O Sol da Caparica arranca Quinta-Feira com medidas de poupança de água

O festival lusófono decorre de 13 a 16 de Agosto no Parque Urbano da Costa da Caparica, com mais sanitários químicos, redutores de caudal e lavagem de louça fora do concelho.

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A 11.ª edição do festival “O Sol da Caparica” arranca na Quinta-Feira 13 de Agosto, para quatro dias de música, dança e celebração lusófona, tendo a organização adoptado medidas para reduzir o consumo de água potável no recinto.

Em declarações à TSF, a presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros, adianta que as reservas estão perto dos 80% e que a água consumida durante os quatro dias de festival não vai comprometer o trabalho feito até agora.

“O sistema está mais ou menos estabilizado, ou seja, ainda não chegámos de forma consolidada aos 80% de reserva, e esse é o nosso objectivo, mas é nesse sentido que continuamos a trabalhar e que temos de continuar vigilantes”, acentuou a autarca.

Medeiros assegurou que, durante o festival, o consumo de água é “bastante baixo”, cerca de “700 metros cúbicos”, o que “não é nada para os quatro dias”.

Os eleitos do partido Chega na autarquia recomendaram o adiamento da iniciativa, na Assembleia Municipal de Almada (AMA), recusando que fossem desviados meios técnicos para o festival, enquanto o abastecimento de água na cidade não estivesse estabilizado a 100%. Para Inês de Medeiros, a proposta do Chega não tinha fundamentação.

“Antes de se fazer uma proposta, convém ter noção e o conhecimento devido para se fazer uma proposta dessa dimensão. Ainda bem que a Assembleia Municipal percebeu que a proposta não estava sequer devidamente fundamentada, nem correspondia a uma preocupação real. É típico desse partido criar medos e apreensões, sem sequer ter a preocupação de saber qual é a realidade”, atira.

André Sardet, director artístico do festival, explicou em declarações à agência Lusa que, desde que começou a organizar este evento, tem apostado na adopção de hábitos de sustentabilidade que este ano são reforçados.

O concelho de Almada, e em particular a Costa da Caparica, viveu recentemente uma crise no abastecimento de água que levou a autarquia a decretar situação de alerta no início de Julho, prolongando-a até 31 de Agosto.

Face a esta situação e “à importância de uma utilização responsável dos recursos hídricos”, a organização do festival “O Sol da Caparica” integrou na operação do evento um conjunto de medidas destinadas a reduzir o consumo de água potável da rede pública, salvaguardando simultaneamente as condições de hidratação, higiene e segurança no recinto.

“Desde que começámos a organizar ‘O Sol da Caparica’ que tentámos deixar hábitos de sustentabilidade”, disse Sardet, adiantando que este evento não provoca ruptura no consumo de água no território, consumindo 700 metros cúbicos na totalidade dos quatro dias, grande parte na rega do parque, que neste momento está desligada.

Entre as medidas agora adoptadas, explicou André Sardet, está o transporte de água não potável para o enchimento dos lastros das estruturas, evitando a utilização da rede pública de Almada para este fim.

Por outro lado, adiantou, o recinto contará também com um maior número de sanitários químicos e com menos instalações sanitárias ligadas à rede, cujos autoclismos utilizarão água não potável e garrafas de areia, resultando numa poupança de cerca de um litro e meio por descarga.

Serão ainda instalados redutores de caudal em diferentes pontos e o número de pontos de distribuição gratuita de água será ajustado e a sua utilização acompanhada, para minimizar desperdícios, mantendo-se assegurado o acesso do público a água potável.

A louça utilizada nos espaços destinados às refeições das equipas e dos artistas será lavada fora do concelho de Almada e as unidades de street food presentes no recinto dedicam-se maioritariamente à finalização e ao serviço de refeições, mantendo apenas o acesso à água estritamente necessária para o cumprimento das normas de higiene e segurança alimentar.

A organização assegura que irá também sensibilizar o público para uma utilização responsável deste recurso, dentro e fora do recinto, e conta com estas medidas para evitar o consumo de mais de 100 mil litros de água potável da rede pública ao longo dos quatro dias do festival.

Até domingo, 16 de Agosto, o festival dedicado à música lusófona apresenta mais de 50 momentos de programação distribuídos pelos palcos Via Verde, Sagres e Jazzy, reunindo nesta 11ª edição artistas de Portugal, do Brasil e de diferentes territórios da lusofonia, cruzando fado, pop, hip hop, sertanejo, funk brasileiro, afro-house, electrónica e música popular portuguesa.

A programação, segundo a organização, está pensada para diferentes gerações e para um público que inclui famílias, grupos de amigos e visitantes que escolhem a Costa da Caparica como destino de Verão, com o recinto a abrir as portas às 16h para espectáculos até à 1h30.

No Palco Via Verde, o primeiro dia (13 de Agosto) começa com Landrick (18h) e segue com Papillon (19h30) e Sara Correia (21h), antes da estreia de Maiara & Maraisa (22h30), terminando a noite com Orochi (24h).

A 14 de Agosto, Rich & Mendes (18h) abrem o palco principal, seguindo-se João Pedro Pais (19h15), Calema (20h45), Mizzy Miles (22h45) e Veigh (24h30).

No dia 15, o alinhamento junta Vizinhos (18h), Mundo Segundo & Sam The Kid (19h15), Nininho Vaz Maia (20h45), Kevinho (22h30) e Deejay Telio (24h15).

No domingo (16 de Agosto), Quim Barreiros (18h) abre a programação do Palco Via Verde, que conta ainda com ÁTOA (19h30), MC Paiva (21h), Slow J (22h30) e Lon3r Johny (24h30).

O Palco Sagres será o espaço dedicado aos ritmos que dominam as pistas de dança e o panorama da música urbana, do afro-house e da electrónica, com Sertabeijo, Deejay Rifox, Kiko is Hot, DJ Diego Gonzalez, Más Influências, American House Party, Dr. Love e Zanova.

Durante estes dias, há ainda quatro momentos de dança por dia no Palco Jazzy, distribuídos entre o final da tarde e a meia-noite.

A RTP prepara uma transmissão dedicada ao evento. Assim, quem não conseguir deslocar-se ao recinto poderá acompanhar parte da programação através da televisão e das plataformas digitais da estação. Está previsto que a emissão decorra entre as 00h e as 4h, embora o horário possa sofrer alterações.

Se bem que traga muitas pessoas à Costa da Caparica, contibuindo para o turismo e a economia local, são muitos os caparicanos que constestam a localização escolhida para a realização d’O Sol da Caparica. Entre as principais queixas estão o encerramento do Parque Urbano durante todo o mês de Agosto, o ruído que não se cinge apenas aos dias do festival mas também à montagem e desmontagem das suas infraestrururas, estacionamento desordenado, altercações e lixo na via pública.,

O Sol da Caparica é organizado desde 2024 e até 2026 pelo consórcio das empresas Domingo no Mundo e Music Mov, encabeçado por André Sardet e António Gomes, em conjunto com a CMA.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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