Como estás Almada?
Não preciso escrever muito sobre isto porque é do conhecimento de todos: o desinteresse de muitos nasce de uma grande debilidade de gestão.
Em Almada existem vários problemas que exigem solução – uns mais, outros menos graves. Vamos desde problemas de habitação gravíssimos até aos relacionados com a carência de água, a sujidade nas nossas ruas, os passeios em muitas zonas do Concelho desnivelados, esburacados, a prejudicar gravemente quem tem mais dificuldade na sua mobilidade.
Há uma manifesta falta de brio, quer por parte da gestão camarária, quer por parte das pessoas, que decidiram pelo desinteresse. Em qualquer lado se deixa lixo misturado com cartão, garrafas de vidro ou plástico e mesmo garrafas com óleo de fritar usado. Apesar de existirem contentores próprios, para serem depositados, muitas vezes encontram-se cheios, o que leva a que o lixo seja deixado onde calha.
Não preciso escrever muito sobre isto, porque é do conhecimento de todos; o desinteresse de muitos nasce de uma grande debilidade de gestão. Sem gestão, gera-se o “deixa andar” e revela-se o que de pior existe nas pessoas; o “quero lá saber disso” “pago taxas para isto e para aquilo”, e assim se deixa muita coisa ao abandono.
Assistimos à colocação de parquímetros um pouco por todo o lado, e foi anunciada a intenção de colocar muitos mais. O curioso, é que esse aumento de cobrança não foi acompanhado por medidas de marcação dos lugares de estacionamento, nem de conservação dos passeios.
A varredura em muitos locais é uma perfeita miragem, e as papeleiras permanecem a abarrotar de lixo, sem que sejam despejadas atempadamente. As pedras de passeio soltam-se e ficam espalhadas, e as pessoas com mais dificuldade de mobilidade tropeçam com facilidade.
Constatei que a abertura do ano letivo da Escola nº 1 da Avenida da Fundação, a dos mais pequenos, aconteceu sem que tivesse sido possível durante o período de férias limpar todo o espaço de recreio, onde são bem visíveis ervas em todo o perímetro da escola com uma dimensão considerável. Pior que criticar é ignorar, e por isso não deixo de referir que a colocação dos ecopontos na frente da escola não é de todo uma boa solução.
A escola primária centenária, António José Gomes, encontra-se ao abandono. Esta Escola a que os mais antigos referem como a “Escola do Gomes”, já foi referida como estando destinada para outros fins, nunca deixando de ser apenas palavras, agora está forrada com contraplacado nas janelas a prevenir que a degradação seja ainda mais evidente. Pior que criticar é ignorar!
Estruturas metálicas colocadas nos passeios sofrem pancadas de viaturas ficando e permanecendo tortas durante muito tempo. A isto, juntam-se as ervas que crescem a um bom ritmo, dando um aspeto geral de desleixo, que constitui um verdadeiro desgosto para todos aqueles que não conseguem olhar para o lado e ignorar este estado de coisas.
Uma boa nota : O surgimento da Associação de Moradores do Bairro Nossa Sra da Piedade, uma boa iniciativa e um bom exemplo!
Entretanto, uma das medidas levadas a cabo pela Sra Presidente da Câmara e executivo camarário, foi a redução de duas reuniões com período aberto ao público para apenas uma reunião mensal. Um facto que é, a todos os títulos, lamentável.
A existência de duas reuniões com período aberto ao público por mês remonta ao período do pós- 25 de Abril de 1974. Desde então estes momentos foram sempre utilizadas pelos cidadãos e cidadãs para colocarem assuntos do seu interesse individual ou coletivo. Este corte agora imposto, reduz significativamente a possibilidade de participação e auscultação popular. Uma coisa é certa, a participação cidadã não pode resumir-se ao ato de votar de 4 em 4 anos. A intervenção cidadã deve ser incentivada e valorizada, a bem da Democracia.
Preservar o espaço público e defender a Democracia. Sempre!
Almada Online, BE, Crónica, Luís Filipe Pereira, Opinião



