Almada | Abraço Artístico das Margens do Rio Tejo

A exposição está patente ao público até 23 de Agosto, na Oficina de Cultura

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Inaugurou a 2 de Agosto, na Oficina de Cultura em Almada, a exposição de pintura, escultura e instalações “Abraço Artístico das Margens do Rio Tejo”, de Carlos Pé Leve e Ildebranda Martins. Os artistas cruzam olhares e sensibilidades, numa só linguagem artística, celebrando a união através de um verdadeiro abraço criativo entre as duas margens do Tejo. A entrada é livre.

Actualmente e desde há algum tempo, vivem e trabalham em margens opostas do Tejo, mas os contactos entre ambos mantêm-se pela amizade e pela forma como a arte os mantém vivos, activos e unidos. 

As suas histórias de vida cruzam-se, pois para além de serem artistas, foram ou ainda são dinamizadores culturais, gestores de eventos artísticos e curadores. Viveram experiências comuns. Conheceram, com idades e maturidade diferentes, o período do Estado Novo, o nascimento da democracia, a adesão à UE, ao Euro, o surgimento da Internet, das redes sociais e da IA, entre outros. Há uma história colectiva que os une e raízes em comum, que permitiram uma identificação cultural. Artisticamente são diferentes na utilização dos suportes e das técnicas que utilizam, mas há pontos em comum nas causas que associam às obras que criam. 

Outro ponto em comum, é o exercício da curadoria de responsabilidade social, um no espaço cultural do Ministério da Justiça e da Cervejaria Trindade, e outro na Galeria Beltrão Coelho. Ambos têm a simplicidade de reconhecer que os artistas com as quais se cruzaram ao longo da vida, os ajudaram a melhorar como agentes das artes. 

“A cerâmica é uma das expressões artísticas em que o homem ou a mulher tem uma maior intimidade com a matéria que se vai transformar em arte. As nossas mãos em contacto com o barro pela primeira vez, torna-nos de imediato bem sucedidos, entusiasmando-nos a continuar”, explica Carlos Pé-Leve.

O rio nunca os separou, e dos seus inúmeros cruzamentos culturais surgiu o sonho de se juntarem numa exposição. Como defensores da pluralidade artística e da arte ao serviço de causas, perseguiram a ideia de transmitir a sua mensagem numa só voz, e assim surgiu a oportunidade da mostra de Carlos Pé Leve e Ildebranda Martins. A cidade de Almada, através da “Oficina de Cultura” resolveu abrir as suas portas e acolher este projecto comum.

“No manequim, que representa o ser humano, criei uma peça de teatro com colagens e pintura, de forma que conseguisse repre-sentar as minhas preocupações sobre a repressão sobre as mulheres, o totalitarismo político e religioso dos governantes e chefes hierárquicos sobre o seu povo e a sua gente, a pressão exercida sobre a natureza e os outros animais por parte da humanidade assente num conceito de evolução que nos levará a todos à eliminação”, disse Ildebranda Martins sobre as suas instalações. 

©Ildebranda Martins / Técnica mista 90 x 70 cm

Carlos Pé-Leve nasceu em Lisboa, em 1956. Cursou Artes Gráficas na Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde foi aluno dos Mestres Jorge Esteves e Louro de Almeida. Possuí ainda os cursos de serigrafia, gravura e escultura. Foi Director Artístico da Galeria Trindade em Lisboa, e da Galeria de Arte do Ministério da Justiça, nesta última, durante dezas­seis anos. É sócio fundador da “Artes”, Associação Cultural do Seixal, onde foi Presidente do Conselho Técnico e do Conselho Fiscal. É membro honorário da Fundación Abello, em Barcelona, e Académico de Mérito na Academia Internacional Plattonia de las Letras Y Artes de Placencia, em Espanha. Expõe as suas obras de pintura e escultura ao público desde a década de oitenta do século passado. Tem exposto regularmente, quer colectiva quer individualmente, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Itália, Bélgica, Reino Unido e Espanha. Dirige os ateliers de pintura e cerâmica escul­tórica da Associação Artes do Seixal.

Ildebranda Martins é portuguesa, nascida em Angola em 1965. É artista plástica e curadora de arte, em Lisboa. Os seus trabalhos artísticos actuais são instalações, muitas delas assentes em manequins que utiliza como matéria-prima artística desde 2008. A sua arte é pretensiosa e visa despertar consciências, não assenta na noção de mera utilidade decorativa, mas antes na ideia de que deve, sempre que possível, causar sensações, originar exclamações, gerar pensamentos nos outros. Actualmente, além de artista, também é curadora na Galeria Beltrão Coelho, um projecto de responsabilidade social empresarial, onde procura apoiar artistas, fazer exposições que sirvam de incubadora a parcerias artísticas que possam transcender o espaço expositivo, dar oportunidade a expressões criativas mais alternativas e emergentes, abrir as portas a projectos cujos objectivos sejam causas solidárias, alertas sociais. Nos grupos fundados por si e de sua iniciativa, nas parcerias que surgem, a sua participação não é apenas como artista mas também como coordenadora gratuita e voluntária.

A exposição está patente ao público até 23 de Agosto e pode ser visitada de Terça a Sábado, entre as 11h e as 13h e das 14h às 19h. A Oficina de Cultura encerra aos Domingos, Segundas e Feriados.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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