Costa da Caparica | Surf no Bairro

O projecto de inclusão social através da práctica de Surf deu os primeiros passos no dia 14 de Abril, com alunos do Agrupamento de Escolas Miradouro de Alfazina

Na Sexta- Feira, dia 14 de Abril, 21 crianças pertencentes ao Agrupamento de Escolas Miradouro de Alfazina foram até à Costa da Caparica para um baptismo de surf. Foi um dia de muito divertimento e sorrisos na apresentação oficial do projecto de inclusão social “Surf no Bairro”.

O objectivo deste projecto é promover a melhoria do bem-estar social e o sucesso na vida de crianças e jovens dos bairros economicamente desfavorecidos do concelho de Almada, através da práctica de Surf e do contacto com a Natureza. O incentivo para a práctica desportiva do Surf pretende desenvolver nas crianças e jovens competências como a autonomia, a liberdade de expressão, a gestão das emoções, a resiliência no sentido de melhorar as relações pessoais, familiares e sociais, contribuindo deste modo para um maior sucesso escolar

A escola identificou os alunos de contextos mais desfavorecidos de acordo com critérios previamente definidos, onde  estão incluídos parâmetros como o comportamento, a assiduidade e os resultados escolares, entre outros factores e, ao longo do ano, a ASCC – Associação de Surf da Costa da Caparica vai fazer o apuramento dos que mostrarem mais apetência para a práctica da modalidade. O trabalho da ASCC visa descobrir talentos através destas actividades numa vertente pedagógica e didáctica, para que no futuro alguns possam vir a ser atletas de alta competição.

A acção começou pela manhã com uma sessão de demonstração por alguns dos melhores surfistas da ASCC como Francisco Almeida, Martim Paulino, Ian Costa, Miguel Matos, Eduardo Fernandes, Tiago Guerra e João Buco. Os alunos ficaram na areia da praia a observar e a vibrar com as manobras dos atletas que representam a Costa de Caparica em diversas competições nacionais e internacionais.

Logo de seguida foi a vez da aula de surf ministrada pelos instrutores de surf da ASCC juntamente com os surfistas do clube, que saíram da água para partilhar os seus conhecimentos com os mais novos. Foi num ambiente de grande entusiasmo e alegria que as crianças e jovens se fizeram ao mar para sentirem pela primeira vez a sensação de surfar as ondas. A felicidade e os sorrisos estampados no rosto dos alunos foram a nota dominante na partilha de momentos felizes que não irão esquecer.

©Florbela Salgueiro/ CMA / A aula teórica no areal

Seguiu-se um almoço convívio no Marcelino Beach Club com os alunos, professores e responsáveis das entidades que possibilitaram que o projecto “Surf no Bairro” se tornasse uma realidade. Durante a tarde foram realizados vários jogos lúdicos e, decorreu uma segunda aula de surf bem animada, para dar continuidade à sensação de deslize nas ondas.

“Estão aqui tão perto e olhavam para a práctica do surf como algo que lhes era vedado. E não é.” As palavras são da presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA) que veio almoçar com estes alunos, depois da aula de baptismo. Inês de Medeiros afirma que “a grande recompensa é mesmo ver a alegria destas crianças”. A CMA “estará sempre ao lado deles”, garantiu, até porque “este projecto é a cara de Almada”.

O projecto Surf no Bairro, da Associação de Surf da Costa da Caparica, vai proporcionar aulas gratuitas a alunos de escolas TEIP – Territórios Educativos de Intervenção Prioritária, durante um ano.

“É o caminho da diferença e da inclusão social através do surf”, explica o responsável da ASCC, Miguel Gomes, que conta com o apoio de atletas profissionais do clube, que aqui vieram “ajudar estas crianças a sonhar mais alto.Termos a oportunidade de ajudar crianças e jovens que não têm oportunidade praticar surf e, através desta iniciativa, vão conseguir fazê-lo é algo inspirador e recompensador. O desporto é fundamental para inclusão social e, quem sabe, um dia, alguns destes jovens podem vir a tornar-se atletas de alta competição e campeões.”

“Os astros alinharam-se agora. Vamos agarrar em 10 jovens e pô-los a fazer surf durante um ano sem pagar nada, com os melhores fatos, pranchas, cremes”, acrescenta Miguel Gomes.

