Sobreda | Duas novas exposições nos Zagallos

"Do corpo nasce o mar", fotografias de Tatiana Saavedra, e "Terra pela metade" cerâmica de Maria de Jesus, inauguram a 19 de Julho às 15h

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No dia 19 de Julho às 15h, inauguram duas novas exposições no Solar dos Zagallos, na Sobreda. Ambas ficam patentes ao público até 30 de Agosto. A entrada é livre.

“Do Corpo Nasce o Mar” de Tatiana Saavedra é uma exposição de fotografia onde o corpo é origem e passagem. É ventre, território primordial, e também pele que se abre ao mundo. As fotografias são fragmentos de uma memória comum, que parte do íntimo para a paisagem, como se as águas do interior escoassem lentamente até encontrarem o mar. O mar aqui é uma metáfora de um sentir vasto, indomável, por vezes contido. Tem margens, mas recusa-as. Como o corpo, carregado de um desejo mas que aprende a silenciar.

Cada fotografia convoca esse limiar, entre o que se contém e o que se entrega, entre o gesto e a ausência. São construções visuais de uma vida interior, onde o tempo se sedimenta em matéria e o olhar se transforma em pele. Tocam o mundo e recuam, voltam a si. É um movimento de dentro para fora, mas também de retorno. Um ciclo. Uma tentativa poética de narrar o indizível e, sobretudo, um convite a escutar o que em nós ainda pulsa, como mar em contenção.

As fotografias de Tatiana Saavedra foram publicadas na revista Vogue, no jornal Libération, Público, Dodho, Fisheye Magazine, Parq Magazine, entre outros.

Pelas 16h, acontece um momento musical com o saxofonista Pedro Alves Sousa.

Veja aqui o catálogo desta exposiçao.

©Florbela Salgueiro / CMA / Cerâmicas geométricas de Maria de Jesus.

“Terra pela Metade”, de Maria de Jesus é uma exposição de cerâmica, com curadoria de Carlos Ribeiro da Associação O Porco Voador.

Maria de Jesus, vencedora do Prémio Amplitude 2024, é uma artista silenciosa. Tímida e discreta, trabalha quase em reclusão. Como um monge num mosteiro empoleirado algures num monte longe do mundo. 

Sempre que pode trabalha intensamente e é nesses momentos que se transfigura. A artista discreta e tímida, aparentemente anódina, transforma-se e apesar da serenidade que imprime no fazer, a obra que materializa em argila, transpira paixão, como se as suas formas geométricas, que evocam ordem e harmonia, nascessem do seu interior e do caos.

As exposições podem ser visitadas de Terça a Sábado, entre as 10h e as 13h, e das 14h às 18h. O Solar dos Zagallos encerra aos Domingos, Segundas-Feiras e Feriados

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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