Direcção da Casa da Dança demite-se em divergência com a CMA
Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro deixam funções no final do ano. Autarquia rejeita acusações de mudança de posição e invoca impedimentos legais.
A Casa da Dança de Almada e a Transborda – Mostra Internacional de Artes Performativas, vão perder a sua direcção artística no final de Dezembro de 2026. Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro anunciaram a saída após seis anos à frente do projecto, alegando uma alteração na relação institucional com a Câmara Municipal de Almada (CMA), que terá inviabilizado a continuidade do trabalho a partir de 2027.
Segundo avançou o jornal Público, a decisão surge na sequência de divergências relacionadas com o apoio municipal necessário à candidatura da Casa da Dança ao Programa de Apoio Sustentado da Direção-Geral das Artes (DGARTES) para o biénio 2027-2028. O departamento de Cultura da autarquia informou a Casa da Dança “da impossibilidade legal de emitir uma declaração de apoio financeiro futuro nos termos solicitados”.
A direcção cessante considera que uma reunião realizada em Agosto passado marcou uma mudança significativa na relação com a autarquia, deixando de estar reunidas as condições institucionais para prosseguir o projecto. Era necessário uma declaração de apoio por parte da CMA, para que pudessem candidatar-se ao programa da DGARTES.
A Câmara Municipal de Almada contesta, porém, esta interpretação. Em esclarecimento ao Público, afirma que não houve qualquer mudança de posição, mas apenas o cumprimento dos procedimentos legais e a avaliação da execução dos protocolos existentes.
A autarquia explica que o protocolo de apoio financeiro termina a 31 de Dezembro de 2026, e que não poderia assumir compromissos para os anos seguintes sem uma deliberação prévia do executivo municipal. Acrescenta que a eventual renovação do protocolo estava em análise, e que a documentação apresentada era insuficiente, apontando falhas no relatório de contas entregue.
O município recorda ainda que o protocolo para 2025-2026 previa um apoio financeiro global de 200 mil euros, além da cedência gratuita de instalações municipais (Ponto de Encontro, Casa da Juventude de Almada situada em Cacilhas), e reconhece o mérito do trabalho desenvolvido pelos responsáveis artísticos. No entanto, afirma que existe um declínio gradual ao longo dos anos do público da Transborda.
Ao longo de seis anos, a Casa da Dança e a Transborda promoveram 52 espectáculos, 92 residências artísticas e dezenas de oficinas e laboratórios, envolvendo um público estimado de 11.500 pessoas.
Apesar das divergências, a programação prevista mantém-se até Dezembro. O futuro da Casa da Dança e da Transborda a partir de 2027 permanece por esclarecer, levantando questões sobre a continuidade dos dois projectos. Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro dizem ir trabalhar fora de Portugal a partir dessa data.
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