Almada inicia recolha de biorresíduos em Abril

O assunto da recolha de biorresíduos surgiu na reunião de dia 20 de Fevereiro da Câmara Municipal de Almada. O Almada Online investigou e conta-lhe em primeira mão tudo sobre a recolha selectiva de bioressíduos no concelho de Almada

A partir de Janeiro de 2024, Portugal tem de recolher selectivamente todos os resíduos orgânicos, assim como todos os outros Estados Membros da União Europeia. Dito de outra forma, a 31 Dezembro de 2023, a recolha selectiva de biorresíduos será obrigatória em todo o território nacional, para cumprimento de legislação nacional e comunitária.

Para tal, o Município de Almada está a implementar um projecto de recolha de resíduos orgânicos, ou biorresíduos, em habitações domésticas e em estabelecimentos comerciais registados no canal HORECA (hotéis, restaurantes e cafés), de forma a cumprir as metas de valorização de resíduos biodegradáveis, a partir de 31 de Dezembro de 2023. Este projecto fará parte do Plano Integrado de Limpeza Urbana já existente no Concelho de Almada.

A estratégia do Município de Almada neste domínio integra as metas e os objectivos definidos para o sector pelo PERSU (Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos) apostando na prevenção e na redução dos resíduos e no incremento da separação para reutilização e reciclagem, com consequente redução da fração residual a eliminar, e a colocar em aterro, designada por resto.

O projecto “Rede de recolha selectiva de biorresíduos no concelho de Almada”, abrange numa fase inicial, cerca de 24.000 habitantes, (14% da população do Concelho) em 15.973 alojamentos e, resultou da aprovação de uma candidatura ao PO SEUR, com um investimento total de 3,1 milhões de euros em viaturas, contentores e campanha de sensibilização e, um financiamento de 1,46 milhões de euros.

“A campanha de sensibilização avança em meados/finais de Março, a recolha de Biorresídos inicia-se em Abril na União das Juntas de Freguesias da Charneca da Caparica e Sobreda.” declarou ao Almada Online Teodolinda Silveira, vice presidente da CMA, também responsável pelos pelouros de Recursos Humanos, Higiene Urbana, Acção e Intervenção Social e, Educação.

A componente informar/educar a população para comportamentos mais sustentáveis, nomeadamente na área da produção e gestão dos resíduos alimentares e a importância da sua separação, está também incluída neste projecto, por ser uma componente fundamental para assegurar a adesão dos munícipes e a qualidade dos biorresíduos separados. Daí ser tão importante a campanha de sensibilização.

Depois da campanha de sensibilização da população, que será realizada durante o mês de Março “o próximo passo será a implementação da recolha selectiva nas zonas da União de Freguesias da Charneca da Caparica e Sobreda, onde já existe recolha porta a porta. Para tal, foram também já adquiridas quatro viaturas de recolha e foi realizada a contratação de novos trabalhadores para reforço da equipa de recolha. A opção pela recolha porta a porta vai permitir reduzir a contaminação dos biorresíduos recolhidos e, com isso assegurar uma maior taxa de sucesso”, explicou a vice presidente da Câmara Municipal de Almada.

Na União de Freguesias da Charneca da Caparica e Sobreda, em zonas de edifícios de média densidade, irão ser colocados contentores colectivos de 800L para a recolha de orgânicos e para a fração resto.  Nas zonas com recolha porta-a-porta da mesma União de Freguesias, na do Laranjeiro e Feijó e na da Caparica e Trafaria, a CMA irá entregar dois contentores individuais (castanho e cinzento) de 120L para recolha de orgânicos e fração resto. Irão ainda ser entregues contentores de 5L para separação dos orgânicos no interior das habitações. Na zona histórica de Almada irão também ser entregues contentores de 5L para separação dos orgânicos no interior das habitações e haverá recolha de biorresíduos e da fração resto. No canal HORECA, serão entregues contentores de 120L e 240L com fechadura.

Os contentores actualmente existentes para recolha de lixo comum ou indiferenciado (contentores verdes) serão gradualmente substituídos por contentores castanhos para os resíduos orgânicos ou biorresíduos e/ou, por contentores cinzentos para a fração resto.

©CMA / Caracterização física dos Resíduos Urbanos do Concelho de Almada em 2019

O que deve e não deve colocar no contentor castanho

Ao separar os resíduos orgânicos está a reduzir a quantidade de resíduos enviados para aterro e a aumentar a quantidade de materiais que vão ser valorizados. Pode colocar no contentor castanho restos de alimentos crus e cozinhados ou fora da validade, legumes e frutas, carne e peixe, restos de sopa, restos de pão e bolos, cascas de ovos, borras de café, saquinhos de chá e guardanapos de papel. Não pode colocar no contentor castanho vidros, plásticos, metais, têxteis, lâmpadas e beatas, excrementos de animais, copos, talheres e loiças, medicamentos e pilhas, etc.

O destino da matéria orgânica assim recolhida será a Central de Valorização Orgânica (CVO) da Amarsul, localizada no Ecoparque do Seixal. O processo de tratamento vai gerar um composto e energia eléctrica. Esta energia será exportada para a Rede Eléctrica Nacional como “energia verde”. O composto orgânico produzido será para aplicação na agricultura.

