A Ciência da Esperança
Para mim, Esperança é uma mensagem de ação individual e coletiva, é acreditar que a mudança é possível.
Já estamos a meio de setembro, um mês normalmente agitado de regressos às rotinas, e escrevo sobre Esperança, que significa, certamente, coisas diferentes para pessoas diferentes. Para mim, Esperança é uma mensagem de ação individual e coletiva, é acreditar que a mudança é possível.
Sem esperança, a apatia ganha força e os desafios à conservação do nosso planeta parecem sempre maiores do que os recursos disponíveis.
Mas a Natureza dá sempre um sinal, envia sempre uma mensagem de Esperança, à medida que se recupera — desastre após desastre — das investidas humanas. A Esperança ajuda-nos a seguir em frente, passo a passo, mesmo quando os desafios parecem insuperáveis. E a Natureza ajuda-nos a aprender, adaptar e encontrar novos caminhos. A Natureza ajuda-nos a ter Esperança.
A importância da Esperança parece particularmente relevante neste momento, quando comunidades e ecossistemas em todo o mundo enfrentam calor extremo, inundações, secas, mega incêndios florestais e alterações nos padrões climáticos — muitos deles intensificados pelo ciclo do El Niño em desenvolvimento. Quero destacar a incrível coragem com que muitos de nós continuamos a enfrentar o status quo, agindo e sendo o exemplo na luta pela proteção do nosso mundo natural.
Os próximos meses oferecem oportunidades para criar impulso em prol de mudanças em nível global. Com a conclusão recente da COP171 e a futura realização da Assembleia Geral da ONU, da COP17 da CBD2 e da COP313 defenderemos com firmeza a implementação de acordos globais — algo que está muito aquém do necessário.
Com demasiada frequência, a perda de biodiversidade, as mudanças climáticas, a degradação da terra, a segurança alimentar e o bem-estar humano, são tratados como desafios isolados, com agendas distintas, apesar das conexões óbvias entre eles.
Também o lançamento da 16ª edição do relatório Planeta Vivo (Living Planet Report) da WWF, marcado para o início de outubro, será um marco importante na disseminação de uma mensagem de Esperança. A publicação de referência da ONG sobre a saúde do Planeta será, este ano, intitulada de “A Ciência da Esperança” (The Science of Hope) e transmitirá uma mensagem importante: Embora as populações de vida selvagem continuem sob forte pressão, as evidências mostram que a natureza pode recuperar e que as mudanças podem acontecer mais rapidamente do que muitos imaginam. A edição deste ano foca-se nos pontos de inflexão positivos, destacando a capacidade de recuperação da natureza e como podemos ajudar a promover a mudança transformadora necessária.
A Esperança não surge por si só. Ela nasce quando as pessoas se unem para defender as condições necessárias para a mudança e escolhem colaborar, inovar e seguir em frente, mesmo quando os desafios parecem avassaladores.
O mundo precisa de Esperança para acreditar que a mudança é possível.
- Conferências das Partes da ONU, focada no combate à desertificação, que teve lugar de 17 a 28 de Agosto de 2026 em Ulaanbaatar, na Mongólia. ↩︎
- Convenção da Diversidade Biológica, em português. ↩︎
- Cimeira climática da ONU, que se irá realizar de 9 a 20 de Novembro de 2026, em Antália, na Turquia, cujo foco será a implementação de metas climáticas, o seu financiamento, a transição justa e o avanço na electrificação e energias limpas. ↩︎



