Costa da Caparica | Arranca amanhã o Surf Fest 2024
Etapa determina campeões europeus e vagas no Challenger Series 2024
Há muito em jogo na Costa de Caparica, palco da última etapa do mundial europeu de qualificação. O Caparica Surf Fest 2024, que decorre de 26 a 30 de Março na praia do Paraíso, vai definir os campeões europeus e ainda as vagas para o Challenger Series (CS).
Há alguns portugueses em competição perto de obter bons resultados, como por exemplo Yolanda Hopkins Sequeira, que lidera o ranking feminino e está perto de voltar a conquistar o título europeu, Teresa Bonvalot que segue no top 4, ou Guilherme Ribeiro que também pode garantir um lugar no Challenger, em casa.
Esta é a 9.ª edição do evento, o que consolida a Costa da Caparica como uma das paragens obrigatórias para a World Surf League (WSL), graças aos vários quilómetros de beachbreak e uma grande variedade de condições para a práctica da modalidade.
“A realização desta prova demonstra que há uma consolidação e um interesse crescente. E por outro lado, há um equilíbrio, que estamos a conseguir. A nossa vontade é consolidar o mais possível esta parte competitiva, que é muito importante e agarra o público, porque tem um peso cada vez maior”, declarou hoje, 25 de Março, a presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros, durante a apresentação do Surf Fest, no Wot Costa da Caparica. A CMA contribuiu com 250 mil euros sob a forma de patrocínio para o evento e, cerca de 10 mil euros em apoio logístico.
Peso esse que se assume pelo facto de ser a última etapa do QS Europeu, o que traz associado decisões importantes. “Sendo o último evento do ano tem sempre o condimento extra para ver quem se vai qualificar e, como se vão qualificar para o Challenger”, acrescentou Frederico Teixeira, Event Manager da WSL para Portugal. Este é um evento de sucesso e já consolidado na lista das etapas europeias, de acordo com o responsável: “Portugal ocupa um dos lugares de destaque na região como motor para a promoção do surf.”
O Caparica Surf Fest conta ainda com uma forte presença portuguesa. A armada lusa é composta por 28 surfistas. “Dentro do portefólio de eventos que temos, os QS passam, às vezes, um pouco despercebidos, mas tornam possível que aquilo que é a massa crítica dos atletas tenham a oportunidade de crescer, como por exemplo aconteceu com a Yolanda Hopkins Sequeira, a Mafalda Lopes ou o Guilherme Ribeiro, que estão aqui presentes”, exemplificou ainda o mesmo responsável.
Este é, de resto, um evento com muita história, desde 2015. “Começámos por ser um Pro Júnior, o evento cresceu depois para um QS 1000, e agora 3000. E quem sabe se, de futuro, não chegamos a um nível de Challenger Series”, concluiu Frederico Teixeira.

Muitas decisões em jogo
Na Caparica estarão os melhores atletas europeus, à procura de vaga na fase que se segue. No masculino será uma etapa WQS 3000, enquanto no feminino, o 1.º lugar vale 1000 pontos. Quanto ao ranking, no masculino, há 7 vagas e um wildcard disponíveis para aceder ao CS.
No feminino, o top 4 (mais um wilcard) qualifica-se para a fase seguinte da competição. E este é um ranking liderado pela actual campeã europeia Yolanda Hopkins Sequeira, que nunca venceu na Caparica. “Este é um dos QS europeus que ainda não consegui ganhar e, tenho o sonho de chegar ao pódio e vencer. Gosto muito do ambiente aqui na Costa, é sempre muito acolhedor, por isso vou dar o meu melhor”, referiu a líder do ranking, que se encontra perto de revalidar o título de campeã europeia. Yolanda atravessa um bom momento, já que conquistou recentemente uma vaga nos Jogos Olímpicos de França, prova que vai decorrer em Teahupoo, no Taiti. “Era um objectivo que tinha desde os últimos Jogos, foi incrível estar em Tóquio e queria muito repetir. Adoro tubos, caem muito bem nas minhas ‘skills’ [risos]… Em Tóquio fiz um 5.º lugar, e tenho esperança de trazer a medalha para Portugal desta vez”, disse a surfista algarvia de 25 anos.
