PS – CDU Almada: Medeiros manda, Palma obedece
Muitos ainda se perguntam o que levou a outrora altiva e moralmente superior CDU de Almada a ajoelhar-se perante o PS da baronesa Inês de Medeiros. A resposta não vem em manuais de ciência política nem de bons costumes, mas sim no habitual e aconchegante conforto do "tacho".
A Câmara de Almada está transformada num caso de estudo sobre como a sede de poder e o comodismo pessoal podem destruir uma cidade. O que temos hoje nos Paços do Concelho não é uma coligação, mas sim um regime de submissão onde a baronesa manda e a CDU, reduzida a uma triste “bengala”, obedece. Enquanto isso, Almada mergulha no lixo e no autoritarismo.
Muitos ainda se perguntam o que levou a outrora altiva e moralmente superior CDU de Almada a ajoelhar-se perante o PS da baronesa Inês de Medeiros. A resposta não vem em manuais de ciência política nem de bons costumes, mas sim no habitual e aconchegante conforto do “tacho”. Chegou-me a informação, por antigos autarcas da CDU – gente de outra têmpera, digna e que até já presidiu a câmaras municipais pela CDU – que o acordo com o PS foi forçado por motivações rasteiras, nomeadamente pela necessidade imperiosa de um dos vereadores assegurar o estatuto de permanência.
Pelos vistos, a perspetiva aterradora de ter de regressar à sua profissão de origem e enfrentar as filas de gado na Ponte 25 de Abril todas as manhãs foi o argumento decisivo. A CDU vendeu a alma ao diabo e a dignidade da cidade ao PS para que alguns “camaradas” não tenham de picar o ponto no mundo real. É este o “trabalho, honestidade e competência” que agora se pratica – o de quem prefere ser vassalo em Almada do que trabalhador em Lisboa.
Os resultados estão à vista e o desgoverno nos SMAS é o espelho desta degradação. Oficialmente, o presidente é o Sr. Luís Palma, vereador da CDU, que na prática não passa de um figurante de luxo num palco onde não manda nada. É que a baronesa até decidiu que a CDU não tem direito a gabinetes na Câmara e o cerco apertou-se na Praceta Ricardo Jorge.
O ridículo instalou-se e os relatos de espetáculos deploráveis sucedem-se. Conta-se nos corredores que, certo dia, a baronesa Medeiros entrou pela administração adentro e, ao ver dois adjuntos da CDU a ocupar um gabinete, teve um dos seus habituais ataques de fúria imperial. Chamou o Sr. Palma e, aos gritos – que ecoavam nitidamente do 8.º até, pelo menos, ao 4.º andar, para espanto dos trabalhadores –, correu com os adjuntos dali para fora. Queria o espaço para ela, para ali se instalar quando se desloca aos SMAS para vigiar de perto o trabalho da CDU. Perante a maioria absoluta que a baronesa e o seu fiel escudeiro do PS detêm na administração, a CDU limitou-se a descer as escadas de cabeça baixa, enfiando a viola no saco e aceitando a humilhação pública.
Mas se nos gabinetes e nos serviços o clima é de ditadura e de medo, nas reuniões de Câmara a máscara da democracia caiu de vez. Numa das últimas sessões, que deveria ter sido pública, a baronesa protagonizou mais um momento digno de um regime de partido único. Os técnicos já tinham tudo montado, as câmaras prontas para a transmissão e os munícipes esperavam para ser ouvidos, mas Inês de Medeiros entrou, olhou para o dispositivo e ditou a sentença: “Acabou!”.
Mandou desligar a democracia porque ouvir as queixas dos almadenses sobre o lixo, o abandono e a incompetência dá muito trabalho e estraga a propaganda. E a CDU? Assistiu a tudo como quem vê passar um comboio, confirmando que a sua única função é segurar o guarda-chuva à senhora Presidente para que ela não se molhe na chuva de críticas.
Entretanto, a higiene urbana – o pelouro que a CDU aceitou para fingir que ainda tem alguma utilidade – está mesmo uma miséria. As ruas de Almada cheiram a abandono, com sacos rasgados, bosta nos pavimentos, e ratazanas a passear-se à vontade. Mas como é que se pode gerir uma cidade quando se é ignorado pela própria “compincha” de governo?
É que nas reuniões de emergência devido às recentes tempestades, a baronesa “esqueceu-se” de convidar o vereador António Matos, responsável pela Ação Social. O pobre homem teve de aparecer sem convite, feito “emplastro”, só para não ser totalmente apagado da fotografia. Fica a pergunta – não foi convidado porquê? Porque a Ação Social não conta para a resposta à catástrofe, ou porque para a baronesa a CDU já só conta para o totobola dos tachos?
A verdade é que Almada não merece este teatro de fantoches. Entre o autoritarismo imperial de uma e a sobrevivência laboral de outros, que têm medo de atravessar uma ponte, quem fica no meio é o cidadão, cercado por lixo, mordido por ratos, e privado de voz.
Podem tentar desligar as câmaras e gritar nos corredores, mas a verdade não se desliga. Pela minha parte, cá estarei para garantir que o estrondo desta incompetência chega a todos os cantos do concelho.
Almada Online, Crónica, David Cristóvão, Opinião, PSD


