MP acusou PSPs de terem espancado arguido dentro do Tribunal de Almada
O caso remonta a 24 de Fevereiro de 2025, quando um jovem, com cerca de 20 anos, e três polícias estavam no átrio do tribunal, antes do processo sumário por supostos insultos na véspera
O Ministério Público (MP) acusou três PSPs de vários crimes, por terem alegadamente espancado um arguido dentro do Tribunal de Almada e falsificado o auto da detenção do jovem, para fazer crer que este os tentara agredir primeiro.
Quando o subcomissário se encontrava dentro da sala de audiências, os dois agentes ter-se-ão apercebido, no átrio do tribunal, que o arguido estaria a dançar. De acordo com a acusação, o principal arguido terá então, de imediato, esbofeteado e esmurrado o jovem, antes de, com a ajuda do outro agente o imobilizar no chão, dando-lhe então novamente dois socos, na cabeça. Pelo meio, o agente principal terá ainda comparado o jovem, por gestos, a um macaco, enquanto exigia respeito.
Já depois de terem todos entrado na sala de audiências e abandonado o julgamento, o mesmo arguido terá, a caminho do elevador, ameaçado o ofendido, já sob detenção e algemado. Dentro do elevador, com o subcomissário presente e perante uma juíza e uma procuradora, terá esbofeteado mais uma vez o jovem, que acabou por ser conduzido à esquadra.
Para o MP, tal configurou uma detenção ilegal, com o conteúdo do auto a ser falsificado, para fazer crer que as agressões por parte dos polícias surgiram como resposta a supostas ameaças e tentativas de agressão pelo detido.
O episódio no átrio foi registado na totalidade pela videovigilância do Tribunal de Almada.
A 30 de Abril, fonte da PSP adiantara à Lusa que um dos polícias tinha sido suspenso de funções pelo juiz de instrução, enquanto decorria a investigação, tendo-lhe sido também instaurado internamente um processo disciplinar.
Segundo a acusação, à qual a Lusa teve acesso, o principal arguido é um agente principal da PSP de 56 anos, ao qual foram imputados dois crimes de ofensa à integridade física qualificada, um de sequestro agravado, um de falsificação ou contrafacção de documento agravado, um de ameaça agravada e um de injúria agravada.
Os restantes arguidos são um agente da PSP de 33 anos, acusado de dois crimes de ofensa à integridade física qualificada, um de sequestro agravado e outro de falsificação ou contrafacção de documento agravado, e um subcomissário de 26, superior hierárquico dos outros dois agentes, suspeito de um crime de ofensa à integridade física qualificada e outro de falsificação ou contrafacção de documento agravado.
Na altura, o à data juiz presidente da Comarca de Lisboa, à qual pertence o Tribunal de Almada, defendeu que em causa está “uma situação que não prestigia a Justiça”, mas que “felizmente é pontual”. “Não temos nenhum [outro] caso que se compare”, garantiu Artur Cordeiro, sublinhando que a situação “foi tratada imediatamente”.
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