David Cristóvão avança com pedido de impugnação da decisão do PSD Almada

Autarca faz também participação disciplinar dos membros e, pedido de sindicância à Comissão Política de Almada por irregularidades

Na sequência da retirada de confiança política pelo PSD Almada, na passada Segunda-Feira 6 de Novembro, que surgiu depois de uma crónica polémica no jornal Almada Online, David Cristóvão, Membro da Assembleia da União de Freguesias da Caparica e Trafaria desde 2017, foi notícia em vários jornais de âmbito local e nacional. Hoje, 10 de Novembro, o autarca enviou um comunicado à redacção do Almada Online onde explica as suas acções futuras.

Nesse comunicado David Cristóvão explica que na sequência das suas denúncias “sobre vários casos de más práticas e o uso indevido de recursos da Câmara Municipal de Almada por elementos do meu próprio partido, vi nesta segunda-feira ser-me retirada a confiança política pelo PSD enquanto autarca eleito pelo povo.”

“A decisão foi espoletada depois de ter denunciado uma preocupação crescente com a forma como estão a ser usados os recursos do município, de ter criticado a presença de vários militantes do Partido em cargos de destaque na autarquia em potencial conflito de interesses ético e, a utilização indevida do carro do município alocado ao vereador do PSD por membros do seu gabinete em actividades da sua vida política, partidária e pessoal, o que já foi testemunhado até por membros de outros Partidos que serão arrolados como testemunhas.”, continua David Cristóvão.

O autarca declara que acabou “de comunicar ao Presidente do Conselho de Jurisdição Distrital que esta tarde será entregue aos serviços um pedido de impugnação da retirada da confiança política pelo PSD Almada, uma participação disciplinar dos membros da Comissão Política de Almada e um pedido de sindicância à Comissão Política de Almada por irregularidades.”

“A denúncia agora apresentada fundamenta-se em várias irregularidades processuais, na omissão do direito ao contraditório e consequente produção de uma decisão-surpresa e no carácter difamatório da argumentação.”, explica Cristóvão.

“Sempre defendi o PSD e procurei defender o Partido dos comportamentos nocivos para a sua imagem de alguns militantes- esses comportamentos também são apresentados nesta denúncia. Pedi sempre que não se confundisse o PSD com atitudes danosas para a sua imagem. Alguns membros da Comissão Política de Almada, numa decisão praticamente empatada de 5 votos contra 4, decidiram penalizar o denunciante em vez de punir os verdadeiros infractores. Chegou a hora de me defender.”, pode ler-se no mesmo comunicado.

David Cristóvão termina o comunicado recordando que “o Presidente da Comissão Política, um dos seus Vice-Presidentes e o Presidente do Núcleo da Costa da Caparica votaram contra a decisão. 4 dos 5 votos a favor foram expressos por militantes que tinham sido visados pelas minhas críticas, incluindo um dos Vice-Presidentes da Distrital de Setúbal, numa clara atitude persecutória e tendo atuado como juízes em causa própria. Os militantes do PSD devem servir o Partido e não servirem-se dele.”, termina David Cristóvão.

Reacção de António Pedro Maco deputado municipal do CDS-PP

António Pedro Maco, deputado municipal eleito pelo CDS-PP em coligação com o PSD, foi o visado por um comentário do também deputado Luis Durão do PSD na última reunião da Assembleia Municipal de Almada. Este comentário foi descrito por David Cristóvão na sua crónica como “declarações insultuosas”, “um ataque rasteiro, vil e suez”, que revelou “total inconsciência e irresponsabilidade políticas”. David Cristóvão foi mais longe, dizendo que a esse eleito “não resta outra hipótese que não a demissão.”

O Almada Online sabe que o deputado municipal do CDS-PP será uma das testemunhas arroladas por David Cristóvão no seu pedido de impugnação da retirada da confiança política feita pelo PSD Almada e colocou-lhe algumas questões por mail.

Almada Online: Confirma que esteve presente quando o deputado municipal António Salgueiro foi confrontado por outros deputados municipais por chegar a uma reunião da assembleia municipal no carro do do munícipio?
António Pedro Maco: Sim, confirmo. 

AO: Confirma que assistiu a outras deslocações do deputado António Salgueiro no carro do munícipio fora do âmbito da actividade do gabinete do vereador,?
APM: Confirmo que o deputado António Salgueiro já se fez deslocar na respectiva viatura afecta ao vereador do executivo municipal para reuniões de comissões da assembleia municipal, nomeadamente reuniões que não se realizaram na sede do órgão deliberativo. Se o deputado referenciado utiliza ou não, a mesma viatura para outras deslocações de outro âmbito, não sei confirmar pois não presenciei. 

AO: Como classifica este comportamento de uso indevido de meios pagos pelo erário público?
APM: Cada deputado deverá ser responsável pelos seus actos e pelas suas atitudes. Os deputados municipais em Almada já têm mecanismos de auxilio ao seu transporte em serviço ou por causa do serviço da assembleia municipal, nomeadamente, a disponibilização de uma carrinha do municipio para transportar os eleitos aquando da realização de reuniões/visitas exteriores no âmbito das comissões. Se há deputados que recorrem a outros expedientes que não têm por direito para se fazer deslocar, deveriam de parar de o fazer, pois todos têm de ser tratados de forma igual e sem discriminações. Os recursos quer da câmara quer da assembleia ao dispor dos eleitos, devem estar devidamente regulados sob pena de se causar injustiças no acesso aos meios beneficiando uns e prejudicando ouros. 

