Rogério de Carvalho (1936 – 2024)

Rogério de Carvalho, encenador luso-angolano, teve uma carreira de 60 anos ligado ao teatro.

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O encenador Rogério de Carvalho, de 88 anos, morreu na noite de Sábado, 21 de Setembro, no Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde se encontrava internado desde 15 de Setembro, na sequência de um acidente vascular cerebral, disse à agência Lusa fonte da Companhia de Teatro de Almada (CTA).

Rogério de Carvalho, encenador luso-angolano, dedicou grande parte da sua carreira de 60 anos no teatro, a textos de dramaturgos como Jean Genet, Bernard-Marie Koltès, Rainer Werner Fassbinder, Howard Barker, Eugene O’Neill e Anton Tchekhov, sem esquecer clássicos como Molière e Gil Vicente, nem tão pouco as origens do drama, de Platão a Eurípides.

“Para a CTA, dirigiu, desde 2003, encenações marcantes no teatro português como “As Três Irmãs” (Tchékhov, peça que encenara já antes com o Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria), “Fedra” (Racine), “Tio Vânia” (Barker, numa versão alternativa ao clássico de Tchékhov), “Tartufo” (Molière, que encenou cinco vezes), “Pelicano” (Strindberg), “Hipólito” (Eurípides), “Se Isto É Um Homem” (Primo Levi), “Music-Hall” (Lagarce, 2023) protagonizado por Teresa Gafeira, ou “O Medo Devora a Alma” (Fassbinder, 2022), tendo trabalhado com o actor Cláudio da Silva em várias das suas últimas encenações.”, descreve a CTA em comunicado. Breyten Breytenbach, Peter Handke, Arthur Schnitzler, Pierre de Marivaux foram outros dramaturgos que trouxe para os palcos portugueses.

Nascido em Gabela, província do Kwanza Sul, em Angola, Rogério de Carvalho iniciou a sua carreira ainda enquanto aluno do Conservatório Nacional de Lisboa, actual Escola Superior de Teatro e Cinema, na qual leccionou até 2007.

Reconhecido pela exigência e rigor a que se impunha, Rogério de Carvalho foi distinguido com o Prémio da Crítica em 1980 para melhor encenação, pelo espectáculo «Tio Vânia», de Tchecov; com o Prémio Almada 2001 com a peça “O Paraíso Não Está à Vista”, com o Grande Prémio da Crítica em 2012, por espectáculos que dirigiu para as companhias Ensemble e As Boas Raparigas vão para o céu, as más para todo o lado, projecto teatral de que foi director artístico, nascido no seio de uma nova geração de criadores da cidade do Porto; e pela pela Câmara Municipal de Almada e pela Companhia de Teatro de Almada em Julho de 2015, durante a 32.ª edição do Festival de Almada.

Trabalhou regularmente com a Companhia de Teatro de Almada e com o Teatro Griot, o Teatro Oficina e A Escola da Noite, entre outras companhias, e dirigiu espectáculos para os teatros nacionais D. Maria II e São João.

Acompanhou a formação de sucessivas gerações de teatro universitário, em Braga e no Porto, destacando-se o seu trabalho com o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), através da direcção de peças como “O Sonho”, de August Strindberg, e “Oresteia”, de Ésquilo.

António Pires, do Teatro do Bairro Alto, que foi seu aluno, dedicou-lhe a tragédia “Pentesileia” de Heinrich von Kleist, em 2023.

Também trabalhou com o seu país natal, tendo orientado o Núcleo de Teatro da Fundação Sindika Dikolo, em Luanda, Angola, criado com o objectivo de formação de Actores e Criação de Espectáculos de Teatro.

O Almada Online endereça as mais sentidas condolências à família, amigos e à Companhia de Teatro de Almada.

Actualização 23-09-2023 : O velório do encenador Rogério de Carvalho realiza-se na Quarta-Feira 25 de Setembro, a partir das 17h30, na Igreja de Almada. A cremação está marcada para as 11h30 de Quinta-Feira 26 de Setembro, no Crematório da Quinta do Conde, no Cemitério Municipal de Sesimbra.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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