Caparica | Mariana Mortágua defende reforço dos transportes públicos

Almada padece de um “problema muito grave”, com as pessoas que aqui vivem a “não conseguirem aceder a partes do concelho sem recorrer a automóvel privado”

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A frase é da coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, que viajou ontem, 4 de Dezembro, da estação do Pragal até à estação da Universidade, utilizando o Metro Sul do Tejo, em defesa do reforço dos transportes públicos.

Mariana Mortágua lamentou que o Governo, em vez de investir no metro sul do Tejo, “uma opção de transporte colectivo ambientalmente sustentável”, invista no alargamento do IC20. “Ninguém questiona que o IC20, que liga Almada à Costa da Caparica, tem de ter condições de segurança, mas há uma escolha estratégica e há um sinal que o Estado dá ao país, quando diz que em vez de investir em mobilidade colectiva e pública, como é o caso do metro, prefere aumentar o número de faixas para os automóveis privados, numa zona do país que não tem acessibilidade por transporte público”, avançou a coordenadora do Bloco.

Mariana Mortágua apontou a importância do investimento público no Metro Sul do Tejo, mas, mais do que isso, frisou que “há uma medida que faz a diferença em política ambiental: transportes públicos”.

Em declarações aos jornalistas, a dirigente bloquista lembrou que o Governo prometeu estender o metro até à Costa da Caparica, o que representa uma “boa possibilidade de mobilidade, ambientalmente sustentável, e que “serve muito a população desta zona”. Mariana Mortágua defendeu esta extensão do metro à superfície, criticando a não concretização dessa promessa por parte do Governo. “Estamos na estação da Universidade que é o fim de linha do metro sul do Tejo, deixando milhares de pessoas sem transporte alternativo. O Governo tinha prometido estender o metro de superfície até à Costa da Caparica e essa promessa não foi cumprida”, criticou.

Recorde-se de que a Costa da Caparica, apesar de ser a segunda cidade do concelho de Almada, apenas é servida pela rede de transportes rodoviários da Carris Metropolitana. No inicío da operação desta transportadora na área 3, a Costa da Caparica foi das zonas mais afectadas com a supressão de horários nas horas de ponta e também no período nocturno, precisamente por não ter opções alternativas de transportes públicos. Esta situação tem vindo a regularizar-se ao longo do tempo, com a implementação da linha 3025, as linhas nocturnas 3706 e 3708, 3710 e 3703, estas últimas muito reinvindicadas pelos caparicanos aquando da sua supressão.

Só no dia 1 de Dezembro passado, Porto Brandão teve de volta a sua linha, a 3038, um ano e cinco meses depois da implementação no terreno da Carris Metropolitana, tendo estado nos últimos meses a ser servido por um Flexibus da CMA, para amenizar a supressão de transporte rodoviário naquela localidade, inexplicável até aos dias de hoje.

Recorde-se ainda que a extensão do metro à superfície foi uma promessa eleitoral de Inês de Medeiros, que lidera o actual executivo da Câmara Municipal de Almada (CMA). Foi a Costa da Caparica, juntamente com a Caparica / Trafaria e a Charneca da Caparica, que lhe deram a vitória eleitoral, com as alterações de voto verificadas nestas freguesias nas últimas eleições autárquicas. A promessa da extensão do metro à Costa da Caparica foi decisiva na alteração de muitos votos.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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