Almada | Estreia nacional de “Um assobio no escuro”

De 10 de Abril a 10 de Maio, na Sala Experimental do TMJB, de Quinta a Sábado às 21h, Quartas e Domingos às 16h

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A Companhia de Teatro de Almada (CTA) vai estrear um texto, nunca antes levado a cena em Portugal, de um dos maiores dramaturgos irlandeses: “Um assobio no escuro”, de Tom Murphy. Uma obra sobre a imigração irlandesa rumo a Inglaterra, sobre gente encurralada, na segunda metade do século XX. A encenação é de Rodrigo Francisco, director artístico da companhia almadense e do Festival de Almada.

Houve uma época em que deixar a Irlanda parecia a única coisa a fazer para escapar à pobreza. Instalado em Coventry, em Inglaterra, com a sua nova mulher inglesa, Michael Carney está a tentar levar uma nova vida. Mas não é fácil libertar-se do passado. Quando recebe a visita do pai e dos irmãos mais novos, homens marcados pelo espírito amargo de um povo marginalizado, que cresceram a expressar-se com violência e ódio contra os outros e contra si próprios, Michael percebe que não quer ser esse tipo de homem. Mesmo que para isso tenha de sofrer o bullying tribal e sexista daqueles que são carne da sua carne.

Escrita em 1961, “Um assobio no escuro” é a obra de estreia do irlandês Tom Murphy, que nessa altura tinha apenas 25 anos, e que recorreu à sua experiência como filho de uma família numerosa onde quase todos os irmãos tinham emigrado, para criar esta tragédia. A peça foi rejeitada pelo Abbey Theatre, em Dublin, com o argumento de que era demasiado violenta e de que aquelas personagens eram irreais. O autor levou-a, então, para Londres, onde o texto obteve um enorme sucesso.

A raiva, que Murphy considerava ser um dos motores da sua escrita, nunca o abandonou. Ao longo da sua carreira, protestou contra o imperativo económico da emigração, a hipocrisia da Igreja Católica, a pobreza da liderança política, e as desigualdades flagrantes do seu país, ou seja, olhou para as causas da emigração. Morreu em 2018, considerado por muitos como um dos maiores dramaturgos irlandeses de sempre.

O texto será também publicado, pela primeira vez em Portugal pela CTA, na sua Colecção Teatro.

A acompanhar a carreira do espectáculo, aos Sábados pelas 18h, no foyer do TMJB, acontecem as habituais Conversas com o Público: Os imigrantes que temos – Os imigrantes que fomos. Serão cinco conversas moderadas pela jornalista Catarina Pires. A primeirarealiza-se no Sábado, 11 de Abril, e terá como convidado o sociólogo António Barreto, sendo o tema “Ainda e sempre a imigração”.

©CTA / A violência, o ódio e o sexismo dos irlandeses que sofreram na pele a pobreza e a desigualdade.

Ficha técnica e artística:

Texto: Tom Murphy
Encenação: Rodrigo Francisco
Interpretação: Adriano Carvalho, Duarte Guimarães, Erica Rodrigues, Guilherme Nini, João Jesus, José Redondo, Pedro Walter e Rúben Gomes
Tradução: Lourenço Macedo
Cenografia e Figurinos: Dino Alves
Desenho de Luz: Guilherme Frazão
Duração: 2h15
Classificação: M/16

Preço: 13€ (Clube de Amigos: entrada livre)

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Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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