“Medida por Medida” junta teatro e debate político em Almada
Na Sala Principal do TMJB, de 30 de Outubro a 29 de Novembro, Sextas e Sábados às 21h e Quintas e Domingos às 16h
A Companhia de Teatro de Almada (CTA) estreia a 30 de Outubro, “Medida por medida” de William Shakespeare, com encenação de Ignacio García. O espectáculo ficará em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB), até 29 de Novembro.
Considerada por muitos como a obra mais política de Shakespeare, oscila entre o drama e a comédia negra, acompanhando a história de um governante subtituto que aplica de forma implacável leis morais há muito esquecidas, revelando as contradições e a fragilidade da própria condição humana quando confrontado com o desejo
“Ao ser escolhido para substituir o duque de Viena durante a ausência deste da cidade, Ângelo aproveita-se do cargo para extravasar a sua maldade: condena Cláudio à morte, por este não ter cumprido os trâmites legais no casamento com Julieta, que já casou grávida. A irmã de Cláudio, Isabela, tenta interceder, mas Ângelo chantageia-a e exige a sua virgindade em troca da vida do irmão. Ao tomar conhecimento desta chantagem, o duque intervém, orquestrando um plano com Mariana, a antiga noiva de Ângelo, de modo a expor a sua hipocrisia”, pode ler-se na folha de sala.
“Medida por Medida” é uma peça de William Shakespeare escrita em 1603 ou 1604 e publicada em 1623, originalmente definida como uma comédia, embora a sua complexa trama torne difícil classificá-la, avisa o encenador Ignacio Garcia, que identifica os temas, recorrentes em Shakespeare, que aqui encontramos: “A bondade ou a perversão do poder, a usurpação da identidade, a justiça ou a injustiça exercidas pelos governos, o amor e a luxúria que se emaranham e se enredam até se confundirem, a lealdade e a traição como a cara e a coroa da própria condição humana”. A atmosfera em que as personagens se movem é de intriga, mentira, traição e imoralidade. “Medir e ser medido, sempre e incessantemente, julgar e ser julgado sem descanso, viver a infelicidade de uma supervisão constante e permanente, impiedosa, com a esperança como único remédio, porque, como diz o próprio texto: os infelizes não têm outro remédio senão a esperança”.
O encenador Ignacio García é já conhecido do público do TMJB: em 2017 dirigiu “História do cerco de Lisboa”, de José Saramago; em 2019 voltou a trabalhar com a CTA em “Reinar depois de morrer”, de Luis de Guevara; e em 2021 dirigiu “Nem come nem deixa comer”, de Lope de Vega.
Todos os Sábados, às 18h, enquanto a peça estiver em cena, haverá as habituais “Conversas com o Público”, no foyer do TMJB. Estas Conversas contarão com convidados como o cenógrafo Rui Horta, a jornalista da RTP Maria Flor Pedroso, a vereadora da Câmara Municipal de Lisboa Alexandra Leitão, o escritor José Manuel dos Santos, entre outros. As conversas abordarão diversos temas relacionados com o poder, e serão moderadas pelo jornalista de política da RTP – Antena 1, João Alexandre.
No dia 30 de Outubro, às 18h30, será também inaugurada, na Galeria de Exposições, a última exposição deste ano do TMJB: “Paisagens Efémeras”, do fotógrafo Alípio Padilha, que ficará patente ao público até 20 de Dezembro.

Ficha técnica e artística:
Texto: William Shakespeare
Tradução: Fernando Villas-Boas
Versão: José Gabriel Antuñano
Encenação: Ignacio García
Assistente de Encenação: Lourenço Macedo
Interpretação André Pardal, Ana Cris, Duarte Grilo, Duarte Guimarães, João Cabral, João Didelet, José Redondo, Maria João Falcão, Marina Albuquerque e Pedro Walter
Cenografia: José Manuel Castanheira
Figurinos: Sérgio Loureiro
Desenho de Luz: Guilherme Frazão
Vídeo: Pedro Castanheira
Duração: 2h15
Classificação: M/14
O preço dos bilhetes varia entre 6,50€ e 13€, sendo que os membros do Clube de Amigos tem entrada livre, e podem ser adquiridos na bilheteira do TMJB ou online aqui.

