Trafaria | Bombeiros realizam parto em ambulância

Esther foi o nome escolhido pela corporação

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Uma bebé nasceu no interior de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários da Trafaria (BV Trafaria), a caminho do Hospital São Francisco Xavier, durante a madrugada da passada Quarta-Feira, 2 de Julho

“Esta madrugada, entre sirenes e adrenalina, vivemos um daqueles momentos que ficam gravados para sempre. Fomos accionados por volta das 4h para um trabalho de parto e, a caminho do Hospital São Francisco Xavier, às 5h57, nasceu a Esther, nome escolhido pela nossa equipa”, publicou a corporação trafariense na sua página do Facebook.

Os Bombeiros Voluntários da Trafaria destacaram que “o nascimento ocorreu no interior da ambulância, com o apoio imprescindível da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) do Hospital São Francisco Xavier, numa operação marcada pela “coordenação, técnica e, acima de tudo, pelo coração”.

“Porque ser bombeiro é isto: estar onde é preciso, quando é preciso, e ser parte da vida, desde o primeiro segundo”, acrescentaram, dando os “parabéns à mamã e a toda a equipa envolvida”.

Segundo dados dos bombeiros, 36 grávidas já tiveram este ano bebés em ambulâncias, por não conseguirem chegar a tempo à unidade que as podia receber. Os casos mais recentes ocorreram nos municípios do Barreiro, Marinha Grande, Tábua, Seixal e Azambuja.

Estas situações decorrem do encerramento frequente das urgências de ginecologia e obstetrícia na área onde as parturientes se encontram, por falta de médicos que assegurem a escala, que obriga a que as mesmas sejam transportadas pelas corporações de bombeiros para a unidade de saúde que o SNS24 lhes indicar.

Há uma semana, nasceram dois bebés numa “noite de emoções” dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, no Barreiro. Segundo a corporação, duas grávidas deram à luz antes de chegarem ao hospital.

No dia 4 de Julho, uma grávida em situação de risco perdeu o bebé, depois de ter sido encaminhada para um hospital a mais de uma hora de distância. A mulher do Barreiro terá ligado para a linha da Saúde 24 sem sucesso, numa altura em que todas as urgências de obstetrícia da Margem Sul estavam fechadas. Grávida de 31 semanas e 4 dias, só chegou ao Hospital de Cascais às 4h da manhã, sendo que o seu telefone para o SNS24 foi à 1h30.

“Nenhuma grávida deveria passar por esta angústia. E, muito menos, por ser uma consequência direta do colapso de um serviço que a deveria ter protegido nos cuidados”, declarou Joana Bordalo e Sá, presidente Federação Nacional dos Médicos (FNAM) ao DN, acrescentando que “uma mãe que estava em sofrimento e desespero viu o SNS a falhar num momento muito crítico.” A dirigente sindical acrescentou ainda que este “É o resultado de uma política total de abandono deste Ministério da Saúde de Ana Paula Martins, e que é inadmissível em pleno século XXI”.

“O objectivo é que nasçam cada vez menos bebés em ambulâncias, sobretudo através de gravidezes bem vigiadas. Se há uma área onde nos distinguimos nos últimos 45 anos é na área maternoinfantil e por isso o que temos é de conseguir garantir que esses indicadores se mantenham”, disse a ministra da Saúde Ana Paula Martins, em Abril passado, no final de uma visita ao Hospital de Santa Cruz, integrado na Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental.

Ana Paula Martins referiu, contudo, que sempre nasceram bebés em ambulâncias e vão continuar a nascer em alguns momentos, porque não é possível evitar algumas circunstâncias. “Mas naturalmente que não é de forma alguma o nosso objectivo”, acrescentou.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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