Almada | A Vida entre Nós

Um filme de Stéphane Brizé em exibição no Auditório Fernando Lopes-Graça, dia 19 de Fevereiro às 21h

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Mathieu vive em Paris. Alice habita numa pequena vila litoral no Oeste de França. Ele está perto dos cinquenta, é um actor conhecido. Ela passou dos quarenta, é professora de piano. Tiveram uma relação estável há cerca de quinze anos e depois separaram-se. Entretanto, o tempo passou, cada um seguiu o seu caminho e as feridas cicatrizaram gradualmente. O destino volta a juntá-los quando Mathieu, a atravessar uma crise emocional, decide passar algum tempo diluindo a melancolia nos banhos de hidromassagem das termas, na cidade onde ela mora. Esse reencontro inesperado e por mero acaso vai fazê-los reflectir sobre tudo o que viveram, as feridas que causaram um ao outro, as saudades do que foram e as circunstâncias que os levaram àquele exacto momento. Muitos sentimentos reprimidos são despertados nesse reencontro, que terá o seu quê de redentor.

Um nostálgico e melancólico melodrama romântico, com alguns momentos de humor, sobre encontros e desencontros. Um confronto entre o passado e o presente sem futuro, e sobre sentimentos reprimidos sem ódios. A exposição da não cicatrização das feridas decorrentes de um corte relacional abrupto, e sem justificação para uma das partes envolvidas, apesar do tempo decorrido e de ambos terem reconstruído as suas vidas e constituído novos núcleos familiares. Um filme despojado e melancólico.

O realizador francês Stéphane Brizé, que na trilogia “A Lei do Mercado” (2015), “Em Guerra” (2018) e “Um Outro Mundo” (2021) habituou o público a uma abordagem política extremamente crítica sobre as consequências socioeconómicas do capitalismo neoliberal no universo laboral, surpreende ao mudar a sua temática habitual e enveredar pela exploração de questões eminentemente existenciais de foro amoroso no seu mais recente filme.

“Nos meus quatro filmes anteriores, onde falta mencionar o “A Vida de Uma Mulher”, as personagens acreditavam todas em algo grande no espírito humano e desiludiram-se. Uns acreditavam na família, outros nos sindicatos, outros nas empresas. Todas essas personagens vivem uma enorme desilusão. Havia algo de belo em que acreditavam e que se desvaneceu. Falhou. No caso do “A Vida entre Nós” , temos pessoas que abdicaram de algo e que vão agora reparar isso. Este filme é fortemente reparador e ambos mostram uma grande coragem em confrontar o passado e o presente”, declarou o realizador na noite de estreia.

“Envolvidos nessa melancolia, as duas personagens encontram uma resolução que os melhora. E não é um que faz bem ao outro, mas cada um deles a si mesmo”, explicou Brizé.

A música do filme, composta por Philipe Delerm, foi cuidadosamente escolhida para complementar a narrativa, criando uma atmosfera melancólica, sem cair no sentimentalismo. A fotografia delicada acompanha esta abordagem intimista, numa narrativa em que o foco é direccionado para os dois actores.

O filme foi seleccionado para concorrer ao Leão de Ouro no 80º Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde estreou a 8 de Setembro de 2023. Em Portugal, o filme foi apresentado em estreia nacional na última edição da Festa do Cinema Francês, onde recebeu o Prémio do Público do festival. 

©DR / Um melodrama romântico sobre encontros e desencontros.

Ficha Técnica:

Título original: Hors-Saison
Realização: Stéphane Brizé
Argumento: Stéphane Brizé, Marie Drucker
Produção: Sidonie Dumas, Marc Vadé
Elenco: Guillaume Canet, Alba Rohrwacher, Sharif Andoura, Emmy Boissard Paumelle, Marie Drucker, Lucette Beudin, Gilberte Bellus, Hugo Dillon
Fotografia: Antoine Héberlé
Música: Vincent Delerm
Edição: Anne Klotz
Género: Drama
Origem: França
Ano: 2023
Duração: 116 min.
Classificação: M/12

Preço: 3,00€ (desconto de 50% jovens e séniores).

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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