Almada | 20.000 Espécies de Abelhas
Um filme de Estíbaliz Urresola Solaguren, que pode ser visto no Auditório Fernando Lopes-Graça, dia 22 às 21h
Uma criança de oito anos sofre porque as pessoas a abordam sistematicamente de formas que lhe causam desconforto. Insistem em chamar-lhe Aitor, o seu nome oficial. A alcunha, Cocó (em português Cacau), ainda que obviamente menos errada, também não lhe cai bem e ela não entende por que razão não se enquadra nas expectativas dos outros
A sua mãe, Ane, no meio de uma crise profissional e sentimental, aproveita as férias para viajar com os três filhos para a casa onde vivem a sua mãe Lita (Itziar Lazkano) e a sua tia Lourdes (Ane Gabarain), muito ligadas à apicultura e à produção de mel. Ane, trabalha na velha oficina do pai, na esperança de apresentar um projecto à escola para a qual concorre enquanto docente, mas, também ela, sente dificuldade em definir a sua identidade enquanto artista plástica. Neste verão, que mudará a sua vida, as mulheres de três gerações terão de enfrentar as suas dúvidas e os seus medos. E, acima de tudo, Ane terá finalmente de ser honesta consigo própria.
Durante esse Verão no País Basco, a criança partilha este seu malestar com parentes e amigos. Mas como é que uma mãe lida com a busca de identidade de um filho quando ela própria ainda não aceitou o seu ambivalente legado parental?
A primeira longa-metragem da realizadora basca Estibaliz Urresola Solaguren é um drama sensível, sustentado pelos desempenhos da jovem actriz Sofía Otero, que personifica uma criança em busca de um nome e, de Patricia López Arnaiz, que interpreta uma mãe atormentada, que não deixa de ser meiga. É um filme ternurento sobre identidade e crescimento, que em nenhum momento necessita de recorrer ao drama excessivo, nem a moralismos, para alcançar profundidade no enredo. Um hino à diversidade,
Tal como um enxame de abelhas garante a diversidade da natureza, os papéis secundários não são menos essenciais para a heroína do filme e, um ambiente maioritariamente feminino mostra-lhe as diversas formas de como é possível ser-se mulher. Ao adoptar mais do que um ponto de vista, Estibaliz Urresola Solaguren respeita a incrível complexidade que compõe a identidade de género, tocando num aspecto talvez menos óbvio da transição: a mentalidade, ou melhor, como funciona a cabeça do indivíduo e, neste caso, a de uma criança e a das pessoas que a rodeiam.
“O meu interesse pela infância vem de ser um momento da vida em que se configuram muitas das máscaras que vamos utilizar na idade adulta para esconder, ou superar, as nossas feridas mais profundas. A infância não é uma entidade separada do que somos quando crescemos. É como se tivesse as chaves para compreender quem somos, como nos comportamos, em adultos.”, explicou a reslizadora no dia de estreia.
A história do filme é inspirada na vida real de Ekai Lersundi, um rapaz de 16 anos que se suicidou em 2018.
O filme estreou-se na selecção oficial do Festival de Berlim de 2023 e, Sofía Otero de 9 anos venceu o Urso de Prata para Melhor Interpretação, um prémio que agora é único e sem género definido, tornando-se a actriz mais jovem a vencer este prémio, na sua estreia no cinema O filme foi também vencedor do prémio de Melhor Filme no Festival de Málaga.

Ficha Técnica:
Título original: 20.000 Especies de Abejas
Realização: Estíbaliz Urresola Solaguren
Argumento: Estíbaliz Urresola Solaguren
Produção: Valérie Delpierre, Lara Izagirre
Elenco: Sofía Otero, Patricia López Arnaiz, Ane Gabarain, Itziar Lazkano, Sara Cózar, Martxelo Rubio, Miguel Garcés
Fotografia: Gina Ferrer García
Música: Eva Valiño
Edição: Raúl Barreras
Género: Drama
Origem: Espanha
Ano: 2023
Duração: 129 min.
Classificação: M/12
Preço: 3,00€ |Desconto de 50% para jovens e seniores
Contacto da Bilheteira do AFLG
Tel.: 212 724 922 | auditorio@cm-almada.pt
Horário: Quarta a Sábado 10h – 13h | 14h30 – 18h
Uma hora antes do espectáculo

