Costa da Caparica | “A noite do iguana” inaugura ciclo de cinema dedicado a Tennessee Williams

Em exibição dia 2 de Julho, pelas 20h30, no Auditório Costa da Caparica

Partilhe:

O Cineclube Impala, organizado pela Associação Gandaia, exibe durante o mês de Julho um ciclo de cinema baseado em obras do dramaturgo americano Tennessee Williams.

No grande ecrã do Auditório Costa da Caparica, o filme “A Noite do Iguana” do cineasta John Huston, inicia o ciclo a 2 de Julho. “Em Roma na Primavera”, de Robert Allan Ackerman, é exibido no dia 9; “Um Eléctrico Chamado Desejo”, de Elia Kazan a 16; “Gata em Telhado de Zinco Quente”, de Richard Brooks a 23; e a encerrar o ciclo, a 30 de Julho “Corações na Penumbra”, também de Richard Brooks. As sessões de cinema são sempre às Quintas, pelas 20h30.

Em “A Noite do Iguana”, um padre (Richard Burton), afastado da Igreja por criar “alguns problemas”, vive agora outra vida no México, onde é guia turístico. Durante uma viagem com um grupo de norte-americanas, vai ter outro problema, causado por uma jovem (Sue Lyon) que o assedia e a quem ele não consegue resistir. Ameaçado de perder o único emprego a que se consegue agarrar e que o mantém à tona, leva o grupo para o hotel de uma amiga (Ava Gardner), apaixonada por ele, para que ela consiga “domesticar” e contentar as turistas. Mas os sarilhos não parecem parar. Pelo meio, surge um velho poeta e a sua neta, que trocam poesia e pintura por cama e mesa. Por entre dilemas carnais, espirituais e existencialistas encontra-se um elenco de excepção: Richard Burton, Ava Gardner, Deborah Kerr, Sue Lyon (a Lolita de Stanley Kubrick), e Grayson Hall.

Ficha Técnica:

Título original: “The Night of the Iguana”
Realização: John Huston
Argumento: Tennessee Williams, Anthony Veiller, John Huston
Produção: Ray Stark
Elenco: Richard Burton, Ava Gardner, Deborah Kerr, Sue Lyon, Skip Ward, Grayson Hall, Cyril Delevanti, Mary Boylan
Fotografia: Gabriel Figueroa
Música: Benjamin Frankel
Edição: Ralph Kemplen
Género: Drama
Origem: EUA
Ano: 1964
Duração: 125 min.
Classificação: M/12

Bilhetes a 1€ para sócios, e a 2€ para o público em geral.

©DR / Ava Gardner e Richard Burton numa cena intimista.

Quem foi Tennessee Williams?

Tennessee Williams, pseudónimo de Thomas Lanier Williams III (1911 – 1983), foi um escritor e dramaturgo americano, vencedor do Prémio Pulitzer de Teatro em 1948 pela sua peça “Um Eléctrico Chamdo Desejo”, e por “Gata em Telhado de Zinco” em 1955. As suas peças “Jardim Zoológico de Cristal” (1944) e “A Noite do Iguana” (1961) receberam o Prémio New York Drama Critics Circle. A sua peça “A Rosa Tatuada”, de 1952, recebeu o Tony Award de melhor peça. Em 1980, foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade, pelo presidente Jimmy Carter.

“Descobri na escrita uma fuga de um mundo real, no qual me sentia profundamente desconfortável”, declarou Williams numa entrevista em 1970, aludindo aos problemas familiares e à difeteria que o afastou da escola durante um ano, isolando-o.

Nos primeiros anos, depois de se licenciar na Universidade de Iowa, foi jornalista. Aos 26 anos de idade, escolheu o pseudónimo “Tennessee”, em homenagem aos anos felizes que passou em Nashville. Foi convidado por uma agente de Holywood que, impressionada com seus textos, o chamou para escrever argumentos de cinema. O único guião que conseguiu concluir, foi recusado, e ele perdeu o contrato. Em 1944, escreve a primeira peça realmente estruturada em termos teatrais, “Jardim Zoológico de Cristal”, levada à cena, que obteve um estrondoso êxito por parte de público e da crítica. Iniciava-se assim a sua carreira de sucesso e a sua entrada no mainstream.

Um Eléctrico Chamado Desejo” e “Gata em Telhado de Zinco Quente”, foram peças filmadas, com grande sucesso, por Elia Kazan, com quem Williams tinha boas relações, e por Richard Brooks. Ambas fazem referência a elementos biográficos de Tennessee Williams, como a homossexualidade, instabilidade mental e alcoolismo. Muitas das suas peças, também reflectem nas personagens femininas principais, traços da sua irmã Rose, sujeita a uma lobotomia devido a problemas mentais, e que viria a falecer num manicómio.

O relacionamento de Williams com Frank Merlo durou de 1947 até a morte de Merlo, com cancro, em 1963. A estabilidade amorosa permitiu que Williams criasse os seus melhores trabalhos, pois Merlo foi o equilíbrio durante as frequentes crises de depressão de Williams. Há quem diga que Williams foi quem “homosexualizou” a Broadway.

Williams morreu no seu quarto no Hotel Elysee, em Nova York, engasgado com uma tampa de plástico de um spray nasal.  O relatório policial sugeriu que o uso de barbitúricos e álcool, encontrados no quarto, contribuiu para sua morte, pois podem ter contribuído para a diminuição dos seus reflexos.

©DR / Williams em Key West.
Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

, , , , , ,