Almada recorda 494 presos da ditadura através de cartas de amor e resistência
A Exposição estará patente no Museu de Almada - Casa da Cidade até 18 de Abril de 2027
O Museu de Almada – Casa da Cidade inaugurou, na passada Quinta-Feira, 8 de Outubro, a exposição temporária “Enquanto eu não sair em liberdade. Cartas de amor e resistência”. A mostra foca-se na memória histórica local, trazendo a público o percurso de 494 almadenses que foram presos políticos pelo regime do Estado Novo. O espólio estará patente ao público até 18 de Abril de 2027.
A exposição propõe uma viagem afectiva e documental pela história da oposição à ditadura através do olhar íntimo das famílias. Reunindo correspondência privada, fotografias, desenhos, documentos e objectos pessoais cedidos por familiares e descendentes, o percurso foca-se em demonstrar como as ligações amorosas e o amparo familiar serviram de sustento emocional contra a opressão da PIDE, a prisão política e o exílio.
As cartas trocadas entre a prisão e o exterior ocupam um lugar central. Num regime em que a vigilância e o silenciamento eram instrumentos de poder, serviam de refúgio a quem estava preso e a quem esperava cá fora, e revelam agora quem as escreveu. Os carimbos da censura continuam visíveis nas cartas expostas, mas não apagam o essencial: a garantia e o conforto, para quem estava preso, de que não estava sozinho e que tinha familiares e amigos à espera no exterior.
Há também fotografias e molduras, um vestido de noiva, desenhos para os filhos e livros requisitados na Cooperativa Piedense. Do exílio vêm um cartão de refugiado concedido em Bruxelas, uma carta enviada de Paris e um passaporte com o carimbo de repatriado, que mostram a violência de perder o país e o que se tinha.
Para além do percurso expositivo, a Câmara Municipal de Almada (CMA) concebeu um programa paralelo de mediação cultural. Estão agendadas visitas orientadas gratuitas para os dias 31 de Outubro e 28 de Novembro, conduzidas pelas especialistas Vanessa Almeida e Maria José Santos. Em Dezembro, o museu acolhe também a oficina familiar “Vozes embrulhadas”, focada na comunicação criativa não-verbal para crianças e adultos.
A mostra pode ser visitada na Praça João Raimundo, na Cova da Piedade, de Terças a Sábados, das 10h às 13h e das 14h às 18h. As inscrições para as actividades paralelas devem ser formalizadas através do e-mail museus.comunica@cm-almada.pt .

