Almada | 476 pessoas retiradas de casa, 225 alojadas pela autarquia
Gabinete de apoio aos afectados pelas intempéries vai ser instalado na Junta de Freguesia da Trafaria
O total de habitantes retirados de suas casas já soma 476, desde que o concelho está a registar deslizamentos de terras devido ao mau tempo. Destas, 225 estão alojadas provisoriamente pela autarquia, segundo dados oficiais.
Uma creche, de uma Instituição Particular de Solidariedade Social, instalada em Santo António da Caparica recebeu indicação dos Serviços Municipais da Proteção Civil (SMPC) de Almada para não abrir o espaço exterior. Inês de Medeiros, presidente da Câmara Municipal de Almada declarou que “foram dadas indicações que deveria encerrar” nesta Quarta-Feira.
Francisca Parreira, vereadora da Câmara Municipal de Almada (CMA) responsável pelo pelouro da Proteção Civil, declarou à RTP que “É importante dizer a verdade às pessoas. É o terceiro episódio que ocorre nesta área, nesta zona de arriba. A arriba está muita sensível, sujeita a imensa pressão e aquilo que verificámos em termos de perímetro de segurança – que foi entretanto alargado – é que não há condições de estabilidade desta arriba para que as pessoas possam aqui permanecer”. Acrescentou que “desde o dia 4 de Fevereiro que a arriba fóssil na Costa da Caparica é avaliada ciclicamente”.
Segundo fonte do município, vai ser criado um gabinete de apoio às pessoas afectadas pelas intempéries, que será instalado na Junta de Freguesia da Trafaria.
Entretanto, adianta a mesma fonte, técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) visitaram as zonas afectadas, nomeadamente a Azinhaga do Formozinhos/Porto Brandão e a arriba fóssil desde Santo António a S. João da Caparica.
Em relação à Azinhaga dos Formozinhos, a autarca declarou hoje à TSF que “existe um grande monte de terra que está a deslizar e as casas estão todas a partir”. Inês Medeiros pede que o Governo reconheça esta “situação terrível de calamidade”, para que o concelho tenha acesso aos fundos de reconstrução. “Estamos com drones em permanência, mas mesmo com monitorização é difícil prever onde é que o deslizamento, numa extensão tão grande, pode acontecer”.
Numa mensagem publicada na sua página da rede social Facebook, a presidente da Câmara de Almada (CMA), Inês de Medeiros, revelou que as equipas estão no terreno para avaliar os riscos futuros de desabamentos depois de as terras secarem. “O perigo mantém-se”, alertou a autarca, frisando que o município está “em todas as frentes para evitar uma tragédia maior”.
Assinalando que “as respostas de emergência são temporárias”, Inês de Medeiros avisou que “não podem faltar medidas governamentais excepcionais, que garantam soluções definitivas de habitação, apoio à reconstrução e salvaguarda dos investimentos e postos de trabalho”.
“Estamos a fazer um levantamento para perceber quantas [pessoas] não têm mesmo nenhuma outra alternativa. Estamos em conversações com a secretária de Estado da Habitação para tentar arranjar uma solução digna. Vamos começar a falar com as pessoas individualmente, até agora tem sido uma situação de emergência, para que ninguém saia ferido e não haja nenhuma tragédia. Agora vamos começar a ver caso a caso. É urgente que o Governo reconheça a situação terrível de calamidade que se está a viver em Almada”, disse ainda Inês de Medeiros à TSF.
Na Segunda-Feira passada, durante a reunião da CMA, a autarca admitiu que muitas das pessoas que tiveram de sair das suas habitações devido ao deslizamento de terras na sequência do mau tempo, não conseguirão regressar às casas.
Desde o início das tempestades que assolaram o território português, o concelho de Almada tem registado vários deslizamentos de terras nas arribas da Costa da Caparica, Porto Brandão e Olho de Boi.
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