Feijó | Inauguração da requalificação do Monumento ao Movimento Associativo Popular
A intervenção de conservação e restauro permitiu recuperar a cor, textura e grafismo inicial do conjunto escultórico
No dia 1 de Outubro, pelas 10h terá lugar a Inauguração da requalificação do Monumento ao Movimento Associativo Popular, localizado nos jardins do Complexo Municipal dos Desportos Cidade de Almada, após intervenção de conservação e restauro das obras de arte que integram o conjunto escultórico, da autoria de Virgínia Fróis.
A inauguração vai contar com a presença da presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros e da escultora Virgínia Fróis, autora do monumento.
O maior monumento de arte pública realizado em cerâmica existente em Portugal foi inaugurado em 1994. Composto por sete elementos escultóricos, com projecções de água, inseridos em dois lagos, com ele Virgínia Frois pretendeu evocar e celebrar o movimento associativo através da complementaridade conseguida entre quatro Colunas Brancas com face azul turquesa, um Cálice Coluna, um Marco/Obelisco e uma Coluna Torta, ligados por água em movimento.
A água é o elemento identitário desta obra, como atesta a frase “A água elemento activo veículo de ideias geradoras de projectos” inscrita nos seus muros e, os elementos cerâmicos os condutores deste movimento: “As formas orientam a água estabelecem marcos lugares de origem”, pode ler-se mais à frente
Os diversos elementos escultóricos, executadas por secções, foram cozidos a cerca de 1200 graus, em forno especialmente desenvolvido para o efeito e posteriormente montados no local.
Intervenção de conservação e restauro, 2022/2023
Os elementos constituintes do Monumento ao Movimento Associativo Popular são executados em cerâmica refractária revestida com engobes coloridos ou vidrado azul turquesa. A obra encontrava-se maioritariamente coberta por incrustações calcárias tendo sido ainda identificadas diversas lacunas, escorrências, graffitis, colonização biológica e incrustações esbranquiçadas sobre as superfícies.
As incrustações eram, sem dúvida, a forma de degradação mais grave, cobrindo a quase totalidade da superfície dos elementos e impossibilitando a verdadeira percepção da riqueza cromática, textural e gráfica do conjunto concebido por Virgínia Frois. Por outro lado, o não funcionamento do sistema de circulação de água entre os elementos, impedia a compreensão e usufruto do monumento que, arruinado, constituía uma perda grave para a comunidade Almadense e para a sua história.
A intervenção de conservação consistiu na limpeza integral dos elementos escultóricos para remoção destas incrustações, tendo partido de uma proposta de metodologia de conservação, desenvolvida em projecto de investigação para dissertação de mestrado da conservadora/restauradora Soraia Teixeira, executada pela empresa Nova Conservação, Lda.
Os lagos em que as peças se integram, foram revestidos com pastilha azul, conforme programa inicial da obra, apesar de nunca executado, tendo sido igualmente reposto todo o sistema de engenharia hidráulica que permitiu a reactivação dos jogos de água, essenciais à compreensão do conjunto monumental.
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