Almada | “Quarto Império” ou memórias de Lourenço Marques

Em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite nos próximos Sábado dia 24 (21h) e Domingo dia 25 (16h)

Nos próximos Sábado e Domingo, dia 24 e 25 de Setembro, pelas 21h e 16h, respectivamente, a coprodução entre UmColetivo e Lendias d’encantar, Quarto império, estará em cena na sala experimental do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.

A peça é uma criação de Cátia Terrinca e Herlandson Duarte, que parte da obra Caderno de memórias coloniais de Isabel Figueiredo, “publicada em 2009 como pedrada no charco da complacência nacional para com a realidade colonial portuguesa. Já reeditado, é simultaneamente uma obra literária e um documento que compilou factos – acontecimentos efectivamente ocorridos e presenciados pela então pequena Isabela, regressada de Moçambique na urgência da ponte aérea”, explica-nos a organização. 

Este é um espectáculo que “vasculha memórias na terceira pessoa, da actriz cuja mãe veio de Cabo Verde em 1974 e, de um bailarino, que nasceu e cresceu em Cabo Verde e, num período pós-colonial se mudou para Portugal. Em cena, lê-se a partir do livro onde está escrito o que em primeira mão não lhe foi contado. Reconstrói-se o silêncio de memórias que se foram rarefazendo na dor e na incompreensão, e fica-se cada vez mais perto da criança vestida de branco numa Lourenço Marques já extinta”. 

“Fala-se em colonialismo como se fosse a palavra mais difícil que a professora primária alguma vez as obrigara a escrever e a repetir na escola (colonialismo, colonialismo, colonialismo). Reflete-se, como ao longo de todo o processo, numa relação que oscila entre os movimentos do bailarino e as palavras da actriz, num ensaio para uma descolonização”.

Sobre António Revez, Cátia Terrinca e Herlandson Duarte

António Revez iniciou a sua actividade como actor em 1992. Em 1997 fundou a Lendias d’Encantar, onde acumula as funções de director artístico, actor e encenador. É director artístico do FITA – Festival Internacional de Teatro do Alentejo, promovido em dez vilas e cidades desta região e integrando duas redes internacionais de festivais ibero-americanos. 

Cátia Terrinca é actriz, dramaturgista, programadora e directora artística da UmColetivo, estrutura de criação sediada em Elvas onde, em 2016, criou o Festival A Salto – tomada artística da cidade de Elvas. Em 2016, com Três Irmãs, a partir de Tchekov, recebeu os Prémios Time Out Lisboa para Melhor Espectáculo e Melhor Actriz.

Herlandson Duarte é encenador, bailarino e investigador, nascido no Mindelo em 1986. Tem trabalhado entre Portugal, Brasil e Cabo Verde, tendo estudado também no Senegal. É fundador da companhia de Teatro Solaris. Colabora frequentemente com UmColetivo e com o Teatro da Garagem


Ficha Artística

Dramaturgia António Revez e Cátia Terrinca

Criação e Interpretação Cátia Terrinca e Herlandson Duarte

Iluminação João P. Nunes

Figurinos Raquel Pedro

Design David Costa

Produção Lendias d’Encantar + UmColectivo

Apoios GO Romaria Cultural, Leya, D. Mildá, Ricardo Guerreiro Campos, Helena Baronet, Junta de Freguesia da Beira, Município de Marvão 

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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online