Almada | Time pelo Teatrão
A peça vai à cena pelo Teatrão no dia 20 de Maio às 21h e, 21 às 15h, na Sala Experimental do Teatro Municipal Joaquim Benite
Time é uma peça de dança criada para três actores e uma intérprete de Língua Gestual Portuguesa, em torno do tema ‘tempo’, como resposta ao desafio de se trabalhar a ideia de utopia e de mudança. Desde a antiguidade que a natureza do tempo se apresenta como uma das maiores questões filosóficas, quer pela tentativa de compreender a sua linearidade, passado, presente e futuro, quer pela sua subjectividade, uma vez que o tempo é interpretado por cada um de forma diferente, sendo muitas vezes essa interpretação influenciada pela situação que se vive em determinado momento. Se por um lado a explicação da Física de Einstein, que apresenta o tempo como a quarta dimensão da realidade, apazigua divergências científicas, por outro, confunde-nos ainda mais porque não a conseguimos sentir nem visualizar.
Há um ponto no qual muitos teóricos estão de acordo: o tempo, tal como é experienciado durante a vida dos humanos, é irreversível. Também há um ponto que parece suscitar alguma preocupação, que é o do tempo tal e qual como o vivemos na actualidade, que não corresponde às necessidades da humanidade, nem do planeta, uma vez que se vive apressadamente, desrespeitando os tempos biológicos do corpo, e os tempos da natureza, que lhe são inerentes.
Nesta peça, que utiliza a linguagem subjectiva da dança, vai-se procurar responder a algumas destas grandes questões, recorrendo como inspiração à escrita de filósofos e de obras literárias, e cruzando-as com informação empírica recolhida através de entrevistas realizadas com pessoas que têm um conhecimento empírico do tempo, uma vez que trabalham a terra e estão regularmente muito próximas da natureza.
Neste espetáculo, ao longo de 60 minutos é debatido o significado de “tempo”, a forma como o vivemos e como o sentimos passar no corpo. Esta é uma criação onde perguntamos quanto tempo precisamos para subir ao cimo de uma montanha e parar para contemplar a paisagem ou o que existia antes do tempo da terra ser terra ou se continuamos a brilhar depois da vida acabar.
Aldara Bizarro é ex-bailarina e coreógrafa. Nasceu em 1965 em Maputo. Estudou dança, desde os 5 anos, em Luanda, Lisboa, Nova Iorque e Berlim. Como intérprete, trabalhou com vários coreógrafos portugueses nos anos 80 e 90. Desenvolve trabalho como coreógrafa desde 1990, pertencendo ao grupo da Nova Dança Portuguesa. O seu trabalho artístico centra-se na criação para o público jovem e no desenvolvimento de projectos para a comunidade.
O Teatrão tem por missão aproximar a arte teatral das comunidades, promovendo a igualdade de acesso às suas actividades por todos os públicos, através de prácticas inclusivas, fruto da sua posição política sobre o papel da arte e cultura no desenvolvimento dos indivíduos e das comunidades. Um dos seus objectivos é aprofundar a dimensão artística e pedagógica do seu projecto, apenas possível graças à singularidade da formação académica e experiência da sua equipa, de encenadores/atores/dramaturgos/pedagogos, promovendo prácticas que articulem a criação, a formação e a investigação nas artes performativas.

Ficha Técnica:
O Teatrão – Oficina Municipal de Teatro
Concepção e Direção Artística: Aldara Bizarro
Interpretação e Cocriação: João Santos, Margarida Sousa, Sofia Coelho
Consultores Científicos: André Barata (Filosofia) e Helena Caldeira (Física)
Cenografia e Figurinos: Morgana Machado
Música original: Luís Pedro Madeira
Figurinos: Helena Guerreiro
Desenho de luz: Jonathan Azevedo
Som: Nuno Pompeu
Duração: 60min.
Classificação Etária: M/12