©Caparica Waves / ASCC / A aula de surf nas ondas da Costa da Caparica

Começaram pelo agrupamento de escolas da Caparica, mas “o bairro quer crescer e chegar às escolas do 2.º Torrão, na Trafaria, e ao Bairro dos Pescadores da Costa da Caparica”. Para isso precisam de mais apoios numa parceria onde já estão o Almada Fórum, a Câmara Municipal de Almada, a Junta de Freguesia da Costa da Caparica e a União de Freguesias da Caparica e Trafaria.

“As minhas primeiras palavras são de profundo agradecimento ao Miguel Gomes da ASCC e à Sónia Gancho das escolas do Monte da Caparica”, afirmou a presidente da CMA, Inês de Medeiros “Assisti a como tudo começou, fruto de uma conversa entre os dois e, é uma imensa alegria para mim, enquanto autarca, ver nascer um projecto desta natureza. Tiveram a ideia, mobilizaram-se e fizeram acontecer. Sabemos qual a importância que os projectos de inclusão social têm numa política pública social, mas é sobretudo ver a alegria e o entusiasmo destas crianças que nos dá um fôlego extraordinário. A ASCC demonstrou, uma vez mais, aquilo que é a sua função, que é muito mais do que ser um clube de surf, com uma preocupação pelas crianças e pessoas do território que é assinalável e que deve ser promovida e acarinhada. Consideramos que esta iniciativa possa servir como um excelente exemplo daquilo que o envolvimento, o entusiasmo e a dedicação trazem de bom para todos.”

A directora do Agrupamento Escolar Miradouro de Alfazina, Sónia Gancho, refere que “estamos muito gratos por termos esta parceria e iniciativa de surf na escola e no bairro com o Miguel Gomes da ASCC. Estamos todos de parabéns: a escola, a ASCC, os patrocinadores, a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Almada. Os meus alunos estão muito satisfeitos e motivados com o projecto e venham mais do género.”

Para Sandra Chaíça, presidente da Junta da União de Freguesias de Caparica e Trafaria (JUFCT), “o balanço é muito positivo. É algo único para estas crianças. Para muitas delas foi a primeira vez que vieram à praia fazer surf. Saíram fora do habitat de um bairro social e é isto que nós, poder autárquico, podemos oferecer a estas crianças. São pequenos gestos que são muito grandes para eles e que resulta de uma grande parceria com a ASCC, com a Costa de Caparica que nos acolheu na sua freguesia e com as escolas do Miradouro de Alfazina. É uma iniciativa importante de inclusão social porque estamos numa zona com uma parte social muito carenciada, com crianças que não têm condições de pagar para practicar este desporto.”

Já o presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica (JFCC), José Ricardo, salienta que “é gratificante para quem vive e olha para o surf como um desporto também de inclusão. Acho que é uma iniciativa, para já, única que obviamente querermos alargar a mais escolas do concelho. É apenas o pontapé de saída. Tem duas vertentes que são gratificantes para nós: a desportiva, com a formação de novos valores em representação da Costa de Caparica e do concelho de Almada e a da inclusão social, com a mitigação da criação de guetos sociais. É pôr os miúdos que nunca teriam oportunidade de experimentar fazer surf e colocá-los a surfar e a interiorizar aquilo que é o futuro amor pelo mar, pelas ondas e pela preservação da Natureza. É uma iniciativa muito gratificante que a ASCC, uma vez mais, vai ser pioneira e que nós, entidades públicas temos de apoiar já que, futuramente, irá criar algumas mais-valias no concelho de Almada”.

A primeira ação do “Surf no Bairro” foi um sucesso e estão garantidas mais actividades deste género brevemente, sendo que 10 destes alunos irão ter um acompanhamento na frequência de aulas de surf de iniciação na ASCC.

A ASCC irá continuar a trabalhar em conjunto com o Almada Fórum e em parceria com a Junta de Freguesia da Costa de Caparica e Junta de União de Freguesias de Caparica e Trafaria que farão um trabalho de proximidade com as crianças e jovens das escolas do Agrupamento de Escolas Miradouro de Alfazina.

“Estamos todos de parabéns”, disse Sónia Gancho. “Para eles é uma luz porque permite-lhes sair do bairro, da esfera familiar e experimentar algo completamente novo”. 

©Caparica Waves / ASCC / A boa disposição e os sorrisos foram uma constante no dia do primeiro passo deste projecto
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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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