Laranjeiro | Alunos da escola António Gedeão em protesto

Os alunos da escola António Gedeão no Laranjeiro, manifestaram-se na manhã desta Terça-Feira 21 de Março, à porta deste estabelecimento de ensino. Em causa estão a falta de condições físicas da escola e a sua recuperação. Ao protesto juntaram-se pais, professores e auxiliares de educação

Foram mais de uma centena de alunos, encarregados de educação e professores que se manifestaram com palavras de ordem e cartazes à porta da Escola António Gedeão. Nos cartazes podia ler-se “A nossa voz conta”, “Gabinete da Educação precisamos de um pavilhão!”, “Queremos obras!”, “Gostamos desta escola, mas precisamos de esmola”, “Lição nº 100 sumário: manifestação na Gedeão” “O provisório não pode ser definitivo”. As frases de ordem passavam por “Governo escuta, os estudantes estão na rua!” e “Passaram 30 anos! Não há condições! Fechem a escola!” “A António Gedeão está a cair!”. Todos pedem obras urgentes.

“O que nós queremos é que façam alguma coisa nesta escola. Temos pavilhões provisórios há mais de 30 anos, a minha tia andou nesta escola e tinha aulas nestas condições. Há buracos nas paredes. Os professores não têm condições para dar aulas… e não queremos só promessas como até agora temos tido.”, disse uma aluna

“Este cenário é uma aula prática de cidadania activa. É o que estes alunos estão a fazer. Têm um problema e têm o direito e o dever de o tentar resolver. Esta escola tem instalçaões precárias há mais de 30 anos, em que nos andam a dizer que as instalações são provisórias. Há paredes a cair, há portas a cair e não pode ser”, declarou a professora Margarida.

“Não temos muitas condições. Precisamos de obras já. Não se admite o estado da escola, quase há 40 anos. Merecíamos ter uma nova escola para as crianças. Puseram um telhado novo que ja está a fazer infiltrações dentro das salas. A sala D8 por exemplo tem água quando chove”, disse uma professora. O Inverno veio acentuar o protesto.

“Houve alunos que tiveram aulas com chuva e depois essa sala teve de ser fechada nos dias de chuva. Quando chove não conseguimos ter acesso ao pavilhão de educação física.”, disse Marta Jorge uma aluna da escola.

“Os meus três filhos já passaram por esta escola. Há mais de 30 anos que estes pavilhões estão aqui. A escola está muito mal tratada devido aos anos que têm estes pavilhões provisórios”, disse Nuno Rocha um encarregado de educação que se juntou ao protesto.

Há até quem tenha sido aluna na escola e se tenha tornado professora da mesma sem que os problemas se tenham resolvido, como explica Silvia Santos “Fui aluna desta escola há 22 anos atrás, nessa altura chamávamos a estes pavilhões os galinheiros. Já na altura chovia lá dentro.”

Para além da falta de condições, alunos, pais e professores denunciam também a possibilidade das instalações se tornarem um perigo para os alunos. Por exemplo, o ginásio interior foi fechado por motivos de segurança, porque caíram vigas do telhado. 

“Tenho amigos da minha idade, tenho 44 anos, que estudaram aqui e nessa altura já estas instalações eram provisórias. As condições têm-se vindo a degradar cada vez mais. Esta escola está em condições muito indignas. As portas estão partidas, os balneários estão partidos, o chão tem estruturas descoladas “, disse Vânia Cruz, uma encarregada de educação solidária com o protesto.

“Não faz sentido um espaço que são anexos, manterem-se provisórios há 38 anos, quando se investiu em painéis solares, que sim são necessários. Quando estudei cá tive calor e frio dentro dos anexos e ainda não se construiram os pavilhões que iriam dar condições às crianças.”, declarou um pai preocupado.

São mais de mil os alunos que actualmente frequentam a Escola António Gedeão do 7º ao 12º ano. A escola, construída em 1984 pelo Ministério da Educação, possui 64 salas de aula em 5 pavilhões de alvenaria com 2 pisos cada. Tem ainda um conjunto de 5 pavilhões de anexos em contraplacado, ditos porvisórios desde a sua construção, onde também são leccionadas aulas.

O Almada Online contactou a vereadora Teodolinda Silveira, detentora do pelouro da Educação na Câmara Municipal de Almada para uma reacção a este protesto, sem que houvesse resposta da sua parte em tempo útil da publicação desta notícia.

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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online