Teatro Extremo participa no FestLuso no Brasil

Portugal é o país homenageado este ano no Festival de Teatro Lusófono, que decorre em Teresina. A companhia almadense marca presença nessa homenagem

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O Festival de Teatro Lusófono (FestLuso), decorre na cidade brasileira de Teresina, em Brasília, de 21 a 27 de Agosto, com a apresentação de espectáculos para todas as idades, em língua portuguesa. Este ano Portugal é o país homenageado pelo Festival. O Teatro Extremo marca presença nessa homenagem e leva hoje à cena a peça “Transgressões”, de Roald Hoffmann.

Naquela que é a sua 13.ª edição, o FestLuso, que se consagra como expressão de debate cénico sobre a língua portuguesa, fará homenagens ao teatro português e a produções lusitanas sobre género, racismo e imigração.

Ontem, dia 23, sobiu ao palco do Theatro 4 de Setembro “À mesa (Last Supper)”, de Nelson Monforte Studio Theatre, um espectáculo criado a partir dos cadernos de Leonardo Da Vinci, que abordou o impacto do povo hebreu na história da humanidade. A peça foi um convite à reflexão sobre os conceitos de humanidade e da liberdade e, fala sobre imigração e esclavagismo. No mesmo dia, mas no espaço Sesc Cajuína, apresentou-se “Viagem Infinita – A partir de ‘Os Lusíadas’ de Camões – Versão de Itinerância”, pela Musgo Produção Cultural. Tratou-se de uma performance/concerto que, “redescobrindo as chamadas descobertas e a própria figura de Camões”, “pretende reconciliar” os espectadores com a obra do poeta português.

Hoje, 24 de Agosto, no Theatro 4 de Setembro, é a vez do Teatro Extremo, a companhia de teatro almadense, levar à cena a peça “Transgressões”, de Roald Hoffmann. Nela, conta-se a história de Friedrich Wertheim, um químico de origem alemã, que se suicida, culpando-se por ter colocado nas mãos de terroristas nazis uma forma fácil de produzir uma neurotoxina. As circunstâncias e os motivos da sua morte perturbam profundamente a vida de três pessoas ligadas a Wertheim, a sua filha Katie, Stefan o amante de Katie (um artista conceptual) e a segunda esposa separada de Wertheim, Julia. Incapazes de resistir ao poder transformador da morte, mas também à sua própria arrogância, separados e juntos pelas suas memórias, vontades e carências, os três “sobreviventes” tentam dar um sentido às suas vidas, abaladas por este abrupto evento. O texto tem tradução de Luzia Paramés, encenação de Sylvio Zilber e interpretação de Cláudia Negrão, Fernando Jorge Lopes e Sara Castanheira. A Cenografia é de Hugo Migata e Pedro Silva e a sua construção de Celestino Verdades, Daniel Verdades e Maria João Montenegro. Os figurinos são de Miguel Falcato e a costureira foi Rosário Balbi. O Desenho de Luz está a cargo de Daniel Verdades, a edição de Som de Sandro Esperança e a Direcção Técnica de Celestino Verdades.

No dia 25 de Agosto no mesmo local, sobe ao palco “Damas da Noite, uma farsa de Elmano Sancho”, pelo Loup Solitaire, de Lisboa. Elmano Sancho evoca a conflituosa reviravolta de expectativas em torno do seu nascimento. Os pais esperavam uma menina, de nome já destinado, Cléopâtre, mas nasceu um menino.

No dia 26, o Sesc Cajuína apresenta “Saaraci, o Último Gafanhoto do Deserto”, pela companhia Saaraci Colectivo Teatral, uma coprodução de Portugal, Cabo Verde e Brasil. Nesta história, o Gafanhoto Saaraci empreende uma viagem até à ilha do Gigante Adormecido, que o leva a grandes aventuras e descobertas, revelou o FestLuso, assinalando que esta “produção alegre e criativa, para todas as idades, coloca em cena o incrível telúrico mundo da artista plástica luso-cabo-verdiana Luisa Queirós”.

O FestLuso terá ainda apresentações de Moçambique, com o espectáculo “O Roubo e os Génios”, da Companhia de Teatro Hopangalatana.

Está também previsto um “circuito escolas”, que até Sábado, levará a nove escolas da região um espectáculo de bonecos, intitulado “A Cruz de Rufino”, do grupo Saaraci Coletivo Teatral, do Porto.

Do Brasil, contam-se produções como a premiada peça paulista “Macacos” interpretada por Clayton Nascimento, da Companhia do Sal, “Levando a vida no cabelo”, por Maria da Penha, “Café com queijo”, do Lume Teatro, “Sabbath da Brixa”, de Samuel Alvis /Dqtf, e “O Portal Encantado – Teatro para Bebês”, pela Companhia Dragão.

Os organizadores do FestLuso destacam que, para toda a programação, a entrada é gratuita, sendo necessário apenas levar um quilo de alimentos não perecíveis, a serem doados ao Programa Mesa Brasil Sesc, uma rede de bancos alimentares, que existe desde 1994, com o objectivo de combater a fome e o desperdício alimentar no Brasil, através de doações de parceiros.

O 13º FestLuso Teresina 2023 tem organização do Grupo Harém de Teatro. O evento tem o patrocínio do Governo do Piauí, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), e da Equatorial Piauí, através do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (Siec).

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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