Almada acolhe extensão da 19ª Festa do Cinema Italiano

Seis longas metragens, que podem ser vistas no Auditório Fernando Lopes-Graça, sempre às 21h

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A Festa do Cinema Italiano regressa a Almada para a sua 19ª edição, a 5, 6, 13, 19, 20 e 27 de Maio, pelas 21h no Auditório Fernando Lopes-Graça, em Almada. Há também duas sessões escolares, mediante inscrição.

Almada recebe mais uma vez a festa que celebra o cinema italiano contemporâneo e clássico, onde o público almadense poderá ver sessões de cinema de alguns dos realizadores mais conceituados da cinematografia italiana. Nomes como Paolo Sorrentino e Gianni Amelio regressam com novos filmes, abrindo também espaço a uma nova geração de cineastas que está a renovar as linguagens e os temas do cinema italiano, a partir de diferentes geografias e sensibilidades. Assim, a programação deste ano procura desafiar as formas narrativas convencionais e abrir o festival a novas experiências cinematográficas.

A 5 de Maio pode assistir a “La Gazia”, de Paolo Sorrentino, que narra a história de Mariano De Santis, um Presidente da República prestes a deixar o cargo, acompanhando os seus últimos dias de mandato, marcados por escolhas difíceis — dois pedidos de indulto e uma lei sobre a eutanásia. Mas, longe dos protocolos e dos discursos oficiais, é na relação com a filha e na cumplicidade serena da amiga Coco que o homem se revela, entre fragilidades, afectos e uma inesperada leveza. Um filme sobre a beleza da incerteza.

©Andreia Pirrello / “La Grazia” é um filme sobre os últimos dias de mandato de um Presidente da República

No dia seguinte é a vez de “Louca-Mente (Follemente), Paolo Genovese. O filme acompanha o primeiro encontro entre Piero e Lara. À medida que a noite se desenrola, assistimos ao que se passa dentro das suas mentes, onde diferentes vozes e personalidades internas ganham corpo e comentam, sabotam ou encorajam cada palavra, gesto e silêncio durante o encontro. O filme explora com humor e sensibilidade as dúvidas, desejos e mecanismos psicológicos que moldam as nossas escolhas num primeiro encontro e na vida.

No dia 13 de Maio, é exibido “Campo de Batalha (Campo di battaglia)”, de Gianni Amelio. Passado no final da Primeira Guerra Mundial, num hospital militar onde chegam diariamente soldados gravemente feridos, muitos dos quais se autolesionaram para evitar o regresso à frente de combate. O médico Stefano Zorzi, inflexível e obcecado pelos simuladores, examina as lesões como um inspector. Já o seu amigo de infância Giulio Farradi, mais frágil e inclinado para a investigação científica, olha para a guerra de forma diferente. Entre ambos está a enfermeira Anna. Enquanto isso um sabotador parece mover-se pelos corredores e a gripe espanhola propaga-se., O filme, livremente inspirado no romance “La Sfida”, de Carlo Patriarca, reflecte sobre a automutilação dos soldados como espelho da loucura de todas as guerras.

“Curso para a Vida Adulta (La vita da grandi)”, de Greta Scarano, é exibido a 19 de Maio. A história é sobre Irene, que vive em Roma, longe de Rimini, a cidade onde cresceu e da qual fugiu. Quando a mãe lhe pede que regresse por alguns dias para cuidar do irmão mais velho, Omar, autista, o regresso a casa reabre antigos desequilíbrios familiares. Omar, porém, tem ideias muito claras sobre o seu futuro: quer tornar-se autónomo, casar, ter três filhos e tornar-se um rapper famoso. Entre sonhos improváveis, mal-entendidos e ruidosos jantares em família diante da televisão, os irmãos começam um terno “curso intensivo” para aprender a ser adulto. O filme aborda os laços familiares, a inclusão e a a coragem de imaginar o próprio futuro. Este foi o filme escolhido para as sessões escolares.

A 20 de Maio, é a vez de “Hey Joe”, de Claudio Giovannesi. Ambientado em New Jersey, nos anos 70, narra a história de Dean Barry, um veterano americano que regressa a Nápoles para conhecer o filho nascido de uma relacção com uma jovem napolitana durante a Segunda Guerra Mundial. Dean quer recuperar vinte e cinco anos de ausência, mas encontra um homem criado no mundo do crime, adoptado por um chefe do contrabando e indiferente ao pai americano. Um relato nostálgico e terno, numa viagem ao passado em busca de oportunidades perdidas.

No último dia da Festa do cinema Italiano, a 27, é exibido “Três Vezes Adeus (Tre ciotole)”, de Isabel Coixet. O filme narra a história de Marta e Antonio, que depois de uma discussão que parece banal, se separam. Ela fecha-se em si própria, marcada por uma súbita falta de apetite; ele, chef em ascensão, refugia-se no trabalho sem conseguir esquecê-la. Quando Marta descobre que o seu mal-estar tem mais que ver com a saúde do que com o coração, tudo muda: o sabor da comida, o desejo, as certezas. É um retrato íntimo sobre a despedida e sobre a serenidade possível na dor. É baseado no livro homónimo de Michela Murgia.

©Greta Del Azzaris / Em “Três Vezes Adeus” uma discussão banal termina em separação.

A Festa do Cinema Italiano tem também extensões noutras cidades: Alverca, Aveiro, Beja, Cascais, Coimbra, Évora, Figueira da Foz, Lagos, Leiria, Loulá, Moita, Oeiras, Sardoal, Setúbal, Tavira e Vila Franca de Xira. A organização está a cabo da Associação II Sorpasso.

Os bilhetes custam 3€, com desconto de 50% para jovens e seniores. As sessões escolares custam 1€. Os bilhetes podem ser adquiridos aqui, ou na bilheteira do Auditório Fernando Lopes-Graça, de Quarta a Sábado, entre as 10h e as 13h, e as 14h30 e as 18h.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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