Almada | O Pai, de Florian Zeller

O filme, pode ser visto hoje, dia 3 de Maio às 21h, no Auditório Fernando Lopes-Graça

Anthony (Anthony Hopkins) tem 81 anos e mora sozinho no seu apartamento em Londres, rejeitando todas as enfermeiras que a sua filha Anne (Olivia Colman) tenta impor-lhe. ara o velho senhor, consentir uma coisa dessas é assumir uma incapacidade que considera não ter. Porém, esse apoio torna-se cada vez mais urgente para ela, pois vai deixar de poder visitá-lo todos os dias. Decidiu mudar-se para Paris para viver com um homem que acabou de conhecer. Anthony sente-se de tal modo pressionado que começa a duvidar de si, de Anne e da própria percepção da realidade. Não tem uma noção temporal correcta, troca a cara das pessoas, literalmente há vários actores a interpretar as mesmas personagens e, deixa de as reconhecer. Baralha pensamentos, intenções, emoções, tudo. Por vezes não sabemos se estamos no tal casarão, ou numa casa próxima, com uma decoração diferente, onde vive a filha, ou se estamos, por exemplo, numa clínica. Os detalhes vão mudando ligeiramente, deixando-nos a todos confusos. A realidade é-nos apresentada de forma turva de uma maneira muito subtil. Estará Anthony a perder o juízo? Parece que o mundo, por instantes, deixou de ter lógica.

O Pai é um filme sobre envelhecimento, sanidade e perda de autonomia. Reveste-se de um realismo desconcertante que nos faz duvidar da nossa própria perceção e interpretação sobre o desenrolar dos acontecimentos. Aborda a trajectória extremamente tocante de um homem, outrora forte e enérgico, cuja realidade se vai desmoronando lentamente perante os nossos olhos. Mas é também a história de Anne, a filha que enfrenta um dilema igualmente revelador e doloroso: o que fazer com o pai? Como viver o momento mantendo a dignidade dos dois?

No início o filme foi uma peça de teatro de Florian Zeller, estreada em França, em 2012, que rapidamente se transformou num grande sucesso em todo o mundo. Em Lisboa a peça chegou em 2016 ao Teatro Aberto, numa encenação de João Lourenço com interpretação de João Perry. Teve uma adaptação ao cinema num filme francês, “Floride” de Philippe Le Guay, que punha a tónica na comédia e não teve sucesso.

A narrativa do filme está completamente fragmentada, porque durante uma hora e 37 minutos vivemos na cabeça de um idoso com claros sinais de demência.

O Pai estreou no Festival Sundance de Cinema, a 27 de Janeiro de 2020. Na 78.ª edição dos Globos de Ouro de 2021, foi nomeado nas categorias melhor actor (Anthony Hopkins), actriz secundária (Olivia Colman), filme dramático e argumento (Florian Zeller e Christopher Hampton). Nos BAFTA de 2021, teve seis nomeações, acabando por ganhar prémios de melhor actor (Hopkins) e argumento adaptado. Com seis nomeações para Óscares (Melhor Filme, Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Direcção de Arte e Melhor Montagem). Recebeu o de melhor actor (novamente Hopkins) e argumento adaptado.

©DR / Anthony Hopkins tem neste papel um dos melhores desempenhos da sua carreira

Ficha Técnica:

Realização: Florian Zeller
Argumento: Christopher Hampton, Florian Zeller
Produção: Daniel Battsek
Elenco: Anthony Hopkins, Olivia Colman, Mark Gatiss, Olivia Williams, Imogen Poots, Rufus Sewell, Ayesha Dharker
Fotografia: Ben Smithard
Música: Ludovico Einaudi
Montagem: Yorgos Lamprinos
Género: Drama
País: Reino Unido
Ano: 2020
Duração: 97 minutos
Classificação etária: M/12

Preço: 3,00€ |Desconto de 50% para jovens e seniores

Contacto da Bilheteira do AFLG
Tel.: 212 724 922 | auditorio@cm-almada.pt
Quarta a Sexta, das 14h30 às 18h00
Sábado das 15h00 às 18h00
1 hora antes do espetáculo

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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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