Pragal | Bebé de 18 meses morre esquecida em viatura escolar
Pj encontra-se a investigar o caso
Uma bebé de um ano e meio morreu na passada Quinta-Feira, 23 de Julho, depois de ter sido esquecida numa viatura de cinco lugares, utilizada no transporte de crianças entre os vários polos do Colégio Mestre Cuco, no Pragal. A Polícia Judiciária (PJ) encontra-se a investigar o caso.
O alerta foi dado às 15h53 para uma criança em paragem cardiorespiratória, estado considerado muito grave, na Avenida do Cristo Rei. Segundo fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP), a criança foi recolhida cerca das 8h da manhã por uma viatura pertencente a uma funcionária, identificada com dístico de transporte escolar, que assegurava o transporte para o colégio, mas acabou por permanecer no interior do veículo durante cerca de oito horas. A criança deveria ter sido transportado para o polo do berçário que frequentava, mas ficou esquecida no interior da viatura, estacionada junto à creche do colégio.
De acordo com a mesma fonte, a ausência da criança só foi detectada quando a mãe a foi buscar, antes das 16h. Responsáveis da creche só se aperceberam do que tinha acontecido quando a mãe perguntou pela Sofia. Os responsáveis entraram de imediato em contacto com o berçário, que os informou de que a menina não tinha sequer dado entrada. Funcionárias da creche deslocaram-se então à viatura, estacionada na Avenida do Cristo Rei, e retiraram do seu interior a menina já inanimada.
O alerta chegou através do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a corporação Bombeiros Voluntários de Cacilhas (BVC) demorou cerca de cinco minutos a chegar ao local. O INEM adiantou à Lusa que também foram mobilizados para o local uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Garcia de Orta (HGO) e a Unidade Móvel de Intervenção Psicológica de Emergência (UMIPE).
À chegada, as equipas de socorro constataram que o vidro do veículo tinha sido partido, e iniciaram de imediato manobras de reanimação. Apesar do esforço das equipas “não foi possível reverter a situação, tendo o óbito sido verificado no local”, informou o INEM, que manteve no local uma equipa a prestar apoio psicológico às funcionárias, alunos e encarregados de educação.
“Com o sol ali a bater [no carro], as temperaturas aumentam para os 40 ou 50 graus”, disse o comandante dos Bombeiros de Cacilhas, Jorge Cardoso, lamentando “uma tragédia grande” que deixou os próprios operacionais consternados.
A investigação da PJ incide agora sobre as circunstâncias em que a criança permaneceu no interior da viatura, incluindo as temperaturas atingidas no veículo, o cumprimento dos protocolos de transporte e entrega das crianças, e as eventuais responsabilidades dos vários intervenientes.
Uma equipa da polícia científica esteve no local a realizar perícias e a viatura foi apreendida e removida para exames periciais.
Em declarações à SIC Notícias, o ex-inspetor-chefe da Polícia Judiciária César Afonso defendeu que o inquérito não se deve limitar à eventual negligência de quem transportava a criança. Será necessário, afirmou, reconstituir toda a sequência de procedimentos, desde o transporte até à chegada ao colégio, para apurar se houve falhas nos deveres de cuidado e no cumprimento dos protocolos.
O corpo de Sofia foi transportado para o Instituto de Medicina Legal, em Lisboa, pouco antes das 19h. O colégio permanecerá encerrado nesta Sexta-Feira. O caso está a causar grande consternação local e nacional dada a sua natureza e desfecho.
Como prevenir o esquecimento de uma criança no carro
De acordo com a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), esquecer uma criança no carro pode acontecer a qualquer pessoa, mas da análise de mais de mil casos, mais de metade aconteceu com quem cuidava delas.
O esquecimento pode estar relacionado com uma alteração da rotina, uma noite mal dormida, stress, pressa ou uma distração. Quando o cérebro segue um percurso habitual, pode assumir que uma tarefa já foi cumprida, mesmo quando isso não aconteceu.
Reconhecer esta vulnerabilidade não diminui a responsabilidade dos adultos. Pelo contrário, ajuda a criar rotinas de segurança capazes de impedir que uma falha de memória tenha consequências irreversíveis.
Existem vários hábitos simples podem fazer a diferença, como verificar sempre os bancos traseiros antes de sair e trancar o veículo, mesmo quando acredita que não transporta ninguém; colocar no banco traseiro um objecto de que vai precisar ao chegar, como uma mala, uma pasta ou o cartão de acesso ao trabalho. Quando transportar uma criança, pode também colocar um objecto visual no banco dianteiro, como um brinquedo, para recordar que o lugar traseiro está ocupado. Combine com a creche, escola ou pessoa cuidadora que deve contactá-lo caso a criança não chegue à hora prevista. Evite alterações improvisadas na rotina, ou caso existam, confirme expressamente quem vai transportar e entregar a criança. Utilize os alertas de ocupação dos bancos traseiros, quando o veículo disponha dessa função, mas esta deve funcionar como apoio e não substituir a verificação visual. Tranque sempre o automóvel quando não estiver a ser utilizado e mantenha as chaves fora do alcance das crianças.
Também fundamental é ensinar, desde cedo, que o automóvel não é um local para brincar. Uma criança pode entrar num veículo destrancado e não conseguir voltar a sair.
Ainda de acordo com a PRP, se encontrar uma criança sozinha fechada dentro de um veículo, deve agir de imeadiato. Não espere que o responsável pela criança regresse. Ligue para o 112 e siga as instruções que lhe forem dadas.
O que diz a legislação
A lei sobre o transporte colectivo de crianças, aprovada em 2006, estabelece que é obrigatório que os veículos utilizados nessa função, sejam autocarros, carrinhas ou simples automóveis (como neste caso), tenham uma licença própria. Também os motoristas são obrigados a ter uma certificação específica, que se obtém junto do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).
De acordo com a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), que cita estudos internacionais, a temperatura dentro de um carro pode aumentar entre 10 e 11 ºC em dez minutos e “ultrapassar rapidamente os 50 ºC” em dias particularmente quentes. De nada adianta abrir um pouco as janelas ou estacionar à sombra, e sublinha que nem por breves minutos se deve deixar uma criança dentro de um carro.
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