Sobreda | Tinha uma Pedra

Desenhos de Miguel Horta, que partem da exploração da poesia de Carlos Drummond de Andrade

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O Solar dos Zagallos inaugura no dia 13 de abril, às 15 horas, a exposição de desenho “Tinha uma Pedra”, da autoria de Miguel Horta, resultado da Open Call 2024. A exposição de entrada livre, estará patente ao público até 13 de Maio.

A exposição “Tinha uma Pedra” parte de uma exploração em torno da poesia de Carlos Drummond de Andrade e, reúne um conjunto de 39 desenhos recentes, onde a pedra surge como elemento central para um trabalho de pesquisa e proposta de diferentes sentidos interpretativos, numa linguagem contemporânea perceptível a todos os públicos. 

“Talvez uma pedra, como tantas outras, encontrada num caminho. Ir para além do objecto, da geologia, acrescentando outros sentidos revelados, transformados pelo observador. Esta exposição apresenta um conjunto de desenhos de diferentes dimensões, resultado de um trabalho de pesquisa que se vem desenvolvendo em torno desta disciplina expressiva, estruturante para o trabalho do pintor, que nos convida a mergulhar em atmosferas temporais e luminosas, onde as rochas ganham vida, convidando o público à imersão.”, pode ler-se na apresentação da exposição.

“O desenho continua a ser uma metodologia pessoal para entendimento e explicação do Mundo. O desenho é concreto, preciso, mesmo quando é necessário traçar o indizível. A pintura estrutura-se na teia conceptual do desenho, ganha segurança e rumo de pesquisa. No meu trabalho, o desenho e a pintura sempre conviveram complementando-se, cruzando-se, cada um sabendo bem o seu lugar. O desenho e a escrita, embora de natureza distinta, têm propriedades comuns, juntando-se na reflexão e no plano, numa compatibilidade tão antiga como a própria história do homem.”, declarou o autor ao Sul Informação, aquando da inauguração da mesma exposição no Convento de Santo António, em Loulé.

“A pedra foi o objecto eleito para esta pesquisa, o pretexto para que o lápis vá falando sobre o papel. É certo que traz a geologia e o universo consigo, mas projecta muito mais, irmanando o público. Atmosfera é o que sinto, vejam como respiro.”, concluiu.

O desenho de Miguel Horta (1959) “é também ele um mapeamento do seu percurso, espelhando com nitidez o contacto com a técnica da gravura, com a palavra dita e escrita e, com a performance”.

A exposição pode ser visitada de Terça a Sábado das 10h às 13h e das 14h às 18h. O Solar dos Zagallos encerra aos Domingos, Segundas e feriados.

Miguel Horta frequentou o Ar.Co, a Cooperativa Gravura e o ateliê de ilustração de Maria Keil, nas área da pintura, desenho e performance. Conta com um percurso expositivo variado, em Portugal e noutros países.

Esteve representado em diversas colecções de arte contemporânea, nomeadamente na coleção do CAM/Fundação Calouste Gulbenkian, Kiscelli Museum (Budapest), FCT – Monte da Caparica, BMW (Regensburg – Alemanha), Fidelidade Grupo Segurador, Fundação Mário Soares. É autor/ilustrador de literatura infantojuvenil, mediador cultural e para a inclusão e, formador. Tem também realizado actividades de narração oral nos mais variados contextos.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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