Porto Brandão evacuado por motivos de segurança
Foram retirados 48 moradores, seis veículos e seis animais de estimação
Todos os moradores e veículos de Porto Brandão foram hoje, 11 de Fevereiro, evacuados por prevenção, devido ao risco de deslizamento de terras nas arribas da localidade ribeirinha. A Câmara Municipal de Almada (CMA) e o Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) de Almada interditaram esta manhã a localidade, devido ao risco de novo aluimento de terras, na sequência de um deslizamento de terras ocorrido na noite anterior.
Devido à instabilidade do terreno, que impede a circulação segura de veículos pesados por estrada, foi solicitado transporte fluvial à Transtejo – Soflusa (TTSL), para parte da população e os seus bens do cais de Porto Brandão para o da Trafaria. O Seminário de S. Paulo, em Almada Velha, acolheu os agregados sem alternativa de habitação de retaguarda.
A TTSL fez assim parte de uma intervenção integrada, entre a CMA, o SMCP, a Guarda Nacional Republicana (GNR) e e a União das Freguesias da Caparica e Trafaria (JUFCT), com o seu ferry , que evacuou 48 moradores, seis viaturas e cinco animais de estimação. “Fizemos esse transbordo às três e meia da tarde, e continuamos disponíveis para o que for necessário fazer”, disse à Lusa Rui Ribeiro Rei, presidente da administração da Transtejo – Soflusa.
“Neste momento, o que está em curso é, de facto, um processo de evacuação de Porto Brandão, porque aí é que se teme uma derrocada maior que pode cortar os acessos” à localidade, explicou Inês de Medeiros à Lusa, no decorrer da operação de evacuação. “Já muitas pessoas têm saído nos últimos 10 dias, porque temos vindo a monitorizar a situação. A chuva não para e aquilo tem vindo a agravar-se”, disse Inês de Medeiros, presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), referindo-se à arriba.
Na noite de Terça-Feira, a situação já tinha levado à retirada de pelo menos nove pessoas de cinco habitações em risco, por precaução, depois de uma derrocada ter destruido parcialmente uma habitação e soterrado um veículo.
Na tarde de hoje, foram retiradas “todas as pessoas e empresas que se encontravam em Porto Brandão”, segundo Inês de Medeiros em declarações à Lusa, acrecentando que “foram também encontradas soluções de acolhimento para 25 cães, quatro gatos e 16 pássaros”. A autarca disse também que “em principio não está ninguém em Porto Brandão”.
“Não há medidas que se possam implementar no território com a permeabilidade e a pressão que este território apresenta neste momento. Às vezes agir, e agir em segurança, é deixar a natureza fazer o seu trabalho, mas naturalmente prevenir e retirar as pessoas dos territórios”, declarou Francisca Parreira, vereadora responsável pelo pelouro da Proteção Civil da CMA, aos jornalistas. “O que estamos aqui a fazer é prevenir, prevenir, prevenir”, acrescentou.
A estrada de acesso a Porto Brandão encontra-se interditada, e a Estação Fluvial da Transtejo da localidade está encerrada por tempo indeterminado, pelo que “o serviço de transporte de passageiros encontra-se limitado a Trafaria – Belém, sendo realizado de acordo com os horários em vigor”, pode ler-se no site da transportadora fluvial.
Os serviços sociais da CMA fizeram também um levantamento casa a casa, e contactaram as pessoas que já tinham saído para trabalhar, para irem buscar os seus pertences, encontrando-se no terreno em vigilância permanente.
“Está tudo a correr bem, de uma forma pacífica. As pessoas estão a vir buscar as coisas e a tentar arranjar soluções familiares. As que não tiverem, o município assegurará”, disse Inês de Medeiros. A autarca acrescentou que existiam alguns locais críticos já assinalados em Porto Brandão, mas o que agora está a sofrer deslizamentos provocados pelos dias consecutivos de chuvas não o estava.
Na análise e monitorização da situação, adiantou, que a CMA tem contado com a ajuda da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT), localizada no Monte da Caparica.
“Estamos com desabamentos e deslizamentos de terra um pouco por todo o lado ao longo de toda esta arriba, e sobretudo a Costa da Caparica, que está entre o mar e a arriba, tem arribas que exigem preocupação”, disse, alargando a preocupação à zona ribeirinha do concelho, que percorre o rio até Cacilhas.
A evacuação surge depois de sucessivos episódios meteorológicos e fortes e contínuas chuvas, que alagaram as terras das arribas e as colocaram em risco de ruir e de deslizes de massas de terra, com ocorrências que têm motivado operações de protecção e socorro, e a activação de respostas de emergência no concelho.
Segundo dados fornecidos pela vereadora Francisca Parreira, na sessão da Assembleia Municipal de Almada (AMA) realizada na noite de 10 de Fevereiro, existiam 100 pessoas deslocadas no concelho de Almada, das quais 70 acolhidas pela CMA: “quatro do segundo Torrão, 42 da Azinhaga dos Formozinhos, duas de Santo António da Caparica, três da Fonte Santa, uma de Olho de Boi, cinco de Abas da Raposa, quatro do Raposo e nove de São João da Caparica”.
A estes números acrescem as pessoas retiradas hoje em Porto Brandão, de toda a encosta à direita de quem desce na única estrada de acesso á localidade, e da Costa da Caparica, onde hoje uma pedra de grandes dimensões atingiu um prédio, que não tenham alternativas de habitação.
Os almadenses retirados de suas casas encontram-se acolhidos no Caparica Sun Center e no Inatel, na Costa da Caparica, e agora também no Seminário de S. Paulo.
O concelho de Almada encontra-se em alerta até dia 13 de Fevereiro, e tem o Plano de Emergência da Proteção Civil accionado.
Actualização 12-02-2026: Foi rectificado o número de animais domésticos retirados por via fluvial de seis para cinco, segundo nota de imprensa da TTSL. Foram acrescentadas todas as autoridades que participaram na intervenção integrada de evacuação. Foram actualizados os número total dos moradores e empresas evacuadas. Foi actualizado o número total de animais de companhia evacuados.
Durante a noite de Terça-Feira, Inês de Medeiros declarou à Lusa que, o município acolheu 160 pessoas retiradas da localidade, e está a ponderar fazer um pedido ao Governo para declarar situação de contingência ou de calamidade no concelho, por considerar que vai ser necessário apoio para as situações ocorridas no município, na sequência do mau tempo. “Não temos ainda a dimensão dos estragos, a prioridade tem sido as vidas humanas. Temos derrocadas, estradas intransitáveis e já para não falar nas praias da Costa da Caparica até à Fonte da Telha”, disse a autarca. Inês de Medeiros assegurou que os meios estão todos mobilizados no terreno e agradeceu os contactos recebidos hoje do Presidente da República e da secretária de Estado da Habitação.


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