A Liberdade como fio conductor do Festival de Música dos Capuchos

De 29 de Maio a 21 de Junho, a edição deste ano celebra os 50 anos do 25 de Abril

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No Domingo, 14 de Abril, no Auditório do Convento dos Capuchos, foi apresentada a programação para a edição deste ano do Festival de Música dos Capuchos (FMC). Esta será uma edição especial, que celebra o cinquentenário do 25 de Abril, inspirando-se nos ideais de Liberdade ao longo da História da Música.

De 29 de Maio a 21 de Junho, o Convento dos Capuchos volta a ser o centro da música, sendo palco de concertos com orquestras e músicos de renome mundial. O Festival “celebra os ideais de liberdade com uma programação que reafirma a missão de promover o acesso democrático à cultura”, disse à agência Lusa o pianista Filipe Pinto-Ribeiro, director artístico do FMC. “Seguindo o conceito identitário do Festival dos Capuchos, percorreremos um arco de cinco séculos de criação musical, da Renascença à música contemporânea, com a liberdade como denominador comum.”

Sobre a programação, Pinto-Ribeiro acrescentou que, “haverá concertos sobre a liberdade de compor, e de recompor, no século XVI, durante regimes dictatoriais; e na actualidade, com novas obras baseadas em canções revolucionárias. Teremos ainda jazz, concertos dedicados a compositores que foram e são símbolos de liberdade, como Paganini, Chopin e Schostakovich.”

O Festival tem este ano como destaques os concertos de estreia em Portugal de três agrupamentos da vanguarda musical europeia: a Orquestra Sinfónica de Paris “Consuelo”, sob a direcção de Victor-Julien Laferrière, que abrirá o FMC com obras de Beethoven “poderosa obra-prima que evoca a luta contra adversidades e o triunfo da liberdade, no dia 29 de Maio às 21h, no Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB); o Paganini Ensemble de Viena; e a Orquestra de Câmara de Berlim “Metamorphosen”.

Esta Orquestra de Câmara, tem como solista o violoncelista Wolfgang Emanuel Schmidt, que também a dirigirá, actua no dia 16 de Junho, às 18h, no Teatro Municipal Joaquim Benite, apresentando um programa com a Serenata, de Edward Elgar; o Concerto para Violoncelo e Orquestra N.º 1, de Joseph Haydn; e a Serenata, de Pyotr Tchaikovsky.

O Paganini Ensemble interpreta dia 7 de Junho, às 21h, no Convento dos Capuchos, um programa constituído pelo Quarteto N.º 1, o Terzetto e “La Campanella”; e o Quarteto N.º 9, todos de Niccolò Paganini.

Entre os grandes solistas internacionais que vão estar nos Capuchos, destaca-se a pianista Elisabeth Leonskaja, que oferece um recital no Convento dos Capuchos no dia 1 de Junho, com peças de Mozart, Webern, Schubert e Beethoven; a violinista alemã Carolin Widmann; o violoncelista suíço Christian Poltéra e; o jovem pianista ucraniano Roman Fediurko, vencedor do prestigiado Concurso Internacional Horowitz no ano passado, que vai interpretar obras de Chopin, neste que será o seu concerto de estreia em Portugal.

A presença nacional vai estar a cargo de agrupamentos de referência, entre os quais o Schostakovich Ensemble e o ensemble renascentista Arte Minima, e de músicos como o pianista Júlio Resende com o seu Fado Jazz Ensemble, que apresentará o seu último álbum “Filhos da Revolução” no dia 14 de Junho, no Auditório Fernando Lopes-Graça.

O maestro Martim Sousa Tavares que dirige a a ópera “Na Colónia Penal”, de Philip Glass com encenação de Miguel Loureiro, director do Teatro São Luiz, e movimento de Miguel Pereira, numa produção da estrutura O Rumo do Fumo. A apresentação desta ópera, com libreto de Rudolph Wurlitzer, baseado no conto homónimo de Franz Kafka, “permite traçar um paralelo com a terrível memória da Colónia Penal do Tarrafal, o campo de concentração criado em 1936 pelo Estado Novo”.