AO: Como vê a retirada da confiança política a David Cristóvão, no seguimento da sua crítica ao comentário de Luís Durão à sua pessoa na AMA e, às criticas que tece ao seu partido?
APM: Relativamente à intervenção do senhor deputado Luís Durão, não tenho muito mais a acrescentar áquilo que já tive oportunidade de dizer junto dos órgãos de comunicação social, quando contactado pelos mesmo. Entendo que foi um descuido muito infeliz. Eu jamais o faria, mesmo sendo eu muito firme e crítico junto dos meus adversários, e, que, com certeza a frio, já se deve ter arrependido de o ter proferido, pois de forma alguma dignifica o órgão onde está presente, por renúncia de uma companheira sua. Jamais faria uma gracinha com características física ou psíquicas de um adversário. Relembro para contextualizar que a infeliz intervenção do senhor deputado Luís Durão, que muito estimo, foi proferida e a mim dirigida depois de na minha intervenção ter apelidado a sua bancada (PSD) e também o seu vereador na câmara municipal, de serem ajudantes do executivo do partido socialista. 

Não sei, sinceramente, o que deixou tão perplexo e descontrolado o PSD, pois, ajudar, no dicionário, significa entre outros: contribuir, auxiliar, cooperar, facilitar, proteger, favorecer. Eu próprio, sem qualquer pudor ou vergonha, me assumo como ex-ajudante deste executivo. Fi-lo com esperança de um novo paradigma e uma nova forma de estar na política e ajudar á melhoria das condições e qualidade de vida dos almadenses e, de projectar o concelho no verdadeiro concelho desenvolvido do séc. XXI. Esse foi também o pressuposto com que me candidatei nas listas da Coligação Almada Desenvolvida, onde estavam inseridos para além do CDS, o PSD, o Aliança, o PPM e o MPT. Infelizmente, a desilusão chegou, sobretudo, pela falta de seriedade e de frontalidade das pessoas que estão à frente do executivo municipal, assumindo-se o CDS-Partido Popular como oposição. Portanto, não compreendo o porquê do PSD se sentir tão ofendido com a palavra ajudante, pois se não são ajudantes são o quê? Ou querem ajudar passando pelos pingos da chuva e ser oposição ao mesmo tempo enquanto ajudam? Então ai, se me permite e em jeito jocoso, o PS que se cuide porque com parceiros destes não precisa de inimigos. 

Já no que concerne às declarações públicas do autarca do PSD na Assembleia de Freguesia da Caparica/Trafaria, David Cristóvão, que também muito estimo, agradeço o reconhecimento lúcido e responsável tal como a solidariedade no que a mim me diz respeito, mas comentários à vida interna de outros partidos, sejam eles quais forem, como me é habitual e compreenderá, não os farei. Tenho a minha opinião mas guardo-a para fóruns privados, isto sem deixar de reconhecer o papel crítico e inconformado que o autarca David Cristóvão tem tido relativamente à má gestão do município por esta maioria. Acho que, infelizmente, nos dias de hoje, é preciso ter coragem para se remar contra a maré e dizer o que se pensa, mesmo incomodando os outros e até os nossos. 

AO: Como foi eleito em coligação com o PSD como avalia o desempenho da coligação de maioria PSD/PS na CMA? 
APM: Com muita desilusão. Logo a seguir ás eleições e, quando se começaram a delinear estratégias a fim da criação de uma nova maioria, o CDS foi completamente colocado de parte, sendo literalmente afastado de uma reunião onde se ia decidir o futuro da maioria em Almada com o PS, mais concretamente com Inês de Medeiros, numa sala de reuniões num imóvel da câmara situado no Parque da Paz. Não obstante, e digo-o porque me considero uma pessoa séria, nunca houve formalmente qualquer acordo firmado com o CDS e com o PSD pós eleitoral, mas sim, falava-se numa possibilidade de convergência de ideias e de projectos tal como aconteceu no primeiro mandato iniciado em 2017 – o qual o voto do CDS em assembleia municipal tinha importância redobrada –  para que a direita em Almada ganhasse músculo para futuro, considerando que por esse país fora há exemplos de boa governação e entendimento entre os dois partidos. Infelizmente, não por culpa do CDS, esse cenário foi e, é agora também no quadro actual, totalmente impossível. 

Entendo, e é minha opinião da qual não prescindo goste-se dela ou não, que o PS tem o controlo do seu parceiro de coligação, baseado nas posições que o mesmo tem tido nas votações e comportamento, quer na câmara quer em assembleia municipal, que vão muito em contrário ao que a coligação Almada Desenvolvida prometeu aos almadenses. Lamento imenso o facto, mas não me reconheço de todo, nem no actual PSD de Almada e muito menos no partido socialista e em Inês de Medeiros, esta última uma pessoa que promete e compromete-se, mas que no final não passa disso mesmo, apenas promessas, sem categoria, sem competência e sem capacidade que baste para continuar sentada na cadeira de presidente da câmara. 

Nada me move contra partido nenhum em concreto, muito menos contra um parceiro com quem estava junto há dois anos numa coligação eleitoral local. Todavia, enquanto o PSD continuar a passar uma esponja no programa eleitoral, continuarei livre e democraticamente a defender o programa com que me apresentei conjuntamente ao órgão pelo qual fui eleito legitimamente honrando os militantes e almadenses que confiaram no PSD e no CDS, do qual me considero com muito orgulho, fiel representante. 

É preciso uma voz critica na oposição, é preciso políticas alternativas e ambiciosas tal como é preciso uma estratégia para o desenvolvimento do concelho, caraterísticas que Inês de Medeiros e o PSD ajudante, este último a continuar com a presente postura, não têm. Continuarei a fazer essa oposição, a denunciar o que está mal e o muito que há por fazer em Almada, apresentando propostas até ao final do mandato.

, , , , , , , , , , ,

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online