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CaparicaCiênciaMúsica

Caparica | Música e Ciência: Explorar o Cosmos

Uma experiência imersiva onde a ciência, a literatura e a música se encontram

6 de Março, 20256 de Março, 2025 Sofia Quintas
©OML / A Orquestra Matropolitana de Lisboa, leva ao auditório da NOVA FCT "Os Planetas" de Gustav Holst.

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Nesta Quinta-Feira 6 de Março, pelas 18h30, o Grande Auditório da NOVA FCT volta a acolher o evento “Música e Ciência: Explorar o Cosmos”. A entrada é livre.

O musicólogo Edward Ayres de Abreu, Director do Museu Nacional de Música em Mafra, é o orador convidado deste espectáculo imersivo, onde a ciência e a música se unem de forma singular. Ao lado do maestro Cláudio Ferreira, levam os espectadores numa viagem pelo Universo ao som de “Os Planetas“, do compositor britânico Gustav Holst (1874 – 1934).

Desde 2017 que a Orquestra Metropolitana de Lisboa tem vindo a desenvolver o projecto intitulado “Música e Ciência”, no quadro do qual já se apresentou em instituições de ensino superior de Norte a Sul do país. Com provas dadas, estas iniciativas proporcionam a divulgação simultânea da ciência e do repertório musical de tradição clássica, estimulando a convergência entre o raciocínio crítico e a contemplação estética.

A suíte orquestral “Os Planetas”, a composição mais conhecida de Gustav Holst realizada entre 1914 e 1916, invoca os corpos celestes numa perspectiva astrológica. Enquanto enredo musical, inspira-se na sugestão de que estes revelam dimensões ocultas das personalidades e relações humanas.

Em Holst, este interesse pela astrologia era primeiramente motivado por uma necessidade de conhecimento próprio, pois os seus ideais sagrados estariam relacionados com o budismo. Mas também foi alimentado por ligações pessoais com figuras ligadas ao teosofismo e ao ocultismo. Foram esses contactos que lhe deram a conhecer o livro “The Art of Synthesis” de Alan Leo, um dos pioneiros da astrologia moderna. Publicado em 1912, este livro dedica um capítulo a cada planeta, evocando as características do comportamento humano que lhe estão associadas. Foi, precisamente, esse o modelo adoptado por Holst, ao ponto de alguns dos títulos coincidirem na partitura, tal como a ordem correspondente das últimas quatro peças da suíte. A obra musical assemelha-se assim a um livro ilustrado.

Quando estreou, em 1918 na cidade de Londres, fazia eco dessa questão que então desafiava a ciência: o recurso da irracionalidade para a compreensão da existência. A discussão cingia-se sobretudo na cultura popular. Mas Gustav Holst trouxe-a para outro palco. O sucesso imediato, que se mantém ainda hoje, deveu-se em grande parte a uma simpatia ancestral que temos pela leitura do cosmos enquanto projecção de conhecimento.

A obra, é composta por sete movimentos, cada um inspirado nas características astrológicas e mitológicas dos planetas do sistema solar, excepto a Terra. A força marcial masculina, coragem e impulso bélico de Marte, o Portador da Guerra, é retratada pela música através de um imaginário guerreiro com recursos orquestrais que, entretanto, se tornaram arquétipos sonoros do cinema de acção. Já o universo feminino, imerso em tranquilidade, ternura e delicadeza de Vénus é transmitido em paisagens bucólicas musicais que respiram paz e veneração pela natureza. A vivacidade e a alegria de viver de Mercúrio é exultada com entusiasmo e prontidão musical. Na serenidade etérea de Neptuno, o Místico, a composição embarca num percurso sonoro repleto de contrastes, emoções e simbolismos. Em Júpiter, desponta um espírito afirmativo e solene sobre um discurso marcado pela esperança e pelo vislumbre de desfechos épicos. Chegados a Saturno, surge o momento de melancolia e de acentuado desalento, onde a melodia se estende no tempo, reflexo de fadiga e resignação. Tal como a Fénix, é das cinzas que floresce a fantasia aparatosa de Urano, com requintes orquestrais suspensos numa narrativa imaginária. Por fim, o pano encerra sob a égide de Neptuno, pairando no mistério de um espaço que nos transcende incomensuravelmente. A sugestão de aventura na exploração do desconhecido remata num ponto de interrogação que aponta ao futuro da Humanidade.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

"Música e Ciência", "Os Planetas", "The Art of Synthesis", Alan Leo, astrologia, Caparica, Ciência, comportamento humano, corpos celestes, Cosmos, Edward Ayres de Abreu, Grande Auditório, Gustav Holst, maestro Cláudio Ferreira, Monte da Caparica, Música, musicólogo, NOVA FCT, orador, Orquestra Metropolitana de Lisboa, relações humanas

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