Jorge Fernandes (1972-2026)
Sonoplasta, produtor e músico
Faleceu a 11 de Outubro, aos 54 anos de idade, o músico, sonoplasta e produtor almadense Jorge Manuel Lopes Fernandes, conhecido pelos seus amigos e colegas por “Xinês”. Nascido em Lisboa a 8 de Outubro de 1972, veio morar em Almada ainda era criança, cidade à qual permaneceu profundamente ligado.
Jorge “Xinês” Fernandes iniciou o seu contacto com o universo musical no final da década de 80 do século passado, tendo frequentado o Conservatório de Música de Lisboa, entre 1988–1990, onde se dedicou ao estudo da guitarra clássica. Contudo, seria na engenharia de áudio que encontraria a sua verdadeira vocação.
Sem parar de trabalhar, entre 1994 e 1996, realizou o curso de Engenharia de Som, na London School Of Sound, em Londres, com estágios na BBC e nos estúdios de Abbey Road, referências incontornáveis na gravação de som, consolidando conhecimentos que o tornariam um dos técnicos mais requisitados do meio.
A sua pegada técnica começou a ganhar forte relevância entre 1992 e 1999, período em que trabalhou na Rádio Difusão Portuguesa (RDP) e RTP como técnico de som de exteriores e reportagens. Na rádio pública, Jorge foi responsável por momentos marcantes da emissão nacional, como a captação e mistura técnica de sessões ao vivo acústicas (unpluggeds) para a Antena 3, ou a captação e transmissões de concertos clássicos de grande escala, colaborando directamente com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Sinfónica Juvenil, a Orquestra Gulbenkian e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos.
Entre 1994 e 1998 trabalhou na SIC, onde foi co-fundador dos programas Portugal Radical, Templo dos Jogos e O Mundo Dos Animais, assumindo a sua sonoplastia e pós-produção de áudio.
Fora da rádio e da tv, construiu uma carreira sólida que unia os palcos e os estúdios de gravação. Colaborou com bandas como os Blind Zero, Jorge Palma, Da Weasel, Thormenthor, Mofo, Awaiting the Vultures, UnderStone, Remexido, Horns e Redlizzard. Como baterista, produtor e engenheiro de som no seu próprio espaço de criação (o Lizard King Studios), Jorge Fernandes manteve-se activo na vanguarda do rock e metal nacional.
As reações à sua morte estão a ser marcadas por mensagens de profunda gratidão e respeito, por técnicos, estúdios, músicos e amigos. Nas redes sociais, Jorge Fernandes foi unanimemente recordado não apenas pelo seu ouvido clínico e genialidade técnica, mas sobretudo pelo seu trato humilde, paciência infinita no estúdio e postura protectora em relação às bandas com quem trabalhava.
Fiel à forma como conduziu a sua vida profissional — preferindo sempre os bastidores à luz dos holofotes —, a família optou por manter as cerimónias fúnebres e a causa da sua morte na mais estrita privacidade.
Jorge Fernandes era apelidado no meio musical como “o homem que tratava do som por detrás do som”. Brilhante, mas sempre discreto, deixa um legado invisível, mas profundamente audível, na história recente da música nacional e do audiovisual em Portugal.
À família, amigos e aos muitos músicos cujo som ganhou vida pelas mãos de “Xinês”, o Almada Online endereça as mais profundas condolências.
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