Guia para almadenses : como sobreviver à Greve Geral
Transportes, saúde e educação serão os sectores mais efectados
Foi marcada, pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) nesta Quarta-Feira, 3 de Junho, uma greve geral. É a segunda que se realiza no espaço de meio ano, mas desta vez a UGT não aderiu ao protesto por considerarconsiderar que a contestação deverá ocorrer mais tarde, durante o processo parlamentar. O principal motivo desta greve geral é contestar a reforma da lei laboral, que o Governo já aprovou em Conselho de Ministros e enviou para o Parlamento para debate e votação, sem o acordo dos sindicatos em sede de concertação social.
Os transportes, a saúde e a educação serão os sectores mais afectados de Norte a Sul do país, e Almada não será excepção. Terá de ter uma boa dose de calma e paciência para enfrentar o dia de amanhã, sobretudo se trabalhar ou estudar em Lisboa.
Transportes
A Greve Geral de 3 de Junho vai ter um impacto profundo no concelho de Almada, deixando os residentes com opções de mobilidade reduzidas para atravessar o Tejo, ou utilizar os eixos estratégicos que ligam a Margem Sul à capital. Alguns sindicatos dos transportes públicos informam que haverá impacto nos transportes de 2 a 4 de Junho (caso do metro sul do tejo).
Na Transtejo Soflusa, as ligações fluvial Cacilhas-Cais do Sodré e Trafaria – Porto Brandão – Belém, encontram-se sem serviços mínimos decretados para o dia de amanhã. Isto significa que na práctica a travessia de barco poderá ficar totalmente paralisada.
Na Fertagus, o comboio da ponte circula sob fortes restrições. O Conselho Económico e Social (CES) decretou serviços mínimos de 25% na oferta habitual, gerando tempos de espera superiores aos habituais e carruagens sobrelotadas. Pode consultar aqui os horários em que a empresa prevê realizar ligações.
O Metro Transportes do Sul (MTS), o metropolitano ligeiro que liga Almada, Corroios e o Pragal sofrerá fortes perturbações devido à greve dos maquinistas e pessoal operacional. Os seus serviços serão afectados de 2 a 4 de Junho, segundo a Direcção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
Na Carris Metropolitana, poderá haver falhas em várias carreiras municipais e intermunicipais. Já foi emitido um aviso para a área 1, mas até ao momento da publicação desta notícia, não havia nenhum para a área 3. O conselho é o de que simule a sua viagem no site da empresa antes de sair de casa.
Os serviços mínimos foram também decretados para a Infraestruturas de Portugal (IP) e também para a Carris.
O Metropolitano de Lisboavai encerrar às 23h de dia 2 de Junho. Em comunicado, o metropolitano explica que os serviços são retomados na Quinta-Feira.
Sem barcos e com poucos comboios, o recurso ao transporte rodoviário individual irá disparar. Prevêem-se filas nos acessos à Ponte 25 de Abril. Para quem necessita de sair do concelho para Sul ou Leste, a Autoestrada A12 , via Ponte Vasco da Gama, surge como alternativa para evitar o nó rodoviário de Almada.
A principal recomendação para os residentes de Almada é evitar qualquer deslocação não essencial para fora do concelho ao longo do dia, e caso seja possível ficarem em teletrabalho.
Serviços Municipais e escolas
Nos serviços municipais e recolha de resíduos, Câmara Municipal de Almada (CMA) emitiu um aviso prévio alertando para fortes perturbações no atendimento ao público e, para a interrupção ou forte condicionamento na recolha de resíduos urbanos. Solicita-se aos munícipes que evitem depositar lixo na via pública nos dias 2 e 3 de Junho. Caso esteja servido por uma zona de recolha Porta-a-Porta e o seu contentor não for recolhido, deverá aguardar pelo próximo dia de recolha de resíduos na sua zona. Os resíduos de embalagens de papel, plástico/metal e de vidro apenas devem ser colocados nos ecopontos quando estes apresentarem capacidade disponível.
O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) aderiu à greve, o que significa que os serviços das câmaras municipais e do sector empresarial autárquico podem ser afetados em todo o país.
Nos estabelecimentos de ensino, algumas escolas básicas e secundárias de Almada, como a Emídio Navarro ou a Fernão Mendes Pinto, estarão encerradas devido à elevada adesão do pessoal docente, não docente e auxiliar. O conselho é, verificar no site do agrupamento de escolas frequentado se este se encontra aberto, antes de sair de casa. A Fenprof e o Sindicato de Todos os Trabalhadores da Educação (S.T.O.P) avançaram com pré-avisos de greve para 3 de Junho. Estão também marcadas greves sectoriais nos dias 5 de Junho (trabalhadores não docentes) e 15 de Junho (educadores de infância e professores do primeiro ciclo).
O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) já indicou que se vai juntar à greve geral contra o pacote laboral, sendo que o pré-aviso que entregou abrange docentes e investigadores das universidades, institutos politécnicos, escolas superiores não integradas e institutos de investigação.
Na área da educação, não foram definidos serviços mínimos, o que é habitual neste sector, dado que os seus serviços não são considerados necessidades sociais impreteríveis no sentido legal.
Saúde
No Hospital Garcia de Orta (HGO), as consultas externas e cirurgias programadas não urgentes sofrem adiamentos generalizados, mantendo-se apenas as urgências médicas obrigatórias. Vai existir o funcionamento contínuo das urgências, unidades de atendimento permanente, enfermarias de internamento (24 horas), nos cuidados intensivos, bloco operatório, hemodiálise, tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia) e continuidade dos tratamentos programados, que já se encontrem em execução. Dado que algumas cirurgias ou consultas não urgentes podem ser desmarcadas, verifique o seu estado através da área de utente do SNS ou contactando a linha SNS 24 (808 24 24 24).
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que coordena os sindicatos de médicos do Norte, Centro e Sul, aderiu à greve,O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) já fez saber que se vai juntar ao protesto. A paralisação de enfermeiros vai realizar-se entre as 0h e as 24h de 3 de Junho, podendo ter efeitos no dia anterior devido ao início do turno da noite, sendo assegurados os serviços mínimos.
Entre outros, juntaram-se à greve o Sindicato dos Jornalistas, o Sindicato dos Trabalhadores em Arquitetura (Sintarq), o Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP), a Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços (FEPCES), entre muitos outros.
O líder da CGTP, Tiago Oliveira, diz que a expectativa em relação à greve geral “é grande”, e que a paralisação vai afectar quer o sector público quer o privado, realçando que greve geral visa “derrotar o pacote laboral”, ainda antes da sua discussão na Assembleia da República.
A reforma da lei do trabalho começou a ser negociada, na Concertação Social, em Julho do ano passado. Apesar de quase dez meses de discussão, não foi possível um acordo entre os parceiros sociais, tendo o Governo avançado com uma proposta de lei.
Agora que a mesma já chegou ao Parlamento, o Governo da AD terá de encontrar apoio na oposição para viabilizar este pacote que contém dezenas de alterações ao Código do Trabalho em vigor.
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