Almada | Close ou a inocência perdida
O filme de Lukas Dhont, premiado ontem no Parlamento Europeu, pode ser visto hoje dia 28 de Junho às 21h, no Audiotório Fernando Lopes-Graça
Léo e Rémi, dois amigos de 13 anos, passam as férias de Verão juntos, numa intimidade inocente, própria da idade. Quando o ano lectivo começa, a proximidade entre ambos é alvo de comentários depreciativos e preconceituosos por parte dos colegas. Os laços que os unem são violentados e, inevitavelmente, os resultados são devastadores. Léo afasta-se. Rémi desaparece, subitamente. Léo aproxima-se de Sophie, a mãe de Rémi, para tentar compreender o que aconteceu.
Close é uma ode à responsabilidade dos afectos, alicerçado numa crítica feroz à normalização social da agressão e, demonização da ternura física e emocional.
O filme estreou no Festival de Cinema de Cannes de 2022, com grande aclamação da crítica, tendo vencido o Grand Prix do júri. Foi o representante belga na categoria de Melhor Longa-Metragem Internacional nos Oscares de 2023, sendo um dos 5 finalistas ao galardão. Também venceu o prémio de Melhor Filme Estrangeiro do National Board of Review e o Prémio de Cinema de Sydney. Foi nomeado a um Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira.
A muito antecipada segunda longa metragem de Lukas Dhont, realizador que venceu a Camera d’Or e a Queer Palm com o filme Girl, venceu ontem, 27 de Junho o Prémio do Público Lux 2023. Na cerimónia no Parlamento Europeu, em Bruxelas, Lukas Dhont afirmou que vivemos tempos preocupantes. “Quando olhamos para a Bulgária, para a Hungria ou para a Itália, vemos que há uma tendência para a propaganda anti-LGBTQIA+, por isso não acho surpreendente que muitos destes filmes abordem esses tópicos em torno da identidade, do género e da sexualidade”, explicou o realizador. “Também acho que vivemos num mundo que muitas vezes se apresenta de uma forma muito brutal e, o nosso objectivo com “Close” era mostrar o desejo humano de ligação quando somos jovens”, acrescentou Lukas Dhont.
O prémio, organizado pelo Parlamento Europeu e pela Academia Europeia de Cinema, visa promover a sensibilização para questões como a dignidade humana, a inclusão social, a tolerância e a justiça. Os outros filmes na lista de finalistas foram: “Alcarràs”, de Carla Simón (Espanha), “Burning Days”, de Emin Alpe (Turquia), “Triangle of Sadness”, de Ruben Östlun (Suécia) e “Will-o’-the-Wisp”, de João Pedro Rodrigues (Portugal).
O Parlamento Europeu organizou cerca de 500 projecções gratuitas dos cinco filmes, legendados nas 24 línguas oficiais da União Europeia e com o sistema para o público com deficiência auditiva. As projecções foram seguidas de debates sobre os temas dos filmes e a necessidade de promover a diversidade cultural. Cerca de 45 mil pessoas assistiram às projecções gratuitas dos filmes e puderam votar ao lado de 360 deputados do Parlamento Europeu. Pela primeira vez, o público foi também convidado para a cerimónia de entrega dos prémios, com sala cheia no plenário.

Ficha Técnica:
Título original:
Realização: Lukas Dhont
Argumento: Lukas Dhont, Angelo Tijssens
Produção: Michiel Dhont, Dirk Impens
Elenco: Émilie Dequenne, Léa Drucker, Kevin Janssens, Igor van Dessel, Marc Weiss, Eden Dambrine
Fotografia: Frank van den Eeden
Música: Valentin Hadjadj
Edição: Alain Dessauvage
Género: Drama, Romance
Origem: Bélgica, França, Holanda
Ano: 2022
Duração: 105 minutos
Classificação: M/12
Preço: 3,00€. Desconto de 50% para jovens e seniores
Contacto da Bilheteira do AFLG
Tel.: 212 724 922 | auditorio@cm-almada.pt
Quarta a Sábado das 10h00 – 13h00 | 14h30 – 18h00
1 hora antes de espectáculo ou sessão de cinema

