Almada | Foi só um acidente

A 14 de Maio às 21h, no Auditório Fernando Lopes-Graça

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O filme de Jafar Panahi, narra uma história passada um bairro dos subúrbios de Teerão, no Irão. Eghbal viajava de carro com a mulher grávida, quando atropela e mata um cão. Vahid, mecânico de automóveis e antigo prisioneiro político, leva uma vida tranquila até receber na sua oficina Eghbal, um cliente com uma prótese na perna resultante de um acidente. O som que aquele homem faz ao andar desperta em Vahid memórias terríveis: o mesmo ruído que ouvia, de olhos vendados, durante os interrogatórios e agressões a que foi repetidamente submetido. Convencido de que aquele homem foi um dos seus torturadores, o mecânico rapta-o e decide enterrá-lo vivo. Apesar da certeza inicial, não tarda a questionar-se se não estará a cometer uma injustiça. Em busca de provas irrefutáveis, procura alguns dos antigos companheiros de cárcere que também sofreram às mãos do mesmo carrasco. Juntos, em viagem, pensam na moralidade de matar o prisioneiro e se ele é realmente quem eles acreditam ser.

A ideia do filme surgiu durante a segunda prisão do director iraniano, entre Julho de 2022 e Fevereiro de 2023. Embora o Supremo Tribunal lhe tenha anulado a sentença original de seis anos com base no estatuto de limitações, os serviços de segurança iranianos mantiveram-no detido. Jafar Panahi acabou por ser libertado dois dias depois de anunciar uma greve de fome.

Também escrito por Jafar Panahi, sob a forma de um dramático e tenso “hriller psicológico com umas pitadas de humor negro, o filme é uma espécie de dilema moral sobre a dualidade perdão versus vingança, e funciona como uma denúncia das atrocidades atentatórias aos direitos humanos cometidas pelo ditatorial regime teocrata e ultra-consrvador dos ayatolas.

Sem permissão de filmagem por parte da República Islâmica, foi realizado durante 20 dias, usando apenas dois carros para o elenco e a equipa, evitando chamar a atenções. Apesar dessas precauções mandaram-nos parar e foram presos temporariamente pela polícia, que lhes confiscou a camera. A maior parte do material já tinha sido armazenada num computador, que não foi levado. Concluídas as filmagens, todo o material foi transferido para França, onde a pós-produção foi concluída.

Ao contrário de muitos filmes iranianos críticos ao regime, que omitem os nomes do elenco e da equipa para protegê-los, este credita abertamente a maioria dos seus participantes. O próprio Panahi compareceu pessoalmente ao Festival de Cinema de Cannes de 2025 – na sua primeira aparição desde 2003 – acompanhado pela sua esposa, filha e vários membros do elenco.

Consagrado em Cannes com a Palma de Ouro, Panahi construiu um filme sobre a justiça, a vingança, e os grandes traumas do Irão. O filme foi nomeado para dois Óscares, o de Melhor Filme Internacional e o de Melhor Argumento Original.

Em 2025, o iraniano Jafar Panahi tornou-se o primeiro cineasta a conquistar o prémio máximo nos quatro grandes festivais de cinema do mundo, através dos filmes “O Espelho” (1997), que recebeu o Leopardo de Ouro em Locarno; “O Círculo” (2000), distinguido com o Leão de Ouro em Veneza; “Táxi” (2015), vencedor do Urso de Ouro em Berlim; e este “Foi Só Um Acidente”, Palma de Ouro em Cannes.

©Les Films Pelleas / Eghbal viajava de carro com a mulher grávida, quando atropela e mata um cão.
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Ficha Técnica:

Título original: Yek tasadof-e sadeh
Realização: Jafar Panahi
Argumento: Jafar Panahi, Nader Saeivar, Shadmehr Rastin
Produção: Jafar Panahi, Philippe Martin
Elenco: Vahid Mobasseri, Mariam Afshari, Ebrahim Azizi, Hadis Pakbaten, Majid Panahi, Mohamad Ali Elyasmehr, George Hashemzadeh, Delmaz Najafi, Afsaneh Najm Abadi
Fotografia: Amin Jafari
Som: Abdolreza Heidari
Edição: Amir Etminan
Género: Drama, Thriller
Origem: Irão, França, Luxemburgo
Ano: 2025
Duração: 105 min
Classificação: M/14

Preço: 3,00€ (desconto 50% jovens e seniores)

Poderá adquirir os bilhetes na bilheteira do Auditório Fernando Lopes-Graça (Quarta a Sábado das entre as 10h e as 13h, e entre as 14h30 e as 18h, e uma hora antes de cada sessão de cinema) ou online aqui

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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