Transtejo Soflusa quer aumentar preço do bilhete ocasional entre Cais do Sodré e Cacilhas

Transportadora Fluvial quer reduzir a dependência do Orçamento do Estado, e colocar o turismo a financiar o serviço público

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A Transtejo Soflusa (TTSL) defendeu na Quarta-Feira, 23 de Setembro, durante a reunião da Comissão de Mobilidade e Transportes da Assembleia Municipal de Lisboa, o aumento do preço dos bilhetes ocasionais na ligação entre o Cais do Sodré e Cacilhas, para que o turismo financie o serviço público.

“Mais de 90% dos bilhetes ocasionais que eu vendo na travessia entre o Cais do Sodré e Cacilhas são serviço turístico e, portanto, não faz sentido que o bilhete continue a ser dois euros para um serviço turístico. O Orçamento do Estado não tem de financiar o turismo, o turismo tem de pagar o preço e tem de financiar o serviço público”, disseo presidente do Conselho de Administração da TTSL, Rui Rei, nessa ocasião.

O responsável do Conselho de Administração que tomou posse em Outubro de 2025, adiantou que a empresa vai pedir autorização para que o preço do bilhete naquela ligação suba acima do preço da inflacção, mantendo o mesmo preço no caso dos passes.

“Nós temos de actualizar as receitas, porque nós dependemos em 68% do Orçamento do Estado e temos de chegar aos 50%”, vincou Rui Rei, revelando também a vontade de que a empresa volte a prestar serviço turístico.

A ideia não é competir com os privados nesta área, mas prestar também “bom serviço turístico”, num futuro próximo, “e gerar daí receitas interessantes e importantes”, estando para isso a terminar o estudo de oferta turística, explicou.

A TTSL repôs em Novembro a oferta de serviço público, tendo reduzido em mais de 90% as supressões que tinha diariamente. Para isso contribuiu a entrada em operação de 10 barcos eléctricos, que se somam a 20 embarcações a diesel, adiantou.

A empresa pretende ainda apresentar ao Governo, até ao final do primeiro trimestre do próximo ano, o plano de renovação da frota, defendendo a utilização de embarcações mais pequenas, até 300 lugares, e mais flexíveis. 

“De preferência eléctricos, a operação eléctrica é, de facto, muito mais barata e eficiente”, rematou.

A Transtejo Soflusa SA é a responsável pela ligação fluvial entre o Seixal, Montijo, Cacilhas, Barreiro e Trafaria/Porto Brandão, e Lisboa, e transportou 21 milhões de passageiros em 2025. A empresa espera terminar este ano com um ligeiro crescimento deste indicador, face ao ano anterior, o que, a confirmar-se, representará uma inversão da tendência de diminuição dos últimos anos.

“Não tem nada de milagre, o que é preciso é dar confiança e consistência aos utilizadores de transporte público, se perdemos a confiança num transporte, nós encontramos outra solução, seja o automóvel ou outro”, salientou Rui Rei.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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