Cirurgia robótica chega à ginecologia do Hospital Garcia de Orta

Mais económica para o hospital, a tecnologia também beneficia os doentes

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O Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal (ULSAS) iniciou recentemente a realização de cirurgias assistidas por robótica, marcando um avanço significativo na área. 

Até ao momento, foram efectuadas duas histerectomias com anexectomia, procedimentos que consistem na remoção do útero, trompas e ovários, uma delas por indicação oncológica e outra por patologia benigna do endométrio. Estão previstas mais quatro intervenções até ao final do mês de Julho.

O Hospital Garcia de Orta (HGO) “é o principal hospital da margem sul e serve meio milhão de pessoas, mas nunca pensámos que iríamos competir com hospitais universitários, como Santa Maria ou Coimbra, e, no entanto, recebemos o robô antes de alguns deles.”, declarou Miguel Carvalho, director do Serviço de Urologia do Hospital Garcia de Orta (HGO), actualmente também coordenador da Comissão de Cirurgia Robótica desta unidade hospitalar. Tinha insistido tanto no assunto que, “quando me comunicaram a notícia, pensei que era uma brincadeira!”, recorda. Miguel Carvalho não tem dúvidas das vantagens claras da cirurgia robótica, que considera “uma tecnologia que beneficia grandemente os doentes”.

A cirurgia robótica proporciona uma maior precisão durante o acto cirúrgico, graças à capacidade visual aprimorada do sistema robótico e ao acesso facilitado aos espaços anatómicos, o que contribui para movimentos mais exactos. Esta tecnologia oferece ainda vantagens importantes para as utentes, como uma recuperação mais rápida, menor dor no pós-operatório, redução do risco de complicações, diminuição do tempo de internamento e consequente menor exposição a infecções hospitalares.

A equipa multidisciplinar da ULSAS, composta por especialistas em ginecologia, anestesiologia e enfermagem, foi acompanhada por um especialista da Fundação Champalimaud, garantindo elevados padrões de qualidade e segurança nos procedimentos. O treinamento prévio das enfermeiras instrumentistas foi também determinante para o sucesso destas cirurgias.

O arranque da cirurgia robótica em ginecologia vem complementar o percurso cirúrgico já desenvolvido na ULSAS, que anteriormente integrava as especialidades de Urologia, Cirurgia Geral e Otorrinolaringologia. Este avanço tecnológico representa uma inovação importante tanto para as utentes como para os profissionais de saúde, contribuindo para o aperfeiçoamento contínuo da prestação de cuidados.

O sistema robótico da Vinci Xi, instalado em Outubro de 2024, resultou de um investimento de 1,9 milhões de euros, financiado pela União Europeia (UE) através do programa NextGenerationEU. Após um período de formação, a cirurgia robótica iniciou-se oficialmente no final de Fevereiro de 2025, estendendo-se progressivamente a várias especialidades, com a inclusão recente da Ginecologia.

“Está mais do que provado que a cirurgia robótica, considerando o panorama global, é mais económica do que a laparoscopia. Se o doente não precisar de cuidados intensivos e tiver alta mais cedo, o custo para a instituição é muito menor. Para a sociedade também, pois, o doente regressa mais rapidamente à vida activa”, e “o robô tem também um efeito de retenção de talento no SNS, ao tornar os hospitais mais atractivos para profissionais jovens e motivados”, conclui Miguel Carvalho.

Actualmente, a Urologia está a realizar cirurgias da próstata e do rim, com planos para avançar para a bexiga. A Ginecologia utiliza a robótica para tratar patologia oncológica ginecológica, enquanto a Cirurgia Geral estruturou grupos dedicados a colorretal, parede abdominal, esófago-gástrico e hepato-bilio-pancreático. 

Este desenvolvimento posiciona a ULSAS na vanguarda da cirurgia assistida por robótica, oferecendo cuidados de saúde de última geração à população da região.

Em Portugal, o primeiro sistema cirúrgico robótico foi introduzido no Hospital da Luz Lisboa, em 2010. Seguiram-se outras instituições privadas – Fundação Champalimaud, CUF Infante Santo e Hospital da Luz Arrábida. Em 2019, finalmente, o primeiro robô chegou ao SNS, concretamente ao Hospital Curry Cabral, fruto de uma doação da entidade Imamat Ismaili. Até ao final de 2025, Portugal deverá contar com 13 robôs, entre instituições públicas e privadas. Em Espanha já existem 150.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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