Suspensão das IVG no HGO preocupa comissões de utentes

Representantes dos utentes de Almada e Seixal temem que a suspensão da realização de interrupções voluntárias da gravidez no Hospital Garcia de Orta, anunciada como temporária, venha a tornar-se definitiva

Partilhe:

As Comissões de Utentes da Saúde de Almada e Seixal reuniram com o Conselho de Administração (CA) da Unidade Local de Saúde Almada e Seixal (ULSAS), a propósito da decisão de entregar a uma clínica privada a realização das intervenções clínicas de interrupção voluntária da gravidez (IVG) não desejada. A realização destes procedimentos foi suspensa em meados de Agosto devido à falta de recursos humanos, segundo o CA. Desde então, as mulheres acompanhadas pela ULSAS são encaminhadas para uma clínica privada em Lisboa.

De acordo com as comissões, o CA manifestou a expectativa de que a medida seja provisória, mas não indicou uma data para a retoma das IVG no Hospital Garcia de Orta (HGO).

“Todos os custos serão suportados pelo Hospital Garcia de Orta. Tanto quanto nos foi dado saber, o percurso previsto, a realizar pelas mulheres até à realização da IVG, poderá ser objecto de alterações”, referem as estruturas representativas dos utentes em comunicado.

Apesar das garantias transmitidas pela administração, as comissões alertam que uma solução apresentada como temporária poderá, à semelhança do que afirmam ter acontecido noutros serviços, acabar por se tornar permanente. Criticam igualmente a utilização de verbas públicas para financiar a prestação do serviço por uma entidade privada, defendendo que esses recursos deveriam ser aplicados no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“É que os dinheiros públicos existem para financiar os negócios dos grupos económicos, nacionais e estrangeiros, mas não para o investimento no SNS, nomeadamente na resolução dos problemas laborais dos profissionais da saúde”, afirmam.

As comissões acusam ainda o Governo de seguir “o caminho e a opção de fragilização, de esvaziamento e de destruição do SNS”, rejeitando o que classificam como a “privatização da IVG”, garantindo que continuarão a exigir a reintegração deste serviço no HGO e, consequentemente, na resposta assegurada directamente pelo SNS.

Na reunião com o CA da ULSAS foram também abordadas outras questões relacionadas com “o acesso da população aos cuidados de saúde”, sem que o comunicado especifique os temas discutidos.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

, , , , , , , ,