontam às culturas cigana e mourisca, com influência árabe e judaica. A cultura do flamenco é associada principalmente à região autónoma da Andaluzia, em Espanha, assim como à cidade de Múrcia e à região da Estremadura. Esta manifestação cultural tornou-se num dos ícones espanhóis.

Com origem nos bairros pobres ciganos, as gitanerias, o flamenco foi passado de geração em geração transformando-se em uma expressão artística bastante elaborada. Por ter surgido num período muito agitado, a história do flamenco perdeu detalhes importantes. Na altura, os povos mouriscos, judeus e ciganos sofreram muitas perseguições por parte da inquisição espanhola.

Além disso, os ciganos, vindos da Índia cerca de 1425, apresentavam uma forte tradição principalmente oral e as suas músicas eram transmitidas através de actuações musicais informais nas suas comunidades. Devido a esta trajectória complicada, a música e a dança flamenca transmitem emoção, retratando o espírito das lutas, o orgulho nas suas origens, as dores e alegrias de um povo.

No início, o flamenco era constituído apenas pelo cante sem acompanhamento musical e, com o tempo foi ganhando outros elementos, como as palmas, a viola ou guitarra (toque), o sapateado e a dança (baile). O toque e o baile podem também aparecer sem o cante, embora o cante permaneça no coração da tradição do flamenco.

Também foram incluídos o cajón e castanholas como instrumentos de percussão. O primeiro é uma caixa de madeira na qual o músico se senta e toca batendo nela com as mãos. Já as castanholas consistem em dois pedaços de madeira, colocados em redor dos dedos e tocados enquanto se executa a dança. Outros instrumentos foram sendo acrescentados como o violino, o violoncelo e a flauta, o que engrandeceu as nuances musicais para além da tradicional viola.

No princípio, as roupas usadas pelas bailarinas eram simples como as vestimentas das camponesas e, usavam bijuterias simples e, decoravam os seus cabelos com flores. Com o tempo, também o figurino do flamenco foi-se transformando e actualmente uma das suas principais características são as cores vibrantes e alegres, estando a cor vermelha sempre muito presente. Hoje em dia, as mulheres usam vestidos com muitos folhos, leques, xailes, adornos no cabelo e maquilhagem elaborada.

Esta expressão cultural teve por muito tempo pouquíssimo reconhecimento e apenas nos últimos 200 anos ganhou projecção. A 16 de Novembro de 2010, o flamenco foi declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online