Chefes demissionários do Serviço de Urgências do HGO continuam em funções

Líderes das urgências demitiram-se no final de Outubro por entenderem que não estão garantidas as condições mínimas de segurança "na maior parte dos turnos"

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Os chefes de equipa do Serviço de Urgência Geral (SUG) do Hospital Garcia de Orta (HGO) que estão demissionários, asseguram funções até à substituição dos seus cargos, esclareceu ontem, 22 de Novembro, a unidade hospitalar.

Os chefes das urgências apresentaram demissão no final de Outubro por considerarem que não estão “presentemente asseguradas as condições mínimas de segurança na maior parte dos turnos de SUG para os utentes que recorram a este serviço, nem para os profissionais que integram esta escala”.

Os signatários da carta de demissão apontam também “erros de escala, faltas de comparência de prestadores escalados e as escalas completadas com internos mais novos, maioritariamente internos da formação geral, muitas vezes apenas em regime parcial”.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a administração do HGO, garante que os chefes de equipa mantêm-se em funções até serem substituídos e “que os seus profissionais continuam a prestar os melhores cuidados à população que servem”.

“O diálogo com as chefias é constante e o Conselho de Administração do HGO tem colmatado os constrangimentos identificados pelos profissionais, implementando um conjunto de medidas para melhorar e optimizar o funcionamento do SUG”, refere o conselho de administração.

Na nota, o HGO destaca a criação, este ano, de uma equipa fixa de urgência, composta por quatro internistas, a funcionar nos dias úteis, das 9h às 17h e, a retoma do funcionamento do Serviço de Urgência Verdes e Azuis, como forma de diminuir a pressão do SUG e garantir, simultaneamente, melhor resposta às situações verdadeiramente urgentes e emergentes.

Por outro lado, adianta que acresce a abertura do Serviço de Observação de Psiquiatria, destinado a doentes com patologia do foro da saúde mental, que permite igualmente, aliviar a pressão nas equipas.

No mesmo comunicado, o HGO apela à “utilização racional dos serviços de urgência para facilitar o acesso de utentes que se encontrem em situação grave, emergente e urgente”, indicando à população de Almada e do Seixal que, “em caso de doença aguda, contacte primeiro a linha SNS 24 (808 24 24 24), que se aconselhe com o médico assistente ou contacte o seu Centro de Saúde, para uma assistência de maior proximidade.” Quanto aos utentes sem médico de família, o hospital refere que poderão recorrer às Vias Verdes Almada e Seixal.

Ordem dos Médicos muito preocupada

A resposta do hospital surge depois de a Ordem dos Médicos (OM) ter classificado como “muito grave” a situação na urgência do HGO. Em comunicado, o presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos manifestou-se preocupado com a situação, referindo que esteve reunido na Terça-Feira, 21 de Novembro, com a administração do hospital na sequência da demissão dos chefes de equipa de urgência.

Paulo Simões reuniu-se também com os chefes de equipa de urgência e com os representantes da Comissão de Internos e disse que, dessas reuniões, “saiu uma forte preocupação com a situação no serviço de urgência, que funciona com equipas abaixo dos mínimos estabelecidos pela Ordem dos Médicos e com o recurso excessivo a médicos internos”. Esta situação, acrescenta a OM, prejudica a qualidade da medicina prestada às populações e a formação dos internos.

“A Ordem dos Médicos está muito preocupada com a formação dos internos. O que está a acontecer neste hospital prejudica seriamente essa formação, como afirmaram os representantes dos internos, que não se vêem no futuro a trabalhar no HGO por entenderem que faltam condições para um exercício de medicina de qualidade”, acrescenta a OM em comunicado.

“O recurso a serviços externos, que pode resolver pontualmente uma ou outra falha da escala, tem um impacto significativo na estrutura e coesão das equipas e promove a sua desintegração, problema que é comum a vários hospitais e que aumenta os riscos de segurança para os doentes”, adianta a OM.

À administração do Hospital Garcia de Orta, Paulo Simões diz ter alertado também para o risco da assistência aos doentes poder falhar a qualquer momento.

Para o presidente do Conselho Regional do Sul, “a situação que levou à demissão dos chefes de equipa de urgência é muito grave”. Neste contexto, Paulo Simões entende que o ministro da tutela e o director-executivo do Serviço Nacional de Saúde deveriam já ter tido uma acção neste problema, transversal à maioria dos serviços de urgência da região Sul.

Paulo Simões diz “não compreender o discurso optimista do ministro da Saúde”, quando considera “existir um risco sério de as pessoas não serem devidamente assistidas, porque encontram os médicos exaustos e sem equipas para sustentar uma medicina que esteja à altura das necessidades.”

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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