No dia 8 de Junho, às 21h, é apresentado nos Capuchos o recital de violino e piano, “Change: Grândola e Outras Canções Revolucionárias”, por Elsa de Lacerda (violino) e Nathanaël Gouin (piano). Este recital parte de uma iniciativa da violinista belga lusodescendente Elsa de Lacerda, que começando por “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, encomendou a compositores belgas e franceses obras que revisitam célebres canções que inspiraram ou reflectiram momentos de revolução e de resistência, como “Independance Cha Cha”, “Strange Fruit”, “Apesar de Você” ou “Bella Ciao”, e deram origem ao álbum “Chance”, saído no ano passado, e apresentado no festival. Neste recital serão interpretadas peças de Gwenaël Grisi, Fabian Fiorini, Benoît Mernier, Harold Noben, Apolline Jesupret, Alexander Gurning e Nathanaël Gouin.

Na composição, o destaque vai para obras de Beethoven, Mozart, Haydn, Schubert, Chopin, Paganini e Schostakovich. É ainda de realçar a estreia mundial de uma nova obra, dedicada a Natália Correia e ao 25 de Abril, da autoria da premiada compositora portuguesa, residente em Nova Iorque, Andreia Pinto Correia.

António Mega Ferreira, um dos maiores vultos da cultura e do pensamento portugueses do pós-25 de Abril, será homenageado com um concerto póstumo, que conta com uma antologia de textos seleccionados especialmente para esta ocasião por um grupo de personalidades que acompanharam a sua vida e obra, como o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, a museóloga Simonetta Luz Afonso, o conselheiro do Centro Nacional de Cultura Guilherme d’Oliveira Martins, os jornalistas João Paulo Velez, José Carlos de Vasconcelos e Margarida Pinto Correia, o director cultural da Fundação EDP,  José Manuel dos Santos, a escritora Patrícia Reis, a presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros, entre outros. A poetisa Filipa Leal e o actor Pedro Lamares lerão estes textos. Filipe Pinto-Ribeiro interpretará música da predileção de Mega Ferreira, o ciclo para piano “Quadros de uma Exposição”, de Modest Mussorgsky, que “é uma das mais belas homenagens póstumas, uma obra-prima composta por Mussorgsky em memória do seu amigo, o pintor e arquiteto Viktor Hartmann”, explica o pianista.

O ciclo das “Conversas dos Capuchos“, com curadoria e moderação de Carlos Vaz Marques, será dedicado a três efemérides literárias de 2024: o centenário da morte de Franz Kafka, o centenário do nascimento de Sebastião da Gama e os 500 anos de Luís Vaz de Camões As conversas terão a a presença de convidados como Alberto Manguel, José Carlos Seabra Pereira, Maria Bochichio, Nuno Amado, José Gardeazabal e Viriato Soromenho-Marques.

Dando continuidade a uma iniciativa que marcou a edição de 2023 do FMC, está planeado um conjunto de actividades de formação e sensibilização: palestras pré-concerto denominadas “Prelúdios dos Capuchos“, com moderação de João Almeida, director da Antena 2; uma visita ao património cultural do Convento dos Capuchos, edificado por vontade do aristocrata Lourenço Pires de Távora, em 1558; uma caminhada na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, onde está inserido o convento franciscano; e as “Masterclasses dos Capuchos”, que consistem em aulas abertas destinadas a jovens músicos, orientadas por professores dos Conservatórios de Leipzig, na Alemanha; Lucerna, na Suíça; e Helsínquia, na Finlândia.

A programação reafirma o Festival de Música dos Capuchos como evento cultural de referência à escala nacional e internacional. Continuando o propósito do FMC, de promover o acesso democrático à Cultura, os bilhetes têm valores entre 10 e 17 euros, com diversos descontos e assinaturas, e encontram-se à venda no Convento dos Capuchos e no Auditório Fernando Lopes-Graça, bem como nos locais habituais. As demais atividades do FMC são de entrada gratuita.

O programa detalhado do Festival pode ser consultado aqui.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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