Almada | Da Loucura do herói grego ao palco contemporâneo
"Ajax" estará em cena até 20 de Setembro, no Teatro Municipal Joaquim Benite. De Quinta a Sábado às 21h e Domingo às 16h
O Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB) acolhe até 20 de Setembro, na sua Sala Experimental, uma das propostas mais aguardadas da temporada: “Ájax”, uma releitura contemporânea da tragédia clássica de Sófocles, encenada e protagonizada por Cláudio da Silva, pela companhia Soluços d’Inverno.
Ájax era, no fim da guerra de Tróia, considerado o segundo melhor guerreiro grego, atrás apenas de Aquiles. Com a morte deste, Ájax acreditava dever ser ele a receber a sua armadura e as suas armas. Mas a honra foi para Ulisses. Enfurecido, Ájax jurou, então, matar os líderes e companheiros gregos que o desonraram. Para o impedir, Atena faz com que Ájax entre em delírio, levando-o a acreditar que as ovelhas e o gado de Ulisses eram os próprios heróis gregos e o seu exército. A loucura pode conduzir à sua autodestruição.
Quem, como Ájax, levado por instintos primários como o ímpeto de vingança por uma injustiça, não foi já vítima de ilusões causadas pelas suas próprias fragilidades, por intervenção de outros ou por um acontecimento ou um contexto social? Eis a pergunta de Cláudio da Silva, encenador deste espectáculo. E prossegue: “A era da informação — ou melhor, da descredibilização da informação e das suas fontes — é, hoje, o contexto ideal para o desenvolvimento e a propagação de discursos políticos, medidas sociais, ideologias e actos altamente desumanos, injustos, anti-democráticos e regressivos. Como enfrentar então esta era, este tempo, sem a degradação completa e abismal dos nossos valores civilizacionais?”.
Partindo do texto de Ájax, provavelmente a mais antiga tragédia de Sófocles, este espectáculo, que se estreia no TMJB, faz uma aproximação teatral ao texto e à figura de Sófocles, cruzando-os com depoimentos, narrativas e intervenções artísticas, procurando criar um objecto artístico original e acutilante. Este é num espectáculo que cruza o o texto clássico com linguagens performativas e reflexões artísticas actuais.
Na próxima terça-feira, 22 de Setembro, às 19h, a Biblioteca Central de Almada dinamiza uma sessão especial do Clube de Leitura de Teatro inteiramente dedicada a esta obra, que contará com a participação presencial de Cláudio da Silva. Será uma oportunidade para o debater o texto de Sófocles e compreender as opções estéticas e conceptuais por detrás desta adaptação.
Fixa técnica e artística
Texto: Sófocles
Encenação: Cláudio da Silva
Dramaturgia: Carolina Dominguez, Cláudio da Silva, Rita Ferreira
Cenografia: Gustavo Sumpta
Interpretação: Cláudio da Silva, Crista Alfaiate, Marcello Urgeghe, Nuno Lucas
Desenho de Luz: Pedro Paiva
Apoio ao Movimento: Pedro Núñez
Assistente de Cena: Miriam Vale
Som: Rafael Ligeiro
Música: João Martins
Adereços: Pedro Paiva (personagens) e Gustavo Sumpta (armas)
Co-produção: Galeria Zé dos Bois, Teatro Municipal Joaquim Benite
Duração: 1h45
Classificação: M/14
Os bilhetes têm o custo fixo de 13 euros, estando ainda disponíveis descontos habituais para jovens, seniores e profissionais do espectáculo.
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