Almada | Crime e poder enfrentam-se no palco do TMJB
"Um Interrogatório", de Jamie Armitage pelos Artistas Unidos, estrá em cena de 6 a 8 de Novembro
Os Artistas Unidos vão estar na Sala Experimental do Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB) de 6 a 8 Novembro, com “Um interrogatório”, do dramaturgo britânico Jamie Armitage, encenado por Nuno Gonçalo Rodrigues. Na Sexta e Sábado às 21h, e Domingo às 16h.
A intriga arranca numa sala de esquadra convencional, onde a inspectora Ruth Palmer (Eduarda Arriaga) conduz o depoimento voluntário de Cameron Andrews (Simon Frankel), um influente e respeitado empresário local. O que começa por ser uma mera formalidade rapidamente se desmorona sob o olhar implacável das câmaras de videovigilância, evoluindo para um confronto cirúrgico de manipulação e poder, onde o actor Américo Silva também assume um papel fulcral no desenrolar da tensão. À medida que a entrevista avança, o quadro começa a perder estabilidade. Entre perguntas, silêncios e decisões aparentemente menores, o equilíbrio de poder desloca-se de forma quase invisível.
“Um Interrogatório”, de Jamie Armitage, afasta-se das convenções do thriller ou do drama judicial para se focar na observação minuciosa de um procedimento onde o centro não é o culpado, mas o modo como se constrói o que conta como verdade. Aqui, não se procura a representação de um crime, mas a eficácia de um sistema que actua correctamente segundo as suas próprias regras. Em cena, Cameron Andrews não surge como uma figura ameaçadora; é um homem socialmente adequado, capaz de existir dentro do protocolo com uma credibilidade que nasce da facilidade com que se ajusta ao que o mecanismo reconhece como normal. Perante ele, a inspectora Ruth Palmer representa o ponto até onde o sistema permite agir, sustentando a dúvida o tempo necessário para que a consistência da narrativa seja testada. Entre ambos, John Culin surge como a materialização da lógica institucional, garantindo que nada ocorra fora das margens do protocolo e que a neutralidade administrativa seja a única condição de funcionamento.
“A tensão não reside no embate directo, mas na forma como a banalidade e o rigor técnico estabilizam a percepção do real. É precisamente nesta eficácia invisível que reside a inquietação: o reconhecimento de que o sistema não precisa de falhar para ser perturbador. No final, a perturbação não virá do crime nem de uma revelação externa, mas do reconhecimento de que a nossa confiança no que parece claro, coerente e funcional pode ser suficiente para nos fazer falhar. E que esse falhanço não é uma excepção, é normal. É sobre essa normalidade que nos debruçamos”, explica o encenador Nuno Gonçalo Rodrigues.
Ficha Técnica e artistíca:
Texto: Jamie Armitage
Tradução: Joana Frazão
Encenação: Nuno Gonçalo Rodrigues
Interpretação: Américo Silva, Eduarda Arriaga e Simon Frankel
Cenografia e Figurino:s Rita Lopes Alves
Assistência de Cenografia: Francisco Silva
Som André Pires
Luz: Pedro Domingos
Montagem de luz: Lucas Domingos
Vídeo: Nuno Barroca
Operação de vídeo: Diana Especial e Nuno Barroca
Assistência de encenação: Joana Pajuelo
Classificação: M/14
Duração: 1h15
Os bilhetes, cujo preço varia entre os 9,10€ e os 13€ (Clube de Amigos: 6,50€), podem ser adquiridos na bilheteira do TMJB ou online.
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