Tudo o que precisa saber sobre o eclipse solar de 12 de Agosto

Saiba onde puderá observar este fenómeno astronómico no concelho e as medidas de segurança que deve seguir

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Na próxima Quarta-Feira 12 de Agosto, um eclipse solar poderá ser observado em todo território português ao final da tarde. No concelho de Almada poderá assistir a um eclipse parcial profundo, que irá atingir uma ocultação máxima de cerca de 95% do disco solar. Isto significa que haverá uma redução visível da luminosidade natural e uma ligeira descida de temperatura, criando tons azul-prateados no céu, podendo até mesmo alterar a ondulação do mar e o comportamento de alguns animais.

Segundo Pedro Mota Machado, professor de ciências na Universidade Técnica de Lisboa, Investigador de IA e Comissário Nacional do Eclipse do Sol 2026, em Almada o início do eclipse será às 18h38, momento em que a Lua começa a tocar no disco solar; o seu ponto máximo ou momento de maior escuridão acontece às 19h34; e o fim do fenómeno astrológico dá-se pelas 20h24, coincidido practicamente com o pôr-do-sol.

Sentir-se-á ainda o levantamento de uma brisa, o “vento do eclipse”, fruto da diferença de pressão e temperatura entre a faixa afectada pela sombra do eclipse e a área circundante. “O eclipse solar é tão inclusivo que até as formigas o poderão ver”, afima Pedro Machado.

Os melhores locais para observar este fenómeno são o Jardim do Rio em Cacilhas; o miradouro do jardim do Castelo de Almada, o Jardim da Casa da Cerca, o miradouro do Cristo-Rei, o miradouro do Convento dos Capuchos, as praias da Costa da Caparica ou qualquer outro lugar onde se veja o pôr do sol desafogadamente.

O Instituto Português do Mar e do Ambiente (IPMA) prevê boas condições para observar o eclipse em Portugal continental, embora haja 25% de probabilidade de nebulosidade baixa no litoral Norte e Centro.

Um eclipse total do Sol acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, cobrindo completamente o disco solar ao longo de uma estreita faixa da superfície terrestre, conhecida como “faixa de totalidade”. Durante esse período, a luz do dia diminui até níveis semelhantes aos do crepúsculo. Em Portugal um eclipse a 100% será apenas observável no zona do Parque Natural de Montesinho, perto da aldeia de Rio de Onor. O eclipse total será também observável em partes da Gronelândia, Islândia, norte da Rússia, oceano Atlântico e Espanha.

O último eclipse total do Sol visível em Portugal continental aconteceu há mais de cem anos, em 1912, e o próximo, após este de 12 de Agosto, está previsto para daqui a mais de um século, em 2144.

©DR / Prepare-se para um cenário em tons de azul misturado com o laranja do pôr-do-sol.

Medidas de segurança a adoptar durante a observação

Não olhe directamente para o Sol durante o eclipse. Mesmo que apenas por alguns segundos, a intensa radiação solar pode causar danos permanentes na retina e consequentemente na sua visão. Embora a luz solar directa não provoque dor no momento, pode causar queimaduras na retina, resultando em manchas escuras na visão, visão distorcida ou até perda permanente da visão. Mesmo com os óculos postos, só deve olhar durante 30 segundos para o Sol, depois tem de esperar cerca de três minutos até nova observação.

De acordo com o guia de recomendações oficiais emitido pela Direção-Geral da Saúde (DGS), a única forma segura de olhar para o Sol é utilizando óculos certificados que respeitem a norma internacional ISO 12312-2 e apresentem a marcação CE. Os óculos de sol convencionais, mesmo os polarizados ou muito escuros, não oferecem protecção contra a radiação solar intensa, tal como materiais improvisados como radiografias ou vidros fumados. Deve colocar os óculos próprios para eclipse solar antes de olhar para o Sol e desviar o olhar antes de os retirar.

Não olhe directamente para o Sol através da camera de um smartphone, visor óptico de camera de fotografia ou de cinema, telescópio ou binóculos sem filtros solares especializados. Estes equipamentos concentram a radiação solar, e podem provocar lesões oculares imediatas. A intensidade da luz pode também danificar os sensores destes aparelhos. O correcto é um filtro nas lentes das cameras e os óculos certificados nos seus olhos. No caso dos telemóveis pode cortar uns óculos certificados e colá-los com fita cola na camera. Não deixe o telemóvel a gravar vários minutos seguidos apontado directamente ao Sol, nem sequer com o filtro colocado. Não retire o filtro da camera em momento algum.

