Almada | Nayola, mulheres angolanas em guerra
Um filme de animação que pode ser visto no Auditório Fernando Lopes-Graça, dia 20 de Setembro às 21h
As vidas, os sonhos e os segredos de três mulheres, Lelena (a avó), Nayola (a filha) e Yara (a neta), cruzam-se em dois tempos narrativos, distanciados por catorze anos. No passado, Nayola parte à procura do marido, desaparecido em combate na guerra civil angolana e, envolve-se numa busca errática, audaz e mágica. No presente, Yara é uma jovem rapper e activista dos direitos humanos, perseguida pela polícia nas ruas de Luanda, o que causa grande inquietação a Lelena. Uma noite, avó e neta sofrem uma dupla ameaça, primeiro um misterioso mascarado armado invade-lhes a casa, depois a polícia faz uma rusga no musseque para prender Yara.
Noyola é a história de três mulheres com vidas dilaceradas pela guerra civil angolana. A imaginação de uma órfã reinventa a mãe como heroína nas folhas de um diário onde despontam, encadeiam e desfazem memórias e máscaras, utopias e crueldades, realidade e magia. Um amor suspenso, uma busca temerária num cenário bélico, um remorso dilacerante, uma viagem iniciática. No final, um reencontro trágico em tempo de paz, num país em mudança, cheio de esperança.
A história, ambientada em Angola entre 1995 e 2011, abrange a fase final da Guerra Civil angolana e os primeiros anos de paz no país. Este é um filme sobre mulheres angolanas, a guerra civil e, o misticismo africano. A filosofia animista africana desenvolve nas personagens um espaço espiritual e subjectivo, que tem como singularidade a perspectiva feminina da guerra.
José Miguel Ribeiro é uma espécie de “camaleão” capaz de tudo, trabalhando sempre com talento linguagens e estilos diferentes consoante a história que quer contar. Na sua primeira longa-metragem, que demorou nove anos a ser feita e tem como destinatário o público adulto, percebe-se que quis fazer uma exploração prolongada das possibilidades que a animação proporciona, procurando traduzir em imagens o subtexto narrativo, através de vários estilos visuais para os diferentes momentos e personagens, de uma história que atravessa várias décadas.
A história de Nayola é a quarta interpretação de um conto de José Eduardo Agualusa, primeiro adaptado para teatro pelo autor e por Mia Couto, depois transformado pelo argumentista Virgílio Almeida, finalmente animado por José Miguel Ribeiro, que é um talento maior da animação em qualquer parte do mundo. A interpretação de Mia Couto e Agualusa é fechada numa casa, a de José Miguel tem um contexto mais alargado, em que as personagens têm mundo, especialmente a mãe guerrilheira.
Nayola estreou no festival Monstra, já venceu mais de uma dezena de prémios, entre os quais o Prémio do Público na Mostra de São Paulo.

Ficha Técnica:
Título original: Nayola
Realização: José Miguel Ribeiro
Argumento: Virgilio Almeida, baseado na peça de Mia Couto e José Eduardo Agualusa “A Caixa Preta”
Produção: Jorge António
Vozes: Ciomara Morais, Ângelo Torres, Elisângela Rita, Catarina André, Marinela Furtado Veloso, Feliciana Délcia Guia, Vitória Adelino Dias Soares
Animação: Jeroen Ceulebrouck
Música: Alex Debicki
Género: Animação, Drama
Origem: Angola, Bélgica, Holanda, Portugal
Ano: 2022
Duração: 83 minutos
Classificação: M/14
Preço: 3,00€ |Desconto de 50% para jovens e seniores
Contacto da Bilheteira do AFLG
Tel.: 212 724 922 | auditorio@cm-almada.pt
Quarta a Sábado das 10h00 – 13h00 | 14h30 – 18h00
1 hora antes de espectáculo ou sessão de cinema

