Almada na corrida a Capital Portuguesa da Cultura 2028

Município apresenta publicamente a sua candidatura no Sábado 19 de Setembro, às 18h, no Salão de Festas da Incrível Almadense

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A cidade de Almada formalizou a sua corrida ao título de Capital Portuguesa da Cultura para o ano de 2028. O anúncio oficial e a respectiva apresentação pública do projecto decorrem no Sábado 19 de Setembro, pelas 18h, num evento aberto à comunidade, no icónico Salão de Festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA).

A sessão será liderada pela presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros, que detalhará as grandes linhas artísticas e as orientações estratégicas desenhadas para o concelho. O plano baseia-se na Estratégia Municipal para a Cultura de Almada 2026-2034, que visa colocar a actividade cultural e criativa como o motor central do desenvolvimento económico, social e da coesão do território almadense para a próxima década.

Tendo como lema “Todos, em Todos os Lugares, em Todos os Tempos”, a candidatura pensada e projectada internamente pela autarquia, visa a criação de laços com todos os que trabalham e contribuem para a vida cultural, a começar por todas as associações, ou seja o trabalho em rede e em parcerias,

Em declarações à agência Lusa, Inês de Medeiros, explicou que durante o processo de criação da estratégia cultural de Almada, aprovada recentemente nas reuniões da CMA e da Assembleia Municipal de Almada (AMA), a autarquia percebeu que, apesar de o concelho ter uma grande riqueza cultural ao nível do movimento associativo, existia pouca interligação entre os vários agentes.

A candidatura, adiantou, nasce assim não só da vontade de dar a conhecer a riqueza cultural de Almada “mas também de permitir unir as várias prácticas culturais, as várias associações, os vários agentes culturais que não se conhecem” e ainda reabilitar “algumas instituições ou salas que são fundamentais” para o concelho.

“No fundo a nossa candidatura é toda virada para isso, fazer o movimento associativo entrecruzar-se”, acrescentou Medeiros.

Segundo a autarquia, o movimento associativo de Almada com raízes em meados do século XIX é composto por associações, cooperativas e colectivos que criaram espaços de solidariedade, participação e cidadania, que resistiram a regimes e a crises, aos quais se juntaram projectos recentes, uma diversidade que considera ser um dos maiores recursos da cidade.

Ao escolher “confluência” como palavra-chave, o município defende uma aposta na aproximação de associações históricas e novos colectivos, cruzando gerações e comunidades, e colocando em diálogo prácticas enraizadas e novas linguagens artísticas.

“Almada cresceu de 70 mil para 200 mil habitantes em poucas décadas, tornando-se num dos concelhos mais densos do país numa área metropolitana marcada por intensos fluxos pendulares”, refere a autarquia, considerando que a aceleração dos ritmos de vida, o anonimato urbano e a crescente mediação digital podem fragilizar vínculos de proximidade e contribuir para experiências de isolamento e alienação.

A CMA sustenta ainda que o projecto pretende, através da colaboração, da coprodução e da capacitação, reforçar a autonomia dos agentes, a partilha de recursos e o estabelecimento de novas parcerias e redes, criando condições para que este ecossistema se fortaleça para além de 2028.

Por outro lado, adianta a autarquia, a candidatura aposta na coesão territorial, alargando oportunidades a diferentes lugares e populações do concelho, do Monte da Caparica à Trafaria, da Costa da Caparica ao Pragal, fortalecendo vínculos, promovendo a criatividade e a pertença, e abrindo espaços de encontro num quotidiano marcado pela velocidade.

“O objectivo é que o legado da Capital Portuguesa de Cultura não seja um edifício ou um festival, mas a capacidade de continuar a confluir, com uma rede mais densa de relações entre agentes, um território onde qualquer pessoa pode ser coautora da sua vida cultural e um modelo de cooperação que sobreviva a Almada 2028”, sustenta.

O projecto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em Dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, que retomou a ideia do início do século, quando foram capitais nacionais da cultura Coimbra e Faro. A primeira edição teve lugar em Aveiro em 2024, a segunda em Braga em 2025, e Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é a cidade de 2026. Évora será a cidade eleita para 2027.

Em Janeiro, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, anunciou que o projecto iria continuar em 2028. O prazo de candidaturas iniciou-se a 30 de Abril, e tem um prazo de 150 dias.

Este modelo concursal relançado pelo Governo, desafia as autarquias do país a desenharem programas artísticos integrados, disponibilizando ao município vencedor uma dotação financeira global de um milhão de euros — financiamento assegurado em partes iguais pelas tutelas da Cultura e do Turismo.

A corrida para o título de 2028 promete ser disputada, uma vez que Almada enfrenta a concorrência directa de outras cidades de peso, tais como Amarante, Guarda, Leiria e Setúbal.

O veredicto final está nas mãos de um júri independente, presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, e com mais três membros indicados pelos ministérios da Cultura, Turismo e Administração Local – Álvaro Covões, Sara Barriga Brighenti e Carla Barros – que irá avaliar as propostas submetidas As dimensões avaliadas pelo júri são: o contributo para a estratégia cultural de longo prazo do município; a qualidade, coerência e inovação do programa cultural e artístico; a capacidade de execução e sustentabilidade financeira; o potencial de legado cultural, social e económico; e o modelo de governação. 

A Capital Portuguesa da Cultura visa a valorização estratégica da cultura como factor de desenvolvimento sustentável, a coesão territorial e projecção externa das cidades. A iniciativa pretende promover a diversidade cultural, aumentar o sentimento de pertença a um espaço cultural comum, e fortalecer o contributo da cultura para o desenvolvimento económico e urbano a longo prazo. 

A decisão oficial, que apontará a cidade sucessora a Ponta Delgada, será anunciada publicamente a 9 de Dezembro de 2026.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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