Não deve permitir que bebés e crianças pequenas observem directamente o eclipse, pois mesmo usando óculos especializados podem retirar os óculos de forma inesperada, colocá-los incorrectamente, levantar os óculos para espreitar, e não entenderem o perigo de olhar directamente para o Sol. Se uma criança utilizar óculos certificados para eclipse, deverá estar sempre sob vigilância de um adulto, que confirme que os óculos permanecem correctamente colocados durante toda a observação. Privilegie formas indirectas e seguras de observar o eclipse com as crianças, como transmissões em directo ou projecções da imagem do Sol.

Pode haver ainda sentimentos de surpresa, ansiedade ou medo nas crianças perante as alterações no ambiente provocadas por um eclipse solar total devido à redução da luminosidade em pleno dia; descida local da temperatura; alteração local do vento; redução do ruído ambiental; maior número de sombras alongadas e de formas estranhas; fecho precoce das pétalas de flores; sons do despertar imprevisto de animais nocturnos e recolhimento apressado de animais diurnos; visualização progressiva do disco solar a ser tapado até quase desaparecer e, no momento do eclipse total, um “anel” de luz.

Depois de ver o eclipse fique atento a sintomas como visão turva ou desfocada, mancha ou ponto negro no centro da visão, alterações na percepção das cores ou sensibilidade anormal à luz. Se durante ou após o eclipse solar manifestar um destes sintomas deve ligar para o SNS24 através do 808 24 24 24.

A Unidade Local de Saúde de Almada – Seixal (ULSAS) também publicou as mesmas advertências.

©Shutterstock / Os óculos podem ser comprados nas farmácias e já esgotaram em quase todas. Fuja das cópias não certificadas para bem da sua visão.

Agosto é mês de nariz no ar

Também a 12 de Agosto, depois do pôr-do-sol acontece a noite de pico das Perseidas, a chuva de meteoros mais famosa e brilhante do ano. Poderá contar com cerca de 100 meteoros por hora (“estrelas cadentes”) em céus escuros. Como o eclipse ocorre ao final da tarde e limpa a atmosfera, a transição para a noite será ideal para observar os detritos do Cometa Swift-Tuttle a arder na atmosfera. A Lua Nova fará com que o céu nocturno esteja completamente escuro, sem qualquer brilho lunar para ofuscar os astros. Serão as condições perfeitas de contraste para observar a chuva de estrelas Perseidas e a Via Láctea a olho nu, longe das luzes do centro de Almada, como por exemplo na Mata dos Medos ou nas praias mais a Sul da Costa da Caparica. A hora ideal para observar as Perseidas é entre as 22h / 23h, quando o céu estiver totalmente escuro e a constelação de Perseu começar a subir no horizonte Nordeste.

Ainda a 12 de Agosto, durante o crepúsculo e início da noite, dois planetas estarão em posições de grande destaque. Vénus estará visível a Oeste logo após o pôr do sol, brilhando intensamente muito perto do ponto onde o eclipse aconteceu. Saturno estará visível em oposição ou muito próximo de Vénus, surgindo a Este logo ao anoitecer, e será observável com telescópios ou binóculos.

Na noite de 15 para 16 de Agosto, a Lua, já numa fina linha crescente, vai aproximar-se visualmente de Vénus. Olhando para o horizonte Oeste logo após o pôr do sol, verá a Lua e o planeta Vénus alinhados no céu, formando um par extremamente brilhante e fotogénico ao crepúsculo. 

O segredo para estes três fenómenos astrológicos é fugir da iluminação pública virada a norte (Lisboa). Deixe os olhos habituarem-se ao escuro durante 15 a 20 minutos. Evite olhar para o telemóvel, pois a luz do ecrã destrói a visão nocturna instantaneamente.

Na noite de 27 para 28 de Agosto, exactamente duas semanas após o eclipse solar, a Lua dá a volta à Terra e entra na sombra do nosso planeta, gerando um eclipse lunar parcial. O disco da lua cheia perderá o seu brilho habitual e ganhará um tom avermelhado/escurecido numa das suas extremidades. Ao contrário do eclipse do Sol, este fenómeno é 100% seguro para observar directamente a olho nu ou com binóculos, sem qualquer tipo de filtro protector.

No final do mês de Agosto, as madrugadas serão excelentes para acompanhar um alinhamento planetário dinâmico a Este, pouco antes do amanhecer. Marte e Júpiter estarão muito próximos um do outro no céu matinal, cruzando-se na constelação de Touro. Mercúrio, alcança a sua máxima elongação, o que significa que estará no ponto mais alto e visível acima do horizonte antes do Sol nascer.

Agosto é um mês de chuva de estrelas e alinhamentos de planetas, em que se prevê que muitos almadendes andem com o nariz empinado.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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