Almada | Molly Sweeney

A companhia Teatro das Beiras apresenta a peça "Moly Sweeney" na sala experimental do Teatro Joaquim Benite, dia 28 de Janeiro às 21h e dia 29 às 16h.

Depois de “Uma História na Cama” (1997) de Sean O’Casey e “Oeste Solitário” (2006) de Martin McDonagh, o Teatro das Beiras regressa à dramaturgia irlandesa com “Molly Sweeney”, de Brian Friel.

“Molly Sweeney” estrutura-se a partir da alternância das narrativas de três personagens sem interacção umas com as outras. Molly, uma mulher independente e capaz, cega desde a infância, submete-se a uma cirurgia para tentar restaurar a visão; Frank, o entusiasta e inquieto marido que faz da cegueira da esposa a sua última causa; e Dr. Rice, outrora um famoso cirurgião, agora um alcoólico caído em desgraça que tenta restaurar a visão de Molly, numa tentativa de recompor a sua reputação.

Parte da construção dramática do texto é inspirada no estudo “Ver e não ver”, do neurologista britânico Oliver Sacks, mais especificamente em Virgil, um homem cego desde a infância cuja visão fora recuperada em adulto e, assim como Molly, após a operação, vê o seu mundo perceptivo desmoronar e não se consegue ajustar ao novo mundo visual. A sua experiência é descrita como um “milagre abortado”.

No final, nas palavras de Molly: “vivo agora num país de fronteiras” onde as percepções deixaram de ser fidedignas, e a loucura e a realidade se fundem no mesmo caos. A estreia desta peça, em 1994, no Gate Theatre de Dublin foi a primeira encenação de Brian Friel.

Brian Friel (1929 – 2015) é um dos mais importantes dramaturgos irlandeses, tendo escrito mais de trinta peças, entre as quais “Amantes e triunfantes”, “Danças a um deus pagão”, “O fantástico Francis Hardy, curandeiro”, e “Terapia das almas”. O seu teatro, que universaliza as especificidades irlandesas, convoca à reflexão induzida pela emoção e pela imaginação, sustentadas na valorização da palavra, muito embora segundo Friel “as palavras não sejam dotadas de plenos poderes até um actor as libertar e as preencher”.

©DR / A estreia desta peça, em 1994, no Gate Theatre de Dublin foi a primeira encenação de Brian Friel.

Ficha Técnica:

Teatro das Beiras
Encenação: Nuno Carinhas
Texto: Brian Fiel
Interpretação: João Melo, Susana Gouveia e Tiago Moreira
Tradução: Paulo Eduardo Carvalho
Assistência de encenação: Sílvia Morais
Cenografia, figurinos e pintura de pano de terra: Luís Mouro
Sonoplastia: Hâmbar de Sousa
Desenho de luz: Fernando Sena
Confecção de pano de terra: Rafaela Graça e Susana Gouveia
Carpintaria: Ivo Cunha
Costureira: Sofia Craveiro
Duração: 120m
Idade: M/12

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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online