No top 10 feminino está ainda Teresa Bonvalot, no 4.º lugar, e Mafalda Lopes na 10.ª posição. A atleta da casa, que venceu a etapa em 2023, acredita que o segredo para essa vitória foi mesmo o trabalho. “Foram muitos anos a treinar na Costa, recomendo a 100 por cento este sítio para todos os atletas, iniciantes a profissionais… é super versátil. O segredo é trabalhar”, começou por dizer. Quanto à prova em casa, Mafalda não podia estar mais feliz: “Ser na Costa dá-me sempre uma confiança extra, esse foi o grande segredo. Fiquei muito feliz de ter aqui a minha família e amigos, foi uma vitória incrível”, disse Mafalda Lopes.
Quem também vai surfar em casa é Guilherme Ribeiro. O surfista da Caparica segue no 11.º lugar do ranking, mas está em condições de garantir matematicamente uma vaga para o CS. “Preciso mesmo desta etapa para me qualificar, cada ano que passa estou mais perto do sonho que é chegar ao Challenger. Este sinto que é o meu ano, o ano de brilhar em casa, mesmo com as condições difíceis, quero tirar um bom resultado em casa” afirmou o surfista da Costa de Caparica.
Para os próximos dias, esperam-se condições meteorológicas desafiantes, que irão por à prova a organização e os participantes, como explicou o director de prova, Hugo Pinheiro. “Vamos ter ondas, que é o principal. Vai ser difícil, vamos começar cedo todos os dias, vai ser desafiante não só para nós como para os atletas… vamos esperar sempre pelas melhores marés, e veremos dia a dia. Esperamos que Sexta e Sábado tenhamos as melhores condições para acabarmos o campeonato em grande”, esclareceu. A primeira call de dia 26 é às 6h30 e, espera-se um swell enorme e ventos fortes e desfavoráveis Provavelmente será um verdadeiro teste de resistência e adaptabilidade e, todas as opções estão sobre a mesa, incluindo heats duplos, onde duas baterias acontecem simultaneamente em dois picos diferentes, para maximizar cada janela de oportunidade.
Quanto aos portugueses em prova teremos assim na prova feminina 13 atletas: Maria Salgado, Érica Máximo, Camila Cardoso, Teresa Pereira, Gabriela Dinis, Beatriz Costa, Teresa Bonvalot, Ana Escudeiro, Mafalda Lopes, Francisca Veselko, Yolanda Hopkins, Maria Dias e Carolina Mendes. Na etapa masculina estarão em prova 15 portugueses: João Mendonça, Luís Perloiro, Martim Nunes, Afonso Pinto, Martim Fortes, Tiago Stock, Francisco Ordonhas, Jaime Veselko, Afonso Antunes, João Roque Pinho, Francisco Queimado, Joaquim Chaves, Martim Paulino, Francisco Almeida e Guilherme Ribeiro.
Além de ser uma etapa que assume uma extrema relevância para as contas do Challenger Series, o Caparica Surf Fest é ainda um verdadeiro festival, com uma série de eventos paralelos, desde aulas de surf grátis, a um espaço dedicado ao skate, o Go Chill Impact Zone, com uma competição de skate e aulas para todos os visitantes.
Presentes estarão centenas de atletas, nas modalidades de Surf, Bodyboard e LongBoard, repartidas por vários escalões masculinos e femininos. O público também costuma ser às centenas.

Rankings do Qualifying Series
Top 10 Masculino:
1 – Tiago Carrique (FRA)
2 – Charly Quivront (FRA)
3 – Maxime Huscenot (FRA)
4 – Marco Mignot (FRA)
5 – Gatien Delahaye (FRA)
6 – Kauli Vaast (FRA)
7 – Jorgann Couzinet (FRA)
8 – Joan Duru (FRA)
9 – Kai Odriozola (ESP)
10 – Kyllian Guerin (FRA)
Top 10 Feminino:
1 – Yolanda Hopkins (POR)
2 – Janire Gonzalez Etxabarri (ESP)
3 – Tessa Thyssen (FRA)
4 – Teresa Bonvalot (POR)
5 – Nadia Erostarbe (EUK)
6 – Camilla Kemp (DEU)
7 – Maud Le Car (FRA)
8 – Hina-Maria Conradi (FRA)
9 – Ariane Ochoa (EUK)
10 – Mafalda Lopes (POR)