Projecto-piloto na Costa da Caparica

Actualmente, no centro da Freguesia da Costa da Caparica, já existem contentores enterrados colectivos para a recolha de resíduos orgânicos e para a fração resto. Nas zonas abrangidas por esta recolha foram entregues, nalgumas habitações, contentores individuais castanhos de 5 L para a separação dos resíduos orgânicos (restos de alimentos crus ou cozinhados) nas cozinhas. Este foi um projecto-piloto que teve início em finais de 2020, sobre o qual pode ver o vídeo aqui. O projecto-piloto irá entrar numa nova fase, pois “com o lançamento da campanha de sensibilização durante o mês de Março e a viatura recentemente adquirida, que permite a recolha destes contentores, contamos o mais breve possível podermos começar a obter bons resultados na Costa da Caparica”, acrescentou Teodolinda Silveira.

Se vive no centro da Costa da Caparica e quer um contentor de 5L para fazer separação de resíduos orgânicos na sua casa, poderá deslocar-se à secção de limpeza urbana da CMA localizada na Praça Manuel Bernardes na Costa da Caparica.

Em caso de dúvida ou outras informações contacte os serviços de Higiene urbana da CMA através do telefone 212 549 700 ou higiene.urbana@cma.m-almada.pt

©CMA / Contentores já existentes na Costa da Caparica. À esquerda o contentor cinzento para a fração resto e, ao lado, o castanho para biorresíduos.

Resíduos urbanos em números

A gestão de resíduos urbanos num município sempre assumiu um papel fundamental na salvaguarda da saúde pública e na qualidade de vida das populações. Actualmente assume cada vez mais um papel de destaque, já que o lixo adquiriu um estatuto de recurso. 

Cerca de 50% do seu contentor de lixo é composto por biorresíduos (resíduos orgânicos). Destes, 41% são de resíduos alimentares e 9% são resíduos verdes. Se todos estes resíduos forem desviados do contentor de lixo indiferenciado e devidamente encaminhados e reciclados, a factura do município no tratamento destes resíduos, paga pelos munícipes através da taxa de resíduos sólidos, pode diminuir em 50%.

Cada almadense produz, em média, 383 kg de resíduos indiferenciados por ano, o que equivale a 1,05 kg por dia.

A levar a cabo esta nobre missão o município de Almada possui actualmente 140 trabalhadores que encaminham cerca de 68 000 toneladas de resíduos indiferenciados por ano, recolhem 8 846 contentores de resíduos com frequência diária, executam diariamente 18 circuitos de recolha. 

São ainda recolhidas por ano 10 500 toneladas de resíduos recicláveis provenientes dos ecopontos (papel e cartão, embalagens de plástico e metal e, embalagens de vidro), o que equivale, em média por habitante, a 59 kg de resíduos recicláveis por ano ou 160 g por dia e; 21 000 toneladas de resíduos volumosos (monos) recolhidos à porta e na envolvente dos contentores.

As viaturas de recolha de resíduos urbanos percorrem cerca de 480.000 km por ano, o equivalente a dar 12 voltas ao planeta Terra.

Os resíduos recicláveis colocados fora do ecoponto não são aproveitados. Por isso, coloque sempre os resíduos recicláveis dentro do ecoponto. Estes resíduos são encaminhados a custo zero, enquanto que tratar o lixo comum custa 68,58€ por tonelada.

Pode consultar aqui a lista de lixo reciclável e onde o pode entregar consoante a sua natureza; saber mais sobre reciclagem na Plataforma Europeia de Reciclagem e ficar a par dos pontos de reciclagem existentes em Portugal onde quer que se encontre.

©APA (Associação Portuguesa do Ambiente) / Dados referentes a Portugal Continental sobre encaminhamento de Resíduos Urbanos para as operações de gestão  .

Como tudo começou

A proposta de alteração da Directiva 2008 surgiu no contexto da apresentação, por parte da Comissão Europeia (CE), de um pacote de medidas que visavam o desenvolvimento de uma economia circular na União Europeia e que procurou cumprir com a realização da agenda sobre a eficiência na utilização dos recursos no âmbito da Estratégia 2020 e, assim, progredir no sentido de uma Europa mais sustentável e viável (do ponto de vista ambiental).

Neste contexto, foi clara a necessidade de assegurar um quadro normativo adequado ao desenvolvimento da economia circular, que resultou na (primeira) proposta de alteração de diversas directivas em matéria de resíduos, apresentada a 2 de julho de 2014.

Em concreto, relativamente à alteração da Directiva 2008, a proposta visou, desde logo, entre outros, rever o objectivo de preparação para a reutilização, de reciclagem ou outras operações de valorização dos resíduos, necessários para o alcance da visada economia circular.

É precisamente neste domínio que se salienta a necessidade dos Estados-Membros (EM) implementarem a recolha selectiva de resíduos, de forma a assegurarem não só que os resíduos são efectivamente objecto de operações de valorização, mas também que o processo de valorização é facilitado e melhorado.

Passou-se de um cenário em que, enquanto meio para assegurar a valorização de resíduos, a recolha selectiva de resíduos era uma recomendação (Directiva 2008) para um outro em que passou a ser uma obrigação (Directiva2018).

Os principais objectivos e metas desta directiva, relativamente à redução da deposição de resíduos biodegradáveis em aterro, resultaram da necessidade de reduzir a produção do gás metano proveniente dos aterros, a fim de diminuir o efeito sobre o aquecimento global.

A componente energética da reciclagem dos biorresíduos é actualmente um factor muito importante quer a nível ambiental, quer económico, que se tornou urgente com a guerra na Ucrânia.

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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online