Leonardo causa danos em Almada

Derrocadas, quedas de muros, galgamentos de mar e de rio, inundações, quedas de árvores e estradas interrompidas, um pouco por todo o concelho

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As chuvas intensas das várias depressões e tempestades que vêm assolando o país e o concelho de Almada causaram várias derrocadas, danos e zonas em risco. A depressão Leonardo causou estragos, que começaram na noite de dia 3 de Fevereiro. O território encontra-se em alerta laranja até Sábado, 7 de Fevereiro, prevendo-se chuva persistente e por vezes forte, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A presidente da Câmara de Almada (CMA), Inês de Medeiros, declarou à Rádio Observador que “A grande preocupação é a chuva contínua, porque temos as terras absolutamente alagadas. A zona das arribas é uma preocupação permanente. A zona Ribeirinha que vai da Trafaria, Porto Brandão, 2º Torrão e Cova do Vapor, onde já houve duas famílias que tiveram de ser retiradas. Somos um território muito exposto e houve um atraso na reposição das areias na Costa da Caparica, o que significa que as praias practicamente desapareceram, e o mar está a chegar ao paredão. Essa é outra das grandes preocupações, assim como a Fonte da Telha. A nossa grande preocupação são estes movimentos de massa e a possibilidade de deslizamento.” A autarca acrescentou ainda que a autarquia se encontra a “fazer o máximo de trabalhos preventivos, pois não sabemos qual vai ser a intensidade do que aí vem e as consequências num território muito cheio de água. Continuamos com árvores a cair, e são árvores com boa saúde, não são árvores doentes. As raízes não conseguem agarrar-se ao solo que está cheio de água e qualquer rabanada de vento”.

Na noite de Terça-feira um muro desabou no Seminário de São Paulo, no Pragal, e danificou algumas viaturas que se encontravam estacionadas no local, não havendo vítimas a registar. A CMA e os operacionais da proteção civil estiveram no local e levaram a cabo os trabalhos de remoção dos escombros. Ficaram danificados dois veículos e uma mota e a Rua Fernão Lourenço, uma das mais movimentadas da zona, teve a circulação automóvel cortada durante os trabalhos. O bispo de Setúbal, cardeal D. Américo Aguiar, esteve no local e lamentou os danos ocorridos para terceiros. Acrescentou que “o Seminário já accionou o seguro para fazer face às consequências do incidente”.

No bairro de Olho de Boi, em Cacilhas, houve também a derrocada de uma arriba no dia 3, cortando o acesso automóvel e pedonal entre Almada velha e a zona, devido à perigosidade do terreno. A alternativa são as escadas junto ao elevador panorâmico da Boca do Vento, que se encontra encerrado para manutenção até ao final do mês de Fevereiro.

©DR / O acesso a Olho de Boi está interditado.

Na Costa da Caparica, desabou parte da Arriba Fóssil em Santo António da Caparica, durante a manhã de dia 4 de Fevereiro, colocando em risco vários prédios que se encontram na primeira linha de construção por baixo da arriba. A GNR admitiu que poderá ter de evacuar a zona residencial e os moradores estão a preparar-se para sair das suas casas. Esta é uma situação conhecida da autarquia, que também abrange construções ilegais.

O infantário Arcelina Victor dos Santos, localizado na mesma zona, com 33 crianças, também foi evacuado a conselho da proteção civil de Almada. O infantário estará fechado na Quinta-Feira por precaução, e os pais foram notificados hoje para irem buscar as crianças mais cedo.

Ainda na Costa da Caparica, o seu Parque Urbano encontra-se interditado por motivos de segurança, pois devido à forte precipitação, os solos encontram-se saturados e intransitáveis, assim como as áreas de relvado e estadias. A autarquia adianta que após a reabertura devem ser tomadas medidas de prevenção por parte dos munícipes, tais como circular em caminhos formais, não desenvolver actividades nas áreas de relvado e respeitar as zonas sinalizadas. A Câmara Municipal de Almada aconselha ainda os munícipes a evitar circular nos parques urbanos e sob áreas com pinheiros.

A circulação no paredão da Costa está interditada, e a autarquia alerta que existe particular preocupação com esta zona porque continua a haver circulação de pessoas que pretendem ver a força do mar.

As zonas da Cova do Vapor e São João da Caparica já tinham sido afectadas no dia 3, em toda a sua linha costeira, pela grande praia-mar que ocorreu. O projecto Reduna foi afectado pela forte ondulação, que poderá ir até aos 13 metros, e se faz sentir em toda a zona costeira e ribeirinha do concelho.

©Manuel Ribeiro / O paredão e o acesso aos pontões da Costa da Caparica estão interditados à circulação.

Na Fonte da Telha, o mau tempo destruiu a esplanada do bar Kailua e fez ruir a parte superior da estrutura do espaço. Os destroços foram retirados das áreas públicas.

O Bairro do 2º Torrão encontra-se desde sempre em situação de perigo de galgamentos do mar e hoje, 4 de Fevereiro, duas famílias foram já realojadas. Estão a ser avaliadas outras situações idênticas existentes neste bairro. A Administração do Porto de Lisboa, os Bombeiros da Trafaria estão no local, bem como elementos da Proteção Civil Municipal. 

Na Charneca da Caparica, durante a manãh de dia 4, a queda de um muro de uma vivenda que se encontrava em obras, levou à evacuação de 18 utentes, alguns acamados, da Pousada Sénior Santa Rita Cássia, como medida preventiva. Não houve vítimas a registar, mas foram provocados danos num dos quartos do edifício, estando agora o assunto a cargo da Segurança Social. As duas ocupantes do quarto tinham sido retiradas do mesmo segundos antes da derrocada acontecer. A Proteção Civil de Almada esteve no local e terá indicado risco de desabamento, aconselhando a retirada dos utentes e profissionais.

Durante a manhã de Quarta-Feira, uma inundação na Avenida Bento Gonçalves, provocou um corte parcial no sentido Almada–Centro Sul, condicionando uma das principais artérias rodoviárias de acesso a Lisboa. O trânsito sofreu fortes limitações, aumentando ainda mais a concentração de veículos na hora de ponta matinal.

Registou-se também uma derrocada de areias numa via de acesso ao IC-20 junto ao Hospital Garcia de Orta, o que levou ao corte temporário da circulação durante cerca de três horas, entre as 8h e as 11h desta Quarta-Feira, situação que já se encontra resolvida.

A proteção civil de Almada apela à população que evite saídas desnecessárias, se afaste de zonas marítimas, ribeirinhas, de falésias e arribas, não estacione o veículo nem permaneça em zonas com árvores, e siga sempre as instruções das autoridades.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil elevou o estado de prontidão do seu dispositivo para o nível mais elevado face à situação meteorológica “muito complexa”, prevista para os próximos dias com a passagem da depressão Leonardo. “Com base neste quadro meteorológico, o país foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível”, afirmou o comandante Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), citado pela agência Lusa